Romance narrado pelo tempo, Para não acabar tão cedo, de Clarice Freire, explora a relação das mulheres com o envelhecimento e os ciclos da vida, em uma combinação corajosa e comovente.
Para não acabar tão cedo é o romance de estreia de Clarice Freire, autora e artista visual pernambucana, conhecida pelo projeto Pó de lua. O livro apresenta a história de duas irmãs – as idosas Augusta e Lia –, com vidas e personalidades distintas, cuja relação é transformada de maneira inesperada quando acordam certa manhã com seus corpos rejuvenescidos. Augusta é a mais velha, ranzinza e dona de um cuidado que por vezes sufoca. Nesse lugar de guardiã do passado e do controle, ela se vê confrontada com a incerteza e os mistérios de sua nova condição. Lia, por outro lado, de alma rebelde e apaixonada, ao retomar o movimento das pernas naquela manhã, quer aproveitar ao máximo e saciar sua sede de vida.
A relação entre as irmãs é tanto única quanto universal. Mas há um elemento ainda mais particular em Para não acabar tão cedo: o narrador desta história é o próprio Tempo, que também é o responsável pela reviravolta na vida dessas senhoras. Acompanhamos como Augusta e Lia lidam, cada uma à sua maneira, com as ações e a passagem dele, um narrador e personagem excêntrico, não linear, poeta, sarcástico, sensível, sacana e compassivo.
A escrita de Clarice Freire é inventiva e carrega consigo muitos traços da poesia. Em sua estreia na prosa, vivenciamos, sobretudo do ponto de vista feminino, a passagem do tempo, a complexidade do envelhecer e a constante redescoberta – com Lia, Augusta e o Tempo – dos mistérios e sentidos da vida.
“Uma narrativa surpreendente, vibrante tanto no conteúdo quanto na forma. Clarice Freire [...] oferece uma trama instigante ao contar a história de duas irmãs diante da velhice e de sua inexorabilidade. Um dia, uma delas acorda e se depara, ao espelho, com um rosto que não é dela. Ou melhor, um rosto que já foi seu. A partir desse estopim, o leitor é convidado a uma aventura sensível e eletrizante.” - Micheliny Verunschk
A publicitária Clarice Freire nasceu no Recife, em 1988, e desde muito cedo aprendeu a usar as palavras para acalmar suas inquietações. Cresceu admirando os desenhos em lápis de cor da mãe, Lúcia, e os versos do pai, Wilson (parceiro do compositor Antônio Nóbrega). Uma noite, ouviu falar que a lua era bela porque, mesmo sendo só areia, deixava refletir a luz de outro, e por isso as noites não são escuras. Daí veio a inspiração para o nome de sua página no Facebook, Pó de Lua (www.facebook.com/podelua), criada em 2011.
muito interessante sim! gostei bastante de ter sido uma história narrada pelo tempo, ficou bem diferente. a única coisa que eu não entendi e que travava muito a leitura foram os "enters" que deram no texto quase inteiro. tem alguns livros com esse formato que dão fluidez ao texto e combina com o conceito, mas acho que, nesse caso, não funcionou muito. isso não foi algo que me fez tirar estrelas, mas deixou um pouquinho cansativo só
uma das coisas mais legais pra mim foi o fato de o tempo ser o narrador: ele é o denominador comum entre tudo e todos, o que observa as mudanças, as perdas e os reencontros. ler um livro sobre a relação de duas irmãs a partir da perspectiva dele é entender o quanto somos seres diferentes, mesmo crescendo no mesmo ambiente.
gostei muito da forma como o tempo apresenta guta e lia, e como, ao narrar as lembranças delas, ele nos convida a refletir sobre a vida, o envelhecer, o amor e as memórias. em vários momentos me senti tomada por uma nostalgia suave, como se eu também tivesse vivido aquelas cenas.
não dei 5 estrelas porque o final não me agradou tanto, entendi a proposta, mas preferia que tivesse seguido por outro caminho. ainda assim, para não acabar tão cedo foi uma leitura transformadora. um livro que chega leve, mas deixa a gente com um nó na garganta e uma vontade enorme de ligar pra quem a gente ama.
Lindo lindo lindo! Perfeito pro momento da minha virado para os 30 anos! Genial a construção do Tempo como narrador da história.
