Preciso ser eu sempre soube que um dia isso iria acabar.
Tempos depois de sua partida, quando penso em como me senti diante da possibilidade de perdê-lo, tudo o que vejo são as vezes em que, ainda presente em minha cama, encarei seu semblante adormecido e me perguntei o que ficará depois que Pedro for embora da minha vida?
Porque eu sempre soube que me esqueceria do calor de suas mãos, da aspereza de sua pele, das tantas tatuagens espalhadas pelo corpo e seguidas pelos dedos de quem ficou para trás. Eu soube que as bocas se distanciariam, as pálpebras se fechariam, que, um dia, nossas cabeças se virariam para o outro lado ao nos esbarrarmos numa rua qualquer, como se fôssemos um acidente para o qual nunca, sob hipótese alguma, olhar.
Eu soube, eu sempre soube que, mais cedo ou mais tarde, Pedro e eu iríamos terminar. Mas isso não significa dizer que eu estava preparado.