Cada volume desta série faz sete releituras, elaboradas por sete diferentes contistas, de um tema consagrado pela imaginação humana. O grande tema dá nome ao volume, e cada um de seus sete contos aborda um aspecto diferente do tema proposto.
Marcia Kupstas nasceu em São Paulo em 1957 é professora e escritora brasileira, descendente de ucranianos, russos e lituanos.
Formou-se em Língua Portuguesa e Literatura pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo em 1982. Em 1977 iniciou a carreira de professora de literatura em vários colégios de São Paulo. Desde adolescente escreve textos de ficção, publicando-os em suplementos literários e revistas destinadas ao público juvenil e adulto. Colaborou com revistas alternativas e para o jornal Leia. Manteve por dois anos (1987 e 1988) a seção Histórias da Turma na revista Capricho.
Seu livro de estréia para o público juvenil foi Crescer é perigoso, em 1986. É autora também de romances e contos destinados ao público adulto, como Casos de sedução (contos eróticos, 1987) e Demônio do computador (1997).
O que mais gostei do livro foi a primeira história chamada 'A casa do tio Dagoberto', de Orlando de Miranda, que foi bem gostosa e interessante de ler. A avó querendo que os taxistas de São Paulo soubessem onde ficava a casa do doutor Dagoberto, mas ele não passava de um desconhecido de todo mundo na grande cidade de São Paulo. É uma boa história para nos mostrar sobre as percepções distorcidas que criamos ou que os outros podem criar e nos incluir gerando desavenças tolas. Também gostei bastante da história 'Eu sou você' de Wagner Costa. Melhores trechos: "...Por mais que a gente possa pensar que a nossa imaginação é nossa, tão íntima e pessoal, ela é fruto de tudo isso: histórias ouvidas, filmes, livros, novelas de TV. Existe esse imaginário comum a todos os povos em todas as épocas. Quando muito, acrescenta-se um fato ou outro, mas, tantas vezes esse imaginário pertence igual por centenas de anos... Na peça de Aristófanes, as mulheres resolvem por fim a guerra de uma maneira simples e eficiente: negam-se a fazer sexo com os maridos... Mais quero asno que me carregue que cavalo que me derrube... Eu sou assim: quando estou assustado, começo a pensar besteira. Acho que é um jeito que eu tenho de relaxar um pouco... Aliás, tudo no mundo pode esperar meia hora. A gente passa a vida correndo atrás do conhecimento e da felicidade, mas na verdade ninguém tem obrigação de ser sábio nem feliz... Se você conhecer o inimigo e a si próprio, não precisará temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhecer, mas não ao inimigo, para cada vitória conseguida também sofrerá uma derrota. Se você não conhecer o inimigo nem a si próprio, sucumbirá em todas as batalhas... Uma cena é ótima: o surdo entra no quarto e pede que o cego vigie. Quer dizer: como o cego avisará da chegada de alguém? E como o surdo ouvirá o aviso, se está com a porta fechada?... Para monsieur Pouchet nada valia uma lágrima A tragédia, a agonia, a dor não passavam de ilusões ou estados de patológicos da alma... E segundo a filosofia de monsieur Pouchet, a desgraça deveria ser explorada, sempre, não só para fazer rir, mas para demonstrar que a felicidade é o destino do homem, e que ela deve prevalecer a qualquer custo..."