That was the problem with women falling out of love; the veil of romance fell away from their eyes, and they looked in and could read you.
No seu mais recente conto, Claire Keegan discorre, em duas pinceladas precisas como sempre, sobre a realidade que conhece, referindo-se ao seu protagonista, Cathal, como um mau espécime irlandês, mas há sem dúvida muitos homens como ele em muitos países, pelo que é fácil extrapolar e transportar “So Late in the Day” para qualquer país do chamado mundo ocidental.
“She also said that to some of you we are just cunts”, she went on, “that she often hears Irish men referring to women in this way and calling us whores and bitches".
Assim que a história abre, desconfiamos que, em oposição ao belo dia de Verão, pesa sobre Cathal uma nuvem negra, que o leva a evitar todo o contacto humano e pressentimos que algo estranho se passa quando, ao chegar a casa, a correspondência se amontoa no chão, por trás da porta.
Keegan é discreta a espalhar pistas e a levar-nos quase a ter pena deste protagonista, mas quando se sabe o que está no cerne da questão, que acontecimentos levaram ao seu desconcerto, percebemos que estamos perante um ser patético que não soube lidar com uma relação amorosa, no entanto, a forma explícita como a misoginia é abordada torna o conto menos eficaz do que seria desejável.
“At least half of men your age just want us to shut up and give you what you want, that you’re spoiled and become contemptible when things don’t go your way.”
Ainda que Keegan diga mais do que mostre, quando eu prefiro o contrário, não deixa de ser brilhante a caracterizar a personalidade de Cathal em pequenos momentos de mesquinhez e também na ironia com que reproduz o seu ressabiamento final, em flagrante discordância com a derrota de um homem a assistir a um documentário sobre a Princesa Diana e a um jogo de póquer com os seus bluffs num dia que devia ser importante.
“Fucking cunts.” It sounded better when he added the other cunts, stronger.
Audiobook narrado pela autora, que poderia ter passado o dia todo a contar-me histórias ao ouvido.