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Opúsculo humanitário e Conselhos à minha filha

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Esta edição reúne dois dos textos mais celebrados da autora potiguar Nísia "Conselhos à minha filha", de 1842, e "Opúsculo humanitário", de 1853.
"Opúsculo humanitário" é um manifesto em defesa da importância da educação feminina. Afinal, para a autora, o desenvolvimento de uma nação estava intrinsecamente ligado ao papel que a mulher ocupava na sociedade.
Da condição feminina na Antiguidade à situação brasileira do século XIX, Nísia traça um panorama histórico do lugar da mulher no âmbito social. Por intermédio de dados oficiais, tece uma profunda crítica à educação das moças no Brasil, além de fincar uma forte posição antiescravista, em prol do aleitamento materno e em defesa de outras pautas progressistas.
Nesta obra, nos convida a refletir sobre a importância da emancipação do gênero feminino para a construção de uma sociedade justa e próspera.
Em "Conselhos à minha filha", Nísia estimula a autonomia intelectual da própria filha. Um retrato de como a autora almejava um maior protagonismo feminino, ao mesmo tempo que reconhecia as limitações sociais de sua época.
Edição com textos integrais. Inclui notas explicativas para os termos não usuais.

169 pages, Kindle Edition

Published June 13, 2024

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About the author

Nísia Floresta

26 books5 followers
Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, (Papari, atual Nísia Floresta, 12 de outubro de 1810 — Rouen, França, 24 de abril de 1885) foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira mais conhecida como Nísia Floresta.

Primeira na educação feminista no Brasil, com protagonismo nas letras, no jornalismo e nos movimentos sociais. Defensora de ideais abolicionistas, republicanos e principalmente feministas, de consciência antecipadora para sua época, influenciou a prática educacional brasileira, rompendo limites do lugar social destinado à mulher.

Capaz de estabelecer um diálogo entre ideias europeias e o contexto brasileiro no qual viveu, dedicou obras e ensinos sobre a condição feminina e foi considerada pioneira do feminismo no Brasil, além de denunciar injustiças contra escravos e indígenas brasileiros.

No cenário de mulheres reclusas ao casamento e maternidade, diante de uma cultura de submissão, foi a primeira figura feminina a publicar textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava.

Nísia Floresta ainda dirigiu um colégio para meninas no Rio de Janeiro e escreveu diversas obras em defesa dos direitos das mulheres, índios e escravos, envolvendo-se plenamente com as questões culturais de seu tempo através de sua militância sob diversas vertentes.

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Profile Image for Tatiane R. Lima.
156 reviews
April 27, 2025
Esse livro faz parte da lista da Fuvest. Não é uma leitura simples e precisa ser contextualizado para fazer sentido.
Profile Image for '.
19 reviews
May 30, 2025
Detalhes Importantes: O livro foi lido para o vestibular da fuvest, ou seja, não li por diversão, ou seja, foi uma leitura com um “olhar crítico” e, portanto, a review/resumo será com um olhar crítico também. 

