"La vie en close", livro póstumo do poeta Paulo Leminski, acolhe, na maior parte de suas páginas, poemas inéditos, escritos depois de "Distraídos venceremos" (1987), e não publicados em vida pelo autor, morto em junho de 1989. É uma coletânea cuja organização foi finalizada por Alice Ruiz. Entre os textos há, por exemplo, “Limites ao Léu”, poema-colagem com definições de poesia extraídas de vários poetas, escrito e publicado avulsamente, nos anos 70. Os textos, haicais e poemas de La Vie en Close mostram uma busca consciente e articulada de uma linguagem fácil (sem ser vulgar), musical e fluida.
Paulo Leminski Filho (Curitiba, August 24, 1944 – Curitiba, June 7, 1989) was a Brazilian poet and writer. He took pride in being of mixed Polish and African descent. His first small-press collection came out in the late 1970s. Although he never finished college, by the 1980s he knew Japanese, French, and English well enough to do translations. His most noted renderings are of Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, and Yukio Mishima. He also helped to produce a number of albums and was said to have taught judo. Leminski was a prolific poet, wrote experimental prose / essays, occasionally wrote songs, and was a cultural agitator. He was the leading voice of his generation, having followed different paths of Brazilian lyric from the early 1960s through the late 1980s. His style of poetry has been compared to that of American poet e. e. cummings (song writer / singer Luciana Souza on the Tom Schanbel show on KCRW 89.9 fm 06/24/2009). He contributed to the journal Invenção, while still a teen and would maintain a strong sense of visuality and layout in his poetic output. Some of Leminski's poetry of the late 1970s/early 1980s has been linked to the controversial labe of poesia marginal. But his dedication to resolution in language set him apart. His collections Caprichos & Relaxos (1983) and Distraídos venceremos (1987) are landmarks. In the latter, his rigor and intertextual urges are clear. A neo-baroque narrative, Catatau (1975), has become a cult book. His home town Curitiba has sponsored a yearly celebration of his legacy and cultural vibrancy in Brazil. The event's name Perhappiness is taken from a one-liner by the poet.
Antigamente, se morria. 1907, digamos, aquilo sim é que era morrer. Morria gente todo dia, e morria com muito prazer, já que todo mundo sabia que o Juízo, afinal, viria, e todo mundo ia renascer. Morria-se praticamente de tudo. De doença, de parto, de tosse. E ainda se morria de amor, como se amar morte fosse. Pra morrer, bastava um susto, um lenço no vento, um suspiro e pronto, lá se ia nosso defunto para a terra dos pés juntos. Dia de anos, casamento, batizado, morrer era um tipo de festa, uma das coisas da vida, como ser ou não ser convidado. O escândalo era de praxe. Mas os danos eram pequenos. Descansou. Partiu. Deus o tenha. Sempre alguém tinha uma frase que deixava aquilo mais ou menos. Tinha coisas que matavam na certa. Pepino com leite, vento encanado, praga de velha e amor mal curado. Tinha coisas que têm que morrer, tinha coisas que têm que matar. A honra, a terra e o sangue mandou muita gente praquele lugar. Que mais podia um velho fazer, nos idos de 1916, a não ser pegar pneumonia, deixar tudo para os filhos e virar fotografia? Ninguém vivia pra sempre. Afinal, a vida é um upa. Não deu pra ir mais além. Mas ninguém tem culpa. Quem mandou não ser devoto de Santo Inácio de Acapulco, Menino Jesus de Praga? O diabo anda solto. Aqui se faz, aqui se paga. Almoçou e fez a barba, tomou banho e foi no vento. Não tem o que reclamar. Agora, vamos ao testamento. Hoje, a morte está difícil. Tem recursos, tem asilos, tem remédios. Agora, a morte tem limites. E, em caso de necessidade, a ciência da eternidade inventou a criônica. Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.
desde que eu descobri que a companhia das letras disponibiliza e-books no netgalley, minha vida mudou. parece meio exagerado falar assim, mas na minha cabeça tem livros que eu sei que preciso ter na minha estante para ler, reler, anotar, emprestar, e alguns livros eu sei que posso ter só no kindle para ter aquele entretenimento na palma da minha mão e poder abrir o livro na hora que eu quiser, onde eu estiver para sentir o conforto daquelas palavras ― e ter isso de forma gratuita? apenas a melhor coisa que já existiu, então obrigada companhia das letras e netgalley.
podem me considerar bairrista quando eu falo isso, mas paulo leminski é um dos poucos autores que me fazem sentir a poesia. já falei por aqui em alguma resenha que eu não sou a maior fã de poesia, acho que é muito abstrato para mim, muito sentimento e pensamento e não necessariamente entendimento. sei que é provavelmente melhor por isso, mas enfim. paulo leminski é curitibano, assim como eu e na minha adolescência eu adorava “descobrir” alguns autores de curitiba, como dalton trevisan, adélia maria woellner, alice ruiz, helena kolody (que não nasceu em curitiba, mas sim em união da vitória, cidade onde minha mãe morou por muitos anos) e paulo leminski.
tudo isso para dizer que sim, eu gosto muito da poesia de leminski. isso só cresceu depois que comecei a namorar o meu noivo, emilio, já que ele me levou em 2016 para ver a comemoração dos 72 anos de paulo leminski feita no teatro guaíra pela orquestra sinfônica do paraná e quando ele marcou na pele um poema de leminski.
para mim, a poesia dele faz pensar na minha cidade, mesmo sem que ela esteja mencionada, então pode ser que eu esteja sendo completamente parcial na minha nota, mas la vie en close é um desses livros que volta e meia eu pego de volta, leio uma ou outra poesia e sinto um quentinho no coração. recomendo demais que todos conheçam paulo leminski.