3.5 ⭐
«Segredos de família», Pedro Boucherie Mendes
Poderia resumir a minha experiência de leitura com uma expressão: mixed feelings.
A primeira parte foi, para mim, demasiado lenta e vazia – senti que não estava a sair do mesmo sítio por não existir grande desenvolvimento da investigação policial propriamente dita. Apesar disso, as personagens eram intrigantes e deixaram-me com vontade de conhecer as suas histórias (secundárias) dentro da narrativa principal.
Uma característica perceptível desde cedo foi o tom mais filosófico e diria até quase didático do livro, pois contém inúmeras referências a acontecimentos da História, sobretudo envolvendo Portugal, o que, por vezes, fez parecer que se tratava de uma aula e não de um thriller. Claro que isso revela pesquisa ou um elevado grau de cultura geral do autor, que tem todo o mérito por esse motivo, mas acaba por divagar sobre aspetos que não são assim tão decisivos para o desenlace do livro – o que me leva a considerar que este poderia ser mais pequeno.
Outra característica que quero referir é a portugalidade presente ao longo de toda a obra – acredito que quem já leu entende. O pano de fundo alterna entre a Beira e Lisboa, fornecendo o pretexto ideal para se explorar os contrastes regionais, bem como o comportamento e o modo de vida dos portugueses, incluindo as suas tradições, clima e gastronomia.
Na segunda parte, o ritmo e a ação melhoraram consideravelmente. Contudo, torci o nariz a alguns diálogos pouco naturais e a um pseudo-romance, a meu ver forçado e repentino, que surgiu entretanto. A minha teoria inicial sobre quem seria o culpado foi confirmada, embora não nos moldes que eu supunha. O final poderia ser abreviado, uma vez que as últimas páginas foram sobretudo enrolação e alongaram-se mais do que seria necessário.
Em suma, foi um thriller diferente do que eu esperava, para o bem e para o mal. Não achei extraordinário, mas, no geral, gostei.