Nísia começa o livro lutando pelos direitos da mulher de ter acesso à educação, e nas primeiras páginas você gosta do livro, embora seja uma leitura um tanto difícil. O problema do livro e da autora é que você é pego pensando com a visão de hoje, ou seja, ao ler o livro, você mal percebe que Nísia não quer uma independência para as mulheres, o livro não trabalha isso. Ela afirma, e quer, que as mulheres sejam educadas para serem boas esposas, melhores esposas, boas mães e educadoras — aqui somente se revirando ao fator da mãe educar os filhos e não realmente trabalhar como professora como conhecemos hoje. Ela também critica muitas mulheres que não são cristãs e têm inteligência, estudos, e mulheres que são inteligentes, mas não usam sua inteligência para o “bem” e somente usam para “livros de romance e futilidades femininas”. Ela também diz que a educação deve ser acessada a todos, mas também diz que a educação pública é pior do que a educação privada — o que, na época, deveria ser verdade — mas olhando para o futuro, no século XXI, a escola pública DEVE ser melhor do que as privadas. O ensino privatizado é um sistema para controlar a população do saber. Nísia afirma um paradoxo a isso, dizendo que quanto mais ignorante uma população, mais fácil para um governo autoritário controlar o país. Aqui, ela afirma que as mulheres, por serem, basicamente, metade da população, devem ser letradas para que governos autoritários não controlem o país. Quer que as mulheres estejam conscientes do país em que vivem e do mundo em que vivem, mas claro, sempre sendo cristãs, esposas e mães. Nísia também quer educação a todos, mas ela luta pela educação BÁSICA, a educação PRIMÁRIA, a educação que hoje nos conhecemos como ensino fundamental 1; ela não “luta” para as mulheres serem médicas, engenharias ou advogadas, mas sim para que elas sejam “educadas de qualidade”. Pensamento esse que diz que, para ela, as mulheres devem ser não submissas ao homem, mas iguais a ele, porém, somente são bem vistas para a autora, se forem cristãs, tiverem filhos — também crítica tal pensamento — e forem casadas. O que é uma contradição, mas isso tem muito nesse livro. Ela quer educação para as mulheres para que elas pensem por si mesmas, porém, continuem cristãs, esposas e mães, até mesmo alega que ser mãe é uma das melhores coisas da vida da mulher. Além disso, ela quer que a educação seja uma educação cristã. Temendo que outro tipo de educação iria contaminar o bom espírito da mulher. Mas, além de querer uma escola cristã, Nísia critica as escolas públicas e também critica as paróquias. 

Ao criticar as escolas públicas, crítica em cinco pontos. O fato delas serem distantes das cidades e ficarem nas metrópoles. O fato das meninas terem uma grade curricular diferente da dos meninos. Que para ser um educador não precisa ser inteligente ou cristão. Que nas escolas públicas as meninas poderiam se contaminar com outras meninas ali presentes, afirmando que nem todas teriam “bom espírito ou boa moral” e assim contaminando a mocidade das meninas. Ela também, em relação à educação, prefere que as mães — se assim forem habilitadas — eduquem suas próprias filhas e filhos, mas com pensamentos cristãos. O que, na nossa visão de hoje, é quase que um absurdo, visto que as escolas servem para serem um ambiente de integração social e intelectual. Já nas críticas às paróquias, Nísia diz que a maioria dos padres se perde para as luxúrias da vida, e não tem o poder para julgar ninguém, muito menos para moralizar alguém, visto que eles mesmos não têm tal moral. Nísia também dá a entender em pontos de primeira passagem que seria contra a escravidão, entretanto, quando analisarmos melhor, veremos que ela não é contra a escravidão somente aos maus tratos aos escravos, isso é, chicote nos escravos. Nísia deixa quase que bem claro no livro que, os escravos são seres, uma raça, que não cultiva os valores morais, os valores de bem. Enquanto, por outro lado, ela elogia os indígenas a cultivarem esses valores morais e de bem e por isso, os indígenas são mais puros e mais inocentes do que os africanos. Mas os valores do bem são valores cristãos, valores que Nísia achava correto. Ela basicamente diz que os escravos são pessoas burras, iletradas, mas que só por serem burros não devem apanhar e que têm certas funções que os escravos não devem fazer, pois irão contaminar os brancos, como as amas de leite. Na época, era comum que as mulheres brancas tivessem filhos e deixassem para as mulheres escravizadas amamentarem e até criarem essas crianças, claro, na casa deles e sob a tutela delas. Ela diz que tal companhia às crianças inocentes e pura iria contaminar o espírito e o físico das crianças, o que não faz sentido hoje em dia. Reclama também que, aos filhos verem os pais chicoteando os escravos, farão o mesmo e será um ciclo sem fim e ela acerta nisso. Reclama que as filhas, ao ver a mãe deixando os seus irmãos mais novos para as escravas cuidarem, farão o mesmo quando casarem e isso é um absurdo. Nísia defende que mulheres ricas, aquelas que não fazem nada, nem trabalham, nem estudam, devem trabalhar. Mas o trabalho não é braçal e sim, com afazeres domésticos e maternos — que ficavam aos cuidados dos escravos. Diz isso, pois os escravos, em sua mente, iriam contaminar eles se ficassem com as crianças, então prefere que as mulheres brancas façam isso. Além disso, ela elogia mulheres que têm cinco filhos ou mais e criam eles, educam os seus filhos, limpam a casa, fazem a comida e ainda têm tempo para auxiliar o marido no comércio e serem uma boa esposa. Isso é uma sobrecarga total da mulher, mas é claro que nessa época não se via dessa maneira. Retornando para os indígenas, a autora critica a perseguição aos indígenas e não porque isso é “ruim”, mas porque eles são “melhores que muitos” por seguirem os valores morais e parecem muito com os valores cristãos. Ela elogia as mulheres por serem mulheres que fazem tudo, que são fiéis ao marido, ajudam-no ele, lavam a roupa, cuidam dos filhos, caçam, fazem tudo que é necessário. Isso para Nísia é uma boa moral da mulher indígena, entretanto, Nísia em nenhum momento solicita por direitos dos indígenas. Ela diz, basicamente, para deixarem os indígenas em paz em suas terras. Claro que na época não se falava sobre condições de vida, mas é bom se atentar que, embora ela faça comentários que parecem muito ao que é hoje, ela não pensava assim. Ela não queria uma mulher que trabalhasse por si só. Uma mulher deveria se casar, mas por escolha própria e não da família, mas a mulher não podia ficar solteira. Uma mulher deveria ser mãe e ter cuidados como mãe e afazeres domésticos como esposa, e ser uma boa esposa. Ela não lutava pelo direito da mulher como é o feminismo de hoje, foi diferente. 

