Os contos "O povoado vizinho", "Um relato e uma academia", "O novo advogado", "Diante da lei", "Na galeria", "Chacais e árabes", "Um sonho" e "O fatricídio" constam da colêtanea Um médico rural (1920); "O caminho para casa", " O passageiro" e "Desejo de se tornar índio" foram publicados na coletânea Contemplação, de 1912. "Um artista da fome" foi publicado em 1922 na revista Die Neue Rundschau. Os contos "O timoneiro", "A partida", "Volta ao lar", "O silêncio das sereias", "Poseidon", "o abutre", "Desista!" e "Pequena fábula" foram escritos entre 1917 e 1922 e publicados postumamente por Max Brod.
Franz Kafka was a German-speaking writer from Prague whose work became one of the foundations of modern literature, even though he published only a small part of his writing during his lifetime. Born into a middle-class Jewish family in Prague, then part of the Austro-Hungarian Empire, Kafka grew up amid German, Czech, and Jewish cultural influences that shaped his sense of displacement and linguistic precision. His difficult relationship with his authoritarian father left a lasting mark, fostering feelings of guilt, anxiety, and inadequacy that became central themes in his fiction and personal writings. Kafka studied law at the German University in Prague, earning a doctorate in 1906. He chose law for practical reasons rather than personal inclination, a compromise that troubled him throughout his life. After university, he worked for several insurance institutions, most notably the Workers Accident Insurance Institute for the Kingdom of Bohemia. His duties included assessing industrial accidents and drafting legal reports, work he carried out competently and responsibly. Nevertheless, Kafka regarded his professional life as an obstacle to his true vocation, and most of his writing was done at night or during periods of illness and leave. Kafka began publishing short prose pieces in his early adulthood, later collected in volumes such as Contemplation and A Country Doctor. These works attracted little attention at the time but already displayed the hallmarks of his mature style, including precise language, emotional restraint, and the application of calm logic to deeply unsettling situations. His major novels The Trial, The Castle, and Amerika were left unfinished and unpublished during his lifetime. They depict protagonists trapped within opaque systems of authority, facing accusations, rules, or hierarchies that remain unexplained and unreachable. Themes of alienation, guilt, bureaucracy, law, and punishment run throughout Kafka’s work. His characters often respond to absurd or terrifying circumstances with obedience or resignation, reflecting his own conflicted relationship with authority and obligation. Kafka’s prose avoids overt symbolism, yet his narratives function as powerful metaphors through structure, repetition, and tone. Ordinary environments gradually become nightmarish without losing their internal coherence. Kafka’s personal life was marked by emotional conflict, chronic self-doubt, and recurring illness. He formed intense but troubled romantic relationships, including engagements that he repeatedly broke off, fearing that marriage would interfere with his writing. His extensive correspondence and diaries reveal a relentless self-critic, deeply concerned with morality, spirituality, and the demands of artistic integrity. In his later years, Kafka’s health deteriorated due to tuberculosis, forcing him to withdraw from work and spend long periods in sanatoriums. Despite his illness, he continued writing when possible. He died young, leaving behind a large body of unpublished manuscripts. Before his death, he instructed his close friend Max Brod to destroy all of his remaining work. Brod ignored this request and instead edited and published Kafka’s novels, stories, and diaries, ensuring his posthumous reputation. The publication of Kafka’s work after his death established him as one of the most influential writers of the twentieth century. The term Kafkaesque entered common usage to describe situations marked by oppressive bureaucracy, absurd logic, and existential anxiety. His writing has been interpreted through existential, religious, psychological, and political perspectives, though Kafka himself resisted definitive meanings. His enduring power lies in his ability to articulate modern anxiety with clarity and restraint.
"Comparo meu passado com meu futuro, mas vejo ambos extraordinários, impossível preferir um ao outro, e apenas a injustiça da providência, que a mim tanto deu, posso repreender'.
