Redescubra o poder e a sabedoria femininas por meio de mitos
Ao longo da história, o conhecimento e a força das mulheres sempre estiveram associados à ideia de uma anciã, curandeira ou rainha conselheira. Seu poder era personificado na forma de ninfas, fadas, espíritos da floresta, entre outras. Mas, então, como e quando sua sabedoria natural passou a ser ligada ao mal?
Para responder a essa pergunta, Julia Myara estuda os mecanismos que apagaram grandes figuras femininas e resgata as narrativas mítico-religiosas para relembrar mulheres que jamais deveriam passar despercebidas pela humanidade. Assim, Deusas, bruxas e feiticeiras nos faz questionar o apagamento do poder feminino por meio de uma vasta pesquisa sobre cultura, história e papéis de gênero, convidando as leitoras a uma reflexão sobre a representação da mulher no passado e nos dias de hoje.
"mata a cobra e mostra o..." espera aí, quem foi que contou essa história?
No geral, achei um livro bom (não traz respostas, mas cutuca que é uma beleza). A proposta não é cravar verdades históricas, e sim oferecer uma percepção de como os mitos e narrativas (da pré-história até as construções religiosas mais conhecidas) não só refletem a sociedade em que surgem, mas também ajudam a moldá-la. Nesse processo, o feminino foi/vai sendo reinterpretado e, muitas vezes, reduzido, controlado ou deslocado de um lugar de potência. O mais interessante é perceber que essas histórias nunca foram neutras (como seriam?). Elas carregam valores, interesses e visões de mundo que vão sendo herdados, repetidos e naturalizados ao longo do tempo. O quanto disso a gente ainda reproduz sem perceber?
Não é um livro para ser lido como verdade absoluta (até porque não é e várias suposições arqueológicas e históricas me deixaram com um pé atrás, ou até os dois, confesso kkk), mas pode ser visto como uma provocação e, dessa forma, funciona muito bem. Nos faz olhar para várias narrativas naturalizadas (próprias e comunais) e pensar: natural para quem? Quais narrativas femininas e imposições já internalizamos sem perceber?
Deusas, bruxas e feiticeiras, de Julia Myara, é mais um destes livros que estão no hype e na onda das publicações que prometem resgatar o lado mitopoético da vida, através do resgate de arquétipos e da magia feminina da vida. O diferencial do livro é que a autora é acadêmica e fez realmente uma pesquisa embasada e rigorosa sobre o tema que aborda, sem precisar de utilizar a desculpa da busca de arquétipos para apresentar o lado mágico feminino. O livro é apoiado, em grande parte, nas deidades greco-romanas. Por isso, as partes de que mais gostei são as que fogem dessa lógica falando de divindades que surgiram antes da civilização greco-romana em cujo papel das deusas era fundamental. Contudo, achei que as palavras bruxas e feiticeiras não foram tão bem exploradas no livro, embora ele dedique muitas páginas à história de Medeia. Na minha concepção bruxas e feiticeiras pertencem a um período posterior e acho que essa desambiguação não ficou muito clara nesta publicação.
Que leitura deliciosa, uns dos poucos livros que dei 5 estrelas esse ano, foi maravilhoso. Tudo que eu achava que sabia, de fato sabia, mas sabia de forma meio rasa e a cada capítulo desse livro tive a oportunidade de aprender mais. O recorte que autora fez me permitiu aprofundar meus conhecimentos sobre algumas das mais famosas figuras femininas mitológicas e conhecer em primeira mão um pouco de outros momentos da chamada "idade da pedra", e as populações e suas crenças de determinados períodos de tempo. Há muita pesquisa e estudo nas estruturas desse livro, mas a forma como foi escrito torna-o agradável e não intimidador, é conteúdo importante a atemporal discutido de uma forma de fácil entendimento. Honestamente, acho que aprendi mais durante os dois meses que me enrolei lendo este livro do que no restante do ano. Recomendo a todos.
Muito bom. O capítulo de conclusão me fez mudar a compreensão da intenção da autora com todas essas narrativas. Ela traz diversas histórias de deusas, feiticeiras como Morgana e quem eram as bruxas antigamente, para discutir a visão e função das mulheres em diferentes contextos históricos. Também traz estudos arqueológicos e históricos que indicam possível existência de antigas sociedades matriarcais, mas sempre dando margem para um erro ou inverdade. Também gostei dos termos que ela usa em alguns momentos, para indicar essas sobreposições e paradoxos históricos.
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eu iniciei a leitura imaginando algo mas crítico. é uma obra que expõe muitas histórias, toca em pontos sensíveis e desperta muita curiosidade! na era o que eu esperava da leitura, mas me surpreendi positivamente.
*acho que me faltou muito repertório, sou muito leiga em quase tudo que ela aborda, então em vários momentos fiquei muito perdida.
livro baphooooo, escrita deliiiciosa, a cada “curioso é q”, “interessante é q” eh uma bufada de ODIO diferente, um OTIMO apanhado sobre a mulher e o feminino no contexto ocidental