Vertigem, o terror das alturas, que na verdade é o medo de ceder à tentação de se deixar cair. Antes de Freud, as chamadas «ciências da alma», incluindo a emergente psiquiatria, reservavam às tonturas um lugar de destaque no quadro das patologias mentais, considerando-as o elemento desestabilizador e intoxicante — simultaneamente repulsivo e atraente — sem o qual a própria consciência não era concebível. Na filosofia, se para Montaigne e Pascal a vertigem podia parecer ainda um distúrbio da razão causado pela imaginação, mais tarde o pensamento deixa de a assimilar como uma instabilidade imaginativa ocasional a ser superada, para a reconhecer como parte do seu próprio processo: a identidade manifesta-se insegura, cinética, opaca, vertiginosa, precisamente. Andrea Cavalletti aproxima as suas análises teóricas da representação cinematográfica da queda no vazio de um famoso filme de Hitchcock, «Vertigo». A combinação genial, nunca antes tentada, de dolly e zoom, para criar o efeito de queda, descreve o movimento duplo de «empurrar e reter», que é a condição habitual do sujeito e da intersubjectividade. Para me encontrar, devo olhar para mim do fundo do abismo, com os olhos dos outros.
“Vertigo: The Temptation of Identity,” by the Italian philosopher Andrea Cavalletti, deals less with Hitchcock’s masterpiece, or with cinema at all, than with the notion of vertigo as set of a philosophical and psychological phenomena, discussed in dense thickets of prose evoking concepts of Aristotle, Freud, Heidegger, Merleau-Ponty, Foucault, and many others, copiously cited and quoted but rarely explicated or illuminated. While his philosophy is sophisticated, Cavalletti is naïve enough about cinema to treat Hitchcock’s film and its French source novel as interchangeable, which they emphatically are not. I revere philosophy, but film is my first love, and I found much of the book a bore and a chore.