This politically charged, haunting yet humorous meditation on theater and the revolutionary impulse tells the story of three actors, including Anton Chekhov's widow, who gather to rehearse scenes from The Cherry Orchard as Russia faces an impending revolution. A savage examination of the relationship between theater and historical context, Neva is the author's first play, which he directed for its English language premiere at the Public Theater in New York City.
Queres chorar? Anda trabalhar para uma fábrica como fazem as crianças, até os pulmões te secarem com fuligem de carvão. Mas não me venhas dizer que se sofre em cena. Porque não se sofre. Sofre-se na vida. Detesto o público, estes simplórios que se vêm entreter enquanto o mundo acaba. Vêm à procura de cultura, a suspirar. Deviam ter vergonha. Deviam entregar o dinheiro aos pobres. Há gente a morrer de fome na rua, os dentes de leite caem às crianças e não lhes nascem outros. Atores de merda, vaidosos, julgam-se artistas mas são fantasmas, nabos, bonecas, como vocês. Querem teatro? Querem chorar? Eu dou-vos o palco e as lágrimas. Vamos morrer e vão-nos esquecer. O amor vai acabar. O sol nunca mais vai nascer para ninguém. A Rússia vai acabar, e nós vamos morrer de vez. A vida foi um enorme erro. Mas por favor não continuem a falar de amor. E não falem da morte porque não a percebem. Vão para casa, ou trabalhem como toda a gente. No futuro, quando o mundo acabar, só vai haver filmes, e o ecrã vai-nos fazer chorar como galinhas, como Olgas Knipper. “Não morras, Anton, não morras, meu escritor, escreve-me umas últimas palavras...”
Queres chorar? Anda trabalhar para uma fábrica como fazem as crianças, até os pulmões te secarem com fuligem de carvão. Mas não me venhas dizer que se sofre em cena. Porque não se sofre. Sofre-se na vida. Detesto o público, estes simplórios que se vêm entreter enquanto o mundo acaba. Vêm à procura de cultura, a suspirar. Deviam ter vergonha. Deviam entregar o dinheiro aos pobres. Há gente a morrer de fome na rua, os dentes de leite caem às crianças e não lhes nascem outros. Atores de merda, vaidosos, julgam-se artistas mas são fantasmas, nabos, bonecas, como vocês. Querem teatro? Querem chorar? Eu dou-vos o palco e as lágrimas. Vamos morrer e vão-nos esquecer. O amor vai acabar. O sol nunca mais vai nascer para ninguém. A Rússia vai acabar, e nós vamos morrer de vez. A vida foi um enorme erro. Mas por favor não continuem a falar de amor. E não falem da morte porque não a percebem. Vão para casa, ou trabalhem como toda a gente. No futuro, quando o mundo acabar, só vai haver filmes, e o ecrã vai-nos fazer chorar como galinhas, como Olgas Knipper. “Não morras, Anton, não morras, meu escritor, escreve-me umas últimas palavras...”
To fully get the references, I think it’s very helpful to have read or seen some Chekhov plays or at least know a little about them. If you’re up for that, you’re in for a play that’s quite funny and then decides to punch you in the guts, spit in your face and call you a loser. It’s a bit of a ride but a damn good one I’d say.