Review 1/135 - Marvel Origens: A década de 1960
Iniciando a série de reviews que prentendo fazer, temos a primeira das 135 edições de graphic novels que a Salvat lançou no Brasil.
A edição “Marvel Origens - Década de 1960” conta, como diz o título, das primeiras aparições de diversos personagens que compõem a mitologia clássica da Marvel. Vemos aqui a primeira aparição da mais clássica família dos quadrinhos, o Quarteto Fantástico, a primeira aparição do Incrível Hulk (ainda na coloração acinzentada), os primeiros dias de herói do Homem-Aranha, além de Homem de Ferro, Homem Formiga, a primeira formação dos Vingadores, entre outros.
As histórias inicialmente se apresentam de forma quase bobas, com tramas simples e bem fantasiosas. Mas o que se podia esperar da época em que foram lançadas era exatamente isso. Como é dito na breve introdução da edição da Salvat, temos o mundo em época de Guerra Fria, com os Estados Unidos claramente tentando se mostrar pronto para acabar com a “ameaça comunista” da época. Isso se reflete fortemente nos quadrinhos, já que grande parte das histórias de origem se apresenta exatamente como uma propaganda da tentativa dos Estados Unidos em vencer a corrida contra a União Soviética: o quarteto fantástico desenvolvendo um foguete as pressas, o hulk sendo capturado pelos comunistas, o homem de ferro aprisionado no Vietnam...
É possível perceber a forma que as histórias são, além de divertidas, um material até histórico, dando uma visão tanto da sociedade, como da cultura da época. Hoje temos o sucesso de filmes de heróis nos cinemas, e ver como que foram adaptados os conflitos iniciais vividos pelos personagens para uma época atual, melhora ainda mais a leitura.
Outro ponto interessante é a forma com que a Marvel lida com seus personagens. Enquanto que na DC, temos o Superman agindo como um deus na terra, temos nos quadrinhos da Marvel seres com habilidades sobre-humanas, mas agindo exatamente como os seres humanos da época iria agir. Vemos um homem aranha tendo que lidar com uma tia doente além do bullying na escola, um homem de ferro totalmente egocêntrico, provando que apesar de supers, eles são tão humanos quanto nós.
Ler a obra inicial de Stan Lee, junto com diversos desenhistas, dentre eles Jack Kirby e Steve Ditko, os grandes “fundadores” da Marvel, traz uma boa experiência inicial. Apesar de certo incômodo com a arte colorida e com histórias certamente padronizadas da época, temos aqui um bom exemplar do que era o melhor dos quadrinhos da década de 60.