A partir das formas de se falar sobre o amor, o psicanalista Christian Dunker apresenta em A arte de amar a história, as nuances e os desafios atuais da experiência amorosa.
O amor é o sentimento que define e molda os seres humanos; às vezes entendido como martírio, algo que deve ser evitado a qualquer custo, outras como a solução para todos os problemas. O amor move, constrói e destrói barreiras. É parte da jornada de autocompreensão e autoconhecimento que todos vivenciam no decorrer da vida.
Ao longo da leitura, Dunker apresenta os elementos que compõem a anatomia e a gramática do amor, destrinchando as nuances dos afetos, emoções e sentimentos humanos e evidenciando os desafios da experiência amorosa na sociedade do século XXI. Ele sugere que descobrir como entender e controlar desejos atravessa um conhecimento profundo de si e um entendimento do que representa a construção coletiva do que significa amar.
Baseado no curso que lecionou na Casa do Saber, em 2019, A arte de amar defende que o amor é algo que acontece entre palavras, presumindo que a escuta é uma espécie de condição elementar para todo amor possível. Além disso, aproveita para discutir o que é essa escuta e como ela é uma espécie de prática, que se aprende, se cultiva e se desenvolve, como uma fase introdutória para exercitar a verdadeira arte de amar.
É psicanalista e professor titular do departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. É analista membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. Fez seu pós-doutorado na Manchester Metropolitan University, sendo professor convidado em mais de quinze universidades internacionais. Duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti, por "Estrutura e constituição da clínica psicanalítica" (Anablume, 2012) e "Mal estar, sofrimento e sintoma" (Boitempo, 2016).
O Dunker está sempre acompanhando meu zeitgeist pessoal nos lançamentos de livros, se estou com depressão ele lança um livro sobre depressão, se estou de luto ele lança um livro sobre luto, se estou apaixonada ele lança um livro sobre o amor... Rá! O curioso é que na introdução do livro o Dunker diz mesmo que todo o livro é de autoajuda e os dele têm sido mesmo nos últimos anos pra mim, com a diferença que tem a veia intelectual e não de picaretagem. Enfim, o livro é uma delícia de ler, argumenta profundamente sobre todos os tipos de amor, sem nunca descambar para omices ou moralismos, por isso o li tão sedentamente, é a total medida entre a alta inteligência e cultura com a forma simples e didática das palavras. Recomendadíssimo.
O tipo de livro que dá vontade de recomeçar assim que você termina. Não é mais um dicionário amoroso e sim exercício filosófico sobre o amar enquanto experiência humana de jornada ética por um viver em relação.
Outra vontade que me atingiu foi o desejo de construir uma arqueologia das minhas histórias de amor. Dunker aponta a importância de reconhecermos na nossa historia a gramática de nossas maneiras de amar. Certo de que dar atenção a isso pode abrir possibilidades para novas que novas palavras se revelem. E as palavras e aquilo que se diz do amor é fundamental para reinventarmos formas mais éticas de amar.
Nao é um livro que eu compraria se não estivesse em um clube do livro, mas por puro preconceito com o título na verdade, ia achar que é autoajuda quando na verdade é puramente psicanálise, Lacan na veia. A nota não muito alta é mais pela dificuldade, não achei um livro fácil .. sem as aulas ficaria perdida. Achei interessantíssimo entender como Lacan ve o amor, o desejo, o ciúmes, etc. De como o amor é narcísico e pode acabar como sufocado. Mas o que mais ficou foi como ele pensa o desejo, como algo que dá sentido a nossa vida e existência. Interessante
Achei bem difícil. Me lembrou os livros do Bauman. Fiquei bem orgulhosa de mim mesma por ter terminado de ler, mas sinto que teria que ler de novo para tentar absorver mais coisas. Sou muito leiga em psicologia.