Ela não gostava que os escravos fossem chicoteados, mas também não queria conviver perto dos escravos e não acha que deveriam ser livres. Ela não gostava que os indígenas fossem caçados, mas também não queria que os indígenas andassem pelas ruas como pessoas normais. Ela queria escolas públicas, mas escolas cristãs. Ela era cristã, mas não gostava das paróquias e criticava os padres por serem imorais. Ela queria escolas públicas, mas preferia as particulares. Ela queria a educação das mulheres, mas somente o ensino primário, para assim serem melhores esposas e terem uma moral melhor. Ela queria escolas públicas, mas criticava a presença de pessoas “imorais” nas escolas e que isso iria contaminar as “garotas morais”.

O livro deixa bem claro a posição da autora. Para a época, foi algo chocante, entretanto hoje em dia não é como Nísia queria. Caso ela soubesse o que o Brasil virou, estaria muito decepcionada, dizendo que mulheres não servem para serem médicas e que não podem ser solteiras por escolha, que devem se casar. Diria que os africanos devem voltar para as suas terras. Diria que eles estão contaminando o Brasil e é por isso que não vamos para frente. Usaria fatos como a favela ser composta majoritariamente por afrodescendentes, que os crimes são majoritariamente cometidos por afrodescendentes, usaria tais fatos para comprovar que eles estão contaminando o Brasil. Não iria querer que eles morressem, mas iria querer que eles fossem embora. Diria também que existem aqueles afrodescendentes que são bons, que são inteligentes e que eles precisam de ensino e de vontade. Elogiaria eles, mas a grande maioria não. O livro é difícil de ler, mas é legal entender uma perspectiva diferente de uma época diferente. Quando fui ler o livro, comecei achando que ele seria um conjunto perfeito, super feminista, como nos conhecemos hoje em dia, super abolicionista, como conhecemos hoje em dia, mas não. Ela é sim muito evoluída para a sua época, entretanto vale sempre nos lembrar que nessa mesma época tivemos Machado de Assis, que tem muitos pontos totalmente corretos para a época. O livro é mediano, não me agradou. E é muito pessoal da autora. Distorce muitas coisas para tornar o que ela quer, como o fato das amas africanas contaminarem os bebês brancos. Isso não é verdade e ela sabe que isso não é verdade, mas ela tinha um pensamento racista e isso é muito óbvio. Não leria se não fosse uma leitura obrigatória.
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