“Tempo leva tudo, eles dizem. A beleza se despede, a juventude se apaga, os dias de sol escurecem. Levo o que devo, nem sempre gosto do peso das minhas bagagens, mas minha atuação é orquestrada. Engana-se quem pensa que meu trabalho é aleatório ou desordenado”
“Poucas parcerias dão tão certo quanto a do Amor e o Tempo. Somos imbatíveis nas curas, maturações, potencializações e purificações de almas sujas demais de si mesmas”
“Porque não me retenho, aprendi a ser contente com o que tenho: um incessante acúmulo de agoras.”
o lirismo é de fato muito bem trabalhado, mas cansativo. num geral, me pareceu um desperdício de uma boa história, que tenta ser profunda mas na verdade não consegue se aprofundar tanto. :(
eu tive uma experiência lendo até que chegou há um clímax nas últimas páginas do livro. Ali eu entendi o porquê o livro era grande, o que aquela história queria me contar, o que era o tempo brincando com duas irmãs já idosas com certo derramamento de vida. Conhecia o trabalho da Clarice e fiquei curiosa demais como ela ia adaptar sua escrita poética para um romance e enquanto lia percebia que nada não era Clarice ali. O tempo como narrador é tão cuidado enquanto personagem na história que se torna magnífico em sua cadência.
Adorei ele ser contado em um dia, o artificio para não acabar tão cedo, as menções do cheiro e das ruas recifenses e principalmente ao interior que Clarice sabiamente me corrigiu que não era apenas o físico de fronteiras entre cidades mas também o nosso. Por fim, lindo demais poder ter tido uma leitura com ela, ouvir ela falar do processo de escrita, do cuidado com as palavras, dos seus estudos e desenhos. Tive outra experiência após escutá-la, ali o livro pôde se tornar gigante. As dificuldades com as pausas, estranhezas ou certas faltas que senti ali pro meio da narrativa enquanto o livro se pausava para se tornar poema se dissiparam de alguma forma em seu fim e também nas próprias palavras da autora, foi um certo privilégio.
até aos 50% o livro ainda não tinha me pegado mas, depois, fluiu. não curti o "lado poético" e achei um pouco forçado as poesias e o excesso de enter para transformar em algo a mais. parece que a autora quis falar de muitas coisas e não se aprofundou em nenhuma, meio raso.... esperava mais por conta da sinopse.
Excepcional! Pura poesia no correr do livro inteiro. As palavras se conectam umas com as outras de forma fluida e bela, e as ideias são apresentadas, mesmo as mais simples - talvez por isso, de um jeito que parece que não tem outro melhor que aquele. Eu estou apaixonada!
5.0⭐ QUE LIVRO INCRÍVEL! LINDO! PERFEITO! a narração do tempo (o tempo mesmo!) é incrível, a clarice é uma escritora e tanto! os temas abordados da velhice, do que é ser idosa, o que é envelhecer, o que torna sua vida quando você deixa de ser jovem e quando você viu o tempo já passou, o que é se ver acamado, a amizade, amor entre irmãs, família, é tão bem construído e poético. e mais importante: como ter uma boa relação com o tempo, nosso melhor amigo. mexe com o coração. ultimamente consumir mídia sobre a velhice me enche o coração de uma forma muito boa e carinhosa, consigo ver nelas minhas avós e até eu um dia quem sabe. esse livro é um carinho, um abraço e um chamego, um cafuné do tempo para você (e talvez os idosos presentes na sua vida.) é um presente lindo. é lindo e necessário. com certeza virou um dos meus favorito do ano, da vida! ❤️
"Desejei que ele fosse mais largo, para caber tudo o que era vontade minha. Achei minha vida pouca, implorei que o Tempo fosse mais lento, que esperasse a coragem nascer dentro de mim"
Como pode nos faltar tanto tempo quando tudo que acontece na vida é por causa dele? Como podemos nos sentir tão atrasados quando o tempo é sempre presente?
Falar sobre o tempo é falar de "agoras". Não tem nada, acho, que a gente precise tanto. E a poesia desse livro vem nos preencher de presente, das coisas que importam, das miudezas que o tempo costura.
Muito mais do que a história de Lia e Augusta, que por sinal é a história de muitos de nós, essa é uma tentativa de capturar o Tempo, com letra maiúscula, como personagem principal, é uma forma de conceituar o inexplicável, dar corpo e voz ao que ninguém entende. Não entedemos, mas conhecemos, sentimos.
Que delícia de leitura, que necessária foi cada reflexão. Queria era mais tempo com as aventuras de Lia e Augusta, que não são grandiosas, mas são familiares e aconchegantes. Elas nos lembram que é possível (e às vezes preciso) acabar e recomeçar infinitamente ao longo da vida.