Coletânea impecável, uma delícia revisitar Kafka, no extraordinário do cotidiano. Cada conto era um mergulho nas angústias mais humanas, nas belezas do que torna a literatura essa arte tão maravilhosa. O posfácio do tradutor é outra pedrada também, inclusive.
O escritor, nascido no território hoje pertencente à República Tcheca mas de educação e fala alemã, Franz Kafka (1883/1924) é considerado um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos. Dono de uma prosa fluida e ao mesmo tempo rica em construções literárias em que os personagens são tragados por situações insólitas sobre as quais não tinham nenhum controle, o escritor, que morreu precocemente em função de tuberculose, tornou-se uma das poucas pessoas em toda a história a inspirar a criação de um adjetivo; no caso “kafkiano” que remete a situações surreais, labirínticas e insólitas, como as que estão presentes em sua obra. Atormentado, perfeccionista e “seu maior crítico”, Kafka, defendem seus biógrafos, chegou a destruir algo em torno de 90% de sua obra e muito do que sobrou ele não terminou. Mesmo assim Kafka viveu e produziu o suficiente para deixar obras icônicas como os poderosos romances “O processo” e “O castelo” e a breve novela “A metamorfose”. Este breve e bem editado livro traz uma coletânea muito interessante da prosa curta produzida por Franz Kafka. Seus contos, assim como suas narrativas mais longas, trazem profundas reflexões de natureza psicológica e muitas vezes atormentadas considerações acerca de questões existenciais em que a perplexidade e uma significativa desesperança prevalecem enquanto elementos narrativos. Todos os vinte contos são muito interessantes mas ouso destacar “Um relato a uma academia” (quase uma fábula em que um narrador símio mostra, narra, na verdade, idiossincrasias da própria natureza humana), “O artista da fome” (verdadeiro ensaio sobre a crueldade humana), “O novo advogado” ( em que um “ressuscitado” , o cavalo de Alexandre, Bucéfalo, agora vertido em advogado, reflete sobre o caminhar da história) e “Desista” e “O caminho para casa” (breves mas contundentes e labirínticos ensaios sobre a desesperança). Os organizadores da coletânea, participantes do corpo técnico do clube de leitura TAG, no posfácio afirmaram, acerca dos contos de Kafka presentes neste livro, o seguinte:
“A narrativa-coletânea trabalha com textos de diferentes momentos da curta trajetória literária de Kafka. À medida que se torna possível reunir esses textos em uma sequência lógica que não trabalha com critérios de datação, é interessante observar como o percurso do autor coincide – para além de sua aflita vida ideológica e afetiva, que não raro é convocada ao entendimento de sua literatura – com o adensamento de um determinado conjunto de questionamentos. Trata-se de uma busca incessante pelo humano, não por mera veleidade espiritualista-humanista, mas por se tratar de conceito e arbítrio, de ponto nevrálgico de inclusão e exclusão de corpos a partir de instrumentos – a força, a violência, o poder – em nada próximos da racionalidade, da ciência e do progresso que se estendiam e se estendem (em nossos tempos de desavergonhada barbárie, com menos veemência) como basilares à vida da espécie”.
Ótima oportunidade para conhecer e, ou para se aprofundar na obra de um dos grandes e mais polêmicos escritores de todos os tempos mesmo que, ao final da leitura, prevaleça, amiúde, um quê de incompreensão e certa perplexidade que requer, não raro, releituras, reflexões e discussões acerca do caráter por demais “kafkiano” das breves narrativas.
#FranzKafka é conhecido por sua abordagem existencialista e por suas narrativas que exploram a alienação, o absurdo e a burocracia opressiva. No entanto, essa coletânea de 20 contos “#UmaTravessiaPorPerturbações” não foi tão envolvente quanto A Metamorfose, único livro do autor que eu havia lido até então.
Para quem já teve contato com a escrita de Kafka, este é um livro interessante para conhecer um pouco mais do amplo leque de metáforas do autor. Para quem nunca leu nada dele, pode ser uma primeira impressão negativa: as narrativas são muito curtas, incompletas e truncadas.
