Uma das canções mais conhecidas dos Beatles, “Eleanor Rigby”, de 1966, indaga acerca das pessoas solitárias, “Where do they all come from?” — isto é, “de onde todas elas vêm?”. Uma interrogação similar atravessa os 21 contos de Tantra e a arte de cortar cebolas , de Iara Biderman. Da mulher que na noite de Natal traz para casa um menino de rua à senhora que, no último conto, tenta voltar para um edifício que não reconhece, passando por michês, travestis, um bizarro vigia de zoológico, uma recém-casada prestes a chutar o balde, uma cleptomaníaca enfurecida e muitos outros personagens, em praticamente todas as histórias deste livro de vozes majoritariamente femininas há alguém que recusa o lugar onde está. Com ritmo ágil e uma grande variedade de registros, Iara Biderman escreveu um livro em que a sensação de deslocamento dá a tônica e se traduz num forte impulso de cruzar fronteiras — de classe, de gênero, de sexo, de moral, de gosto e, até mesmo, de espécie.
Contos afiados sobre a vida contemporânea, que abordam especialmente a solidão e a sensação de deslocamento com um tempero de paulistanidade - das obras sem fim ("Vista para o Mar") aos Nóias ("Manga").
Os contos variaram a temática, mas mantêm uma estrutura de qualidade - te fisgam no início e nocauteiam no final. Cortázar ficaria orgulhoso.
Com uma temática que simpatiza com o cotidiano, trazendo temas que ainda até são tabus no senso comum da sociedade, o ponto ápice da autora na sua escrita é a maneira de contar as suas histórias, todas com uma pitada ácida como é quando cortamos cebolas
Iara faz um belo jogo de palavras com situações simples do cotidiano. Talvez o excesso desse jogo seja um pouco cansativo. Alguns contos são ácidos, mórbidos e tem um erotismo muito bem desenhado. O conto que dá nome ao livro é maravilhoso.
Algumas boas inspirações, principalmente quando Iara leva clássicos do rock para as páginas. Mas faltou algo para empolgar, talvez faltou dar um salto longe do urbanismo que permeia está obra.