Enfim, sinto que são histórias como essa que fazem a gente não acabar tão cedo.
clarice freire, você não tinha esse direito!!!!!!! mergulhei meio que despreocupada e desprevenida nesse singelo romance... e a onda me levou. duas irmãs de idade avançada moram juntas: uma presa à cadeira de rodas, outra presa às suas ideias rígidas do mundo, da vida. e logo nas primeiras páginas, elas percebem ter acordado e virado sua versão de vinte e tantos anos. sem moléstias, rugas ou imobilidade alguma. esse livro é narrado ainda pelo tempo, que é sensível e faz comentários lindos e profundos sobre a vida. é uma narrativa lindíssima e que só melhora com as páginas passando. muitas anotações, muito pra pensar. lindo demais, emocionalmente demais. quem me conhece sabe!!!! quase nunca dou 5 estrelas. mas esse mereceu. bravo, clarice ❤️🔥
Para Não Acabar Tão Cedo foi o primeiro livro que li da Clarice Freire. Eu não tinha noção do que era o livro, mas adorei a capa e o título. A cada página, fui viajando pela história e me apegando a Lia e a Guta. Ler um livro que se passa pelo Recife dá um calorzinho no coração. A premissa da história é simples, mas é tão poética, e vez ou outra parece ter realmente cheiro e gostos. A sensação do mar, a Cartola com queijo derretido, as lembranças pungentes... Tudo se alinha, e o mistério que temos no início, dar lugar a uma compreensão de que há coisas que não precisam ser explicadas, mas sentidas.
Nostalgia e Saudade. Acho que essas são as palavras que definem esse livro pra mim. Um livro com leitura fluida e bonita. Foi maravilhoso ler o Tempo narrando a história dessas duas "jovens senhoras", suas lembranças e aventuras atuais. Me identifiquei muito com uma delas e também identifiquei muito de pessoas queridas nessas personagens, me trazendo uma saudade boa. Foi prazeroso demais acompanhar cada capítulo e ser transportada para as situações narradas.
Obs: a leitura é rápida, porém dei uma pausa longa nos capítulos finais por não querer aceitar certo acontecimento do livro haha
Livro muito lindo, a escrita da Clarice é mágica e envolvente e nos sentimos parte daquele universo. Cada irmã tem uma personalidade diferente que juntas formam a alma do livro, é tudo muito cativante e sensitivo. Além disso, a narrativa conduzida pelo próprio tempo deixa tudo mais místico e nos faz ficar mais interessados e conectados.
Também gostaria de destacar que tive a oportunidade de conversar diretamente com a autora e foi uma experiência incrível que me fez abrir mais a mente sobre a obra.
nossas conversas costumam ser breves, na maioria das vezes falo sozinho, desesperado. Você sabe muito bem o quanto sou dramático, consigo ouvir as suas risadas e fico feliz que tem algo em mim que agrade o seu humor. Respeito os seus silêncios, tento ser mais paciente com a sua amiga Vida e não os julgo responsáveis pelos lamentos que sinto, essa crueldade é somente minha.
Tempo, não é tarde para voltar a se apaixonar, não é?
Alerta de lencinho! Neste livro, o próprio tempo se torna narrador e nos oferece reflexões sobre a vida, o envelhecer, a memória e a passagem inexorável dos dias. Apesar de breve, a obra entrega uma leitura intensa: a cada página, precisei parar e respirar antes de seguir. No fim, Para não acabar tão cedo é sobre acolher a finitude, desacelerar e escutar o tempo que habita em nós. Uma poesia em prosa sobre a delicadeza de existir.
Poesia pura! Escolhi ler com calma, e aos poucos, pra absorver a reflexão de cada capítulo (muitas vezes, de cada parágrafo). O tempo é o que temos de mais sagrado na vida, e seja lá como estamos escolhendo viver, ele está passando e não tem ré! Que saibamos escolher bem como vamos usufruiu da companhia dele!
“O tempo me viu. Me reconheceu e disse que ele é todo meu.”
esse livro é idêntico ao video da fatima com a sueli: O Tempo está passando… brincadeiras a parte, lindo demais, tem tudo que eu gosto num livro (principalmente a parte de amor em irmãs) simplesmente perfeita a relacao da guta com a lia 🤏
“o tempo leva tudo, eles dizem”, é engraçado ver como o tempo é capaz de cativar nesse livro e mudar a percepção de quem o lê sobre ele, para alguns é vilão, pra outros sentença, pra outros dádiva, no fim o tempo não é um herói ou um vilão de filme, ele sofre atribuições que damos a ele, nossa visão, nossos sentidos, uma grande leitura.
amei conhecer augusta e lia, o jeito de cada uma enxergar o mundo. nos ajuda a refletir sobre o que fazemos com o tempo que temos. aliás, é linda a visão desse narrador e como ele conta a história das duas.
chorei e não foi pouco, uma sutileza na escrita, uma delicadeza e singeleza de dar gosto. por mais livros assim, que fazem refletir sobre si, sobre a vida, sobre o tempo. Viva Augusta e viva Lia, que para sempre habitarão no meu coração literário!
Adorei o passeio pelas dúvidas, pensamentos e vidas da Lia e da Guta. Me senti relembrando e questionando minhas próprias decisões - será que eu me dou bem com o tempo? Será que no fim vou me arrepender de algo? O fim foi muito inesperado e acabou comigo, mas me deixou com uma ternura gostosa.
This entire review has been hidden because of spoilers.