Os contos exigiram uma leitura atenta e interpretativa. Em alguns deles, procurei textos complementares para ver se alguém havia encontrado um sentido que eu não conseguia enxergar, se alguém tinha conseguido preencher os espaços deixados pelo autor.
Apesar da dificuldade em me conectar com a maioria dos textos, o que mais se destacou foi O Artista da Fome, que já conhecia pela fama e que me proporcionou conversas interessantes sobre nossa busca por reconhecimento e a sede por espetáculos de sacrifício. O artista da fome leva com tranquilidade seu jejum, e, no final, descobrimos o irônico porquê.
No geral, considero que essa coletânea seja mais adequada para leitores que apreciam narrativas não convencionais. Esta edição, cheia de ilustrações do próprio Kafka, veio como um extra para os associados da @taglivros em comemoração aos 10 anos do clube — encontrei em uma dessas garimpadas no sebo.
PS: Descobri que Kafka se formou em Direito em Praga, em 1906, fazendo, assim, a vontade de seu pai; trabalhando depois em companhias de seguro e, em paralelo, com literatura.
Kafka sabe escrever e desenvolver ideias que estão presas no Id interno do ser humano de maneira absurdamente cruas de certa maneira, cruel. Fazendo recortes na nossa ideia de lógica e seguimento simples de início, meio e fim, o húngaro brinca igual a uma criança no parquinho com as nossas preocupações, aflições e traumas do cotidiano. Não mostra pendências com os leitores e só desenvolve aquilo que descida desenvolver e não o que geraria desenvolvimento concreto. Vale a pena se você é fa dos autor, pessoas sem o hábito da leitura kafkiana podem acabar não gostando pela falta do efeito linear que procurarmos ao ler qualquer livro. Meu autor favorito, o cara é INSANO demais quando toca na psique humana ou até no cotianos da vida.
queria um livro curto pra ler antes de terminar o mês e me deparei com esse na estante. essa foi a minha primeira experiência com o Kafka, ainda não cheguei a ler A Metamorfose, mas acredito que seja muito bom. essa coletânea de contos foi bem ok, não compreendi a mensagem da maioria deles rs mas alguns foram bem legais, acho que o meu favorito foi “um artista da fome”
O título traz um spoiler sobre os contos contidos no livro: perturbadores. Alguns flertam com o macabro, mas a maior parentes em si perturbações difíceis de serem explicadas é muito fáceis de serem sentidas. Agonia do começo ao fim da leitura.
Uma coletânea focada em narrativas curtas, muitas delas com a dinâmica sintética de sonhos. Sempre desconcertantes. Diante da Lei, Chacais e árabes e um relato a uma academia estão entre os favoritos. O pósfacio é interessante e ajuda a montar o quadro de contingências desse recorte específico.
Uma Travessia por Perturbações é uma coletânea com vinte contos de Franz Kafka, que foi organizada e enviada pela TAG Livros como brinde em comemoração aos 10 anos de clube.
São vários contos bizarros e confusos. Alguns me chamaram bastante a atenção, como o do macaco que se tornou humano, o artista da fome para entretenimento do público, o cara que queria entrar na lei e o porteiro impediu. O do abutre é um dos piores e mais perturbadores: o cara não consegue se livrar de um abutre que segue bicando seu pé; um outro cara tenta ajudá-lo, o abutre ouve, pega impulso, e o bica no rosto até a morte. Credo!
No prólogo, o organizador e tradutor nos explica como escolheu os contos e organizou. É uma coletânea de coisas que se conectam: o bizarro, os animais, o espaço. Em resumo, foi uma leitura apenas ok e interessante para ler Kafka pela primeira vez. Edição linda e bem elaborada!
"Apenas quando entro em meu quarto, sinto-me um pouco melancólico, porém sem que encontre, ao subir as escadas, qualquer coisa digna de melancolia. Não me ajuda muito que eu abra totalmente a janela e que ainda escute a música tocando em um jardim." (Página 101)