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A mulher de dois esqueletos

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Uma mulher se aproxima dos quarenta anos e se depara com questões que definirão o seu futuro. Entre elas, um dilema haverá espaço numa só vida para se dedicar de verdade à criação de um filho e à criação artística? Neste romance híbrido, Julia Dantas constrói um jogo duplo, no qual a ideia de ter um filho interfere nas ambições artísticas de uma escritora ao mesmo tempo em que o desejo de viver da arte afeta suas possíveis ambições maternas. Entre dilemas existenciais e conflitos da vida prática, adentramos o espaço mental de uma narradora que é às vezes marcado pelo delírio e às vezes resultado de afiada lucidez.

108 pages, Kindle Edition

Published July 30, 2024

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About the author

Julia Dantas

18 books26 followers
Julia Dantas nasceu em Porto Alegre, em 1985. Formou-se em jornalismo, estudou crítica de arte em Buenos Aires, atuou como tradutora e hoje se dedica à edição de livros. Faz mestrado em escrita criativa na PUCRS, tem contos publicados em antologias e foi finalista do Prêmio Açorianos de Criação Literária com este Ruína y leveza.

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15 (7%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 27 of 27 reviews
Profile Image for Karen Eggers.
19 reviews
November 21, 2025
Um livro e uma escrita bastante única, onde em alguns capítulos me ganhou muito e em outros me perdeu um pouco. Ainda assim é um livro curto, simples e fácil de ler, me deixou muito pensativa em diversos aspectos.
Um pouco 'frustrante' no sentido de que a Julia levanta as questões certas sobre a maternidade e não traz respostas, especialmente para nós, mulheres que não sabemos se queremos ter filhos e procuramos eternamente por essas respostas. Mas é óbvio que ela não consegue responder porque ela mesma questiona até o fim, sem certezas, independente da decisão que tomou. Ela traz o assunto, expõe todos os seus pensamentos talvez da forma mais perfeita e que eu consegui me relacionar até agora. O capítulo "Quarenta" é certeiro.
Nunca tinha lido nada dela e gostei muito desse.
Profile Image for Conceição Puga.
163 reviews27 followers
January 31, 2025
“O medo de conviver com um homem (e um bebê), de se sujeitar ao domínio de um homem (e de um bebê), de domesticar (domesticar-se) e não encontrar outra saída que não a rebelião” e “O desejo de conhecer de outra forma tudo o que você já conhece porque acredita que, no mundo, pouco importa o que existe, importa apenas como se enxerga o que existe, e ter um filho é como ganhar emprestado um novo par de óculos”.
Profile Image for thaís bambozzi.
295 reviews55 followers
August 11, 2024
O livro que estava me buscando. Há espaço para ser mãe enquanto se cria ou há espaço para criar enquanto se é mãe? A autora percorre esses questionamentos, que também são meus, lista todos os meus medos - um por um -, e ainda nos prende nesse romance.
Profile Image for nádia.
89 reviews43 followers
November 20, 2024
"Puxo o ar com mais força. Com o oxigênio que consigo inspirar, vem o pensamento: preciso fugir. Como uma miragem, a fuga aparece, mas se dissipa quando expiro. Preciso ficar. A saída não é pela fuga, mas pela manutenção de territórios. Puxo mais ar. Sei o que devo fazer.
Sim, eu sei. Sinto as ameaças. Sinto uma fron-teira. Sinto que é necessário erguer muralhas.
Busco em mim.
Me investigo.
Procuro pelas pedras."


Há muito tempo não queria que um livro não acabasse. Tentei enrolar o máximo, mas ele é curtinho e a escrita é muito boa, então li bem rapidinho. Muito sobre os dilemas de ser ou não ser mãe, se há espaço para esses dois esqueletos - mãe e escritora - em uma pessoa só. Também sobre o lugar de quem escreve. E sobre muitas outras coisas, pra ser sincera. Quero ler tudo da Julia Dantas.
Profile Image for Natalia Alves.
56 reviews
January 7, 2025
O livro narra bem o conflito vivenciado por algumas mulheres quando o assunto é ter ou não filhos. Há partes comoventes, com frases/medos muito reais, facilmente reconhecidos na realidade de quem pensa em ter filhos ou de quem acabou de tê-los.
Profile Image for Janaína Steiger.
19 reviews
January 8, 2025
Livro de leitura fluida, mas ao mesmo tempo densa em conteúdo psicológico, passando por temáticas contemporâneas como as maternidades e o realismo capitalista, com tom cômico e um formato que instiga a ler. Como a própria narradora nos diz - bastante psicanalítica! - "a falta é a origem do desejo"; assim, cada capítulo, bem como o final, dosa bem o quanto nos entrega - ou não.
Profile Image for Carlos.
Author 15 books43 followers
March 9, 2026
UM ROMANCE DE MUITOS ESQUELETOS

Eu já havia lido e gostado de Ruína y leveza (Dublinense), livro de estreia de Julia Dantas. Não li o segundo, Ela se chama Rodolfo (DBA). Por quê? Nada específico, o livro foi lançado em 2022, época em que, ainda com os rescaldos da pandemia, eu raramente saía para além do trabalho e havia parado de frequentar livrarias. Também pelo fato de eu não ser mais resenhista em grande veículo, a editora não me mandou um exemplar de divulgação.

Também não havia lido ainda A mulher de dois esqueletos , terceiro romance da autora, e resolvi corrigir essa lacuna depois que a obra venceu o Prêmio Minuano 2025 no último dia da Feira do Livro. Por sorte, o anúncio foi feito ainda em tempo de eu comprar um exemplar antes que a banca da Dublinense fechasse. Comecei a ler ali mesmo em novembro, cheguei quase até o final e empaquei faltando o que seria o equivalente a dois capítulos. Concluí agora, e explicarei meu travamento na sequência.

A mulher de dois esqueletos é um romance estruturado em 10 capítulos. Começa com uma tensa narrativa sobre uma jovem brasileira que se embrenha em uma caravana na selva em uma viagem que, passando pelo Panamá e Costa Rica, tem como objetivo a entrada ilegal nos Estados Unidos – onde vive, em Chicago, um flerte de verão pelo qual a jovem protagonista se apaixonou e atrás de quem decidiu embarcar na aventura, mesmo sem passaporte ou documentação. No meio do trajeto, o grupo tem a viagem interrompida pela eclosão da pandemia de Covid. A animosidade do acampamento de refugiados improvisado e dos habitantes de um povoado próximo escala até uma tragédia irromper durante um inesperado apagão, muito em parte por culpa da narradora. Fui lendo essa parte e gostando, mas achando que já tinha visto Julia fazer parecido em seu primeiro romance, também sobre uma mulher em uma viagem impulsiva. Aí começa o segundo capítulo e descobrimos que a “mulher de dois esqueletos” não era a adolescente protagonista, mas a escritora autora da história, uma mulher que relata em primeira pessoa os conflitos do mundo extraliterário e seus feitos em seu trabalho: a pandemia está a pleno, ela está vivendo em um apartamento apertado com um namorado meio babaca e folgado que simplesmente se instalou lá de mala e cuia para passar o lockdown. Ela ganha a vida como tradutora, ele é professor de Ensino Fundamental. Ambos vão precisar trabalhar de casa no mesmo apartamento e os problemas de convivência se avolumam:

“Na primeira semana, tivemos que fazer ajustes. A mim parecia que a bateria do notebook dele durava menos do que a minha e que isso expandia seu tempo na mesa. Ao namorado parecia exatamente o contrário. Então sugeri que definíssemos horários marcados para a troca e colocássemos uma extensão da tomada até a poltrona para que os notebooks ficassem sempre conectados na energia elétrica. Comecei a sentir dores na lombar. Ele começou a reclamar que não conseguia preparar slides de aulas sem o apoio para o mouse. Então ele se queixava, eu me queixava, e no meio da semana nenhum dos dois tinha conseguido trabalhar direito”.

De novo, como a segurança de Julia Dantas no manejo da narração é admirável, somos outra vez arrebatados pela nova narrativa. Aí o capítulo termina. Voltamos ao cenário da primeira história, mas desta vez narrada pelo ponto de vista de uma das companheiras mais velhas de jornada na travessia da protagonista anterior. O capítulo termina, e agora a protagonista, incerta sobre seu objetivo de ser mãe, constrói uma boneca bizarra de papel amassado e anda por toda parte com a “filha experimental” para entender o que a maternidade exigiria dela. Um exercício que, embora renda algumas situações bem-humoradas, não terá nada de semelhante à experiência real quando ela finalmente tiver um filho, o que veremos em outro dos capítulos finais.

Bom, então talvez o romance seja uma alternância entre a história fictícia e a da narradora, você pensa, mas não, no quinto parágrafo, a narração permanece na escritora, numa lista muito arguta dos medos que passam pela cabeça de uma mulher com dúvidas entre o desejo de ser mãe e o que isso acarretaria para sua carreira e sua vida como planejadas até ali. Nesse meio tempo, aliás, provavelmente o companheiro com o qual ela quer ter filhos não é mais o babaca do segundo capítulo, mas apenas uma menção muito sutil no terceiro capítulo pode levar o leitor a concluir isso – além, é claro, do fato de que o homem descrito nesta parte é completamente outra pessoa em comparação com o esquerdomacho inseguro do início.

É aí que finalmente fica clara a forma do livro. Se sua protagonista se imagina com dois esqueletos, a narrativa terá muitas espinhas dorsais que sustentam não uma linha coesa, mas um mapa mental rico e diverso da sua protagonista, suas dúvidas, suas relações com familiares, amigos, com o trabalho, suas aspirações e sonhos (morar no Uruguai, pular Carnaval, fazer parte da família Ramil). Como eu disse, a cada nova formulação narrativa, Julia arrasta o leitor com ela devido à qualidade de sua prosa, ao ponto de o livro talvez ser vítima de algumas de suas melhores qualidades. A colagem de A mulher de dois esqueletos está muito longe de ser tão experimental e exigente quanto a de um James Joyce, mas como a prosa de Julia consegue agarrar o leitor tanto pelos sentidos quanto pelo intelecto – eu, ao menos, cheguei quase no fim e a narrativa deu lugar a um novo conto da narradora, uma fantasia distópica. Essa nova quebra, depois de termos acompanhado com alguma consistência a psique e as dúvidas e o cotidiano interessante da protagonista meio que me cansou e larguei a leitura, para só retomar agora em fevereiro.

Nessa retomada, até gostei do conto apocalíptico, pelo tanto que ele tem de pouco apocalíptico de fato, apenas uma sociedade hiperconectada e hipertecnológica sendo gradativamente asfixiada sem se dar conta disso. E ao fim da leitura, o saldo foi positivo – embora uma brincadeira metalinguística no fim tenha me soado estranha, porque basicamente implica que a narradora era a escritora Julia o tempo todo. De todo modo, quanto mais me distancio da leitura, mais fico com as divagações e angústias da protagonista, enquanto seus contos incluídos no livro são uma memória mais difusa. Bom, esse mapa mental desordenado era o centro da narrativa, então, objetivo cumprido.
Profile Image for cardon.
23 reviews
November 24, 2024
um livro humano, cheio de questões fundamentais para uma mulher. a leitura do meu domingo me trouxe um caminhão de questionamentos e doçura.
Profile Image for Jônathas Souza.
52 reviews1 follower
January 10, 2026
Eu sempre fico me perguntando o que me faz dar cinco estrelas pra um livro. Logicamente existe um componente subjetivo no processo; levar em consideração não só questões técnicas mas especialmente o impacto da obra de arte na vida e no momento em que se vive.

Esse livro é cinco estrelas pra mim. A tensão de se ver pai E alguma coisa a mais, por mais que não tenha a mesma dimensão e profundidade esperados e sentidos pelas mulheres-mães, é real. Se sentir inútil porque se vê abrindo mão de um ou de outro é desesperador. Se sentir não-preparado, inútil, se ver fazendo mal o mínimo serviço que nos é entregue.

Queremos ser reconhecidos por cada coisa que fazemos. Mas filhos não são coisas que fazemos. Pode até parecer, no meio dos afazeres, contas, responsabilidades e decisões, que o futuro dessas crianças dependa totalmente de mim. Se vão saber falar inglês, se vão ser educadas, se vão saber se achar quando perdidas no shopping, se vão saber amar.

Mas eu me apego à Escritura que diz que filhos são naḥălâ, herança. Não um projeto, não um sonho ou realização. Nahala. Algo dado, presenteado. Nesse mesmo salmo, aprendemos que nossa casa, nossa vida, a nossa cidade, tudo isso é dependente de um Deus que edifica e protege. Só me sobra entender e cultivar essa herança, com fidelidade e sabedoria. Em meio ao caos de um futuro incerto, aprender a confiar, imaginar e construir um tempo melhor para nossos filhos e filhas.

Um livro fantástico que nos faz reconhecer nossa fraqueza e demonstrar nossos medos mas, ao mesmo tempo, desejar. Desejar que tudo fique bem. Afinal de contas, "a crise de imaginação é seletiva: só não consegