Um rio narrando sua própria história. Duas lavadeiras de roupas entrelaçadas intimamente a ele. E uma ameaça de interrupção da vida.
Junior Aleixo, pesquisador na área de sociologia rural, nascido no agreste pernambucano e radicado no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, lança seu conto de estreia que narra a história de Irene e Miriam, duas lavadeiras de roupas que se veem forçadas a lidar com os desafios contraditórios trazidos pelo “progresso”. Ambientada nesse cenário, a narrativa de Junior Aleixo não apenas descreve a interação entre seres humanos e não humanos, mas transcende as relações puramente econômicas, explorando o que a natureza oferece de forma mais valores, crenças, concepções de mundo e afetividade.
"Essa foi a primeira estaca que colocaram sobre nós. Não foi um dique de contenção. Foi um vocabulário desconhecido, a construção de um significado sobre quem somos e o que podemos oferecer.
Incrível o que o Junior conseguiu fazer em poucas páginas, quão imersiva a narrativa consegue ser ao crescer e evoluir. O leitor se vê preocupado e ansioso com tudo que acontece em meio ao caos que a natureza sofre quando o homem intervém abrupta e levianamente no funcionamento de um ecossistema que mantem tudo sob equilíbrio.
O final desse conto é simplesmente de explodir a cabeça, é quando você refaz o caminho da história em retrospecto que entende cada ponto do que foi vivido e sofrido, bem como o impacto em vidas tão inocentes.
A única parte ruim desse conto é que ele acaba, por mim Junior teria escrito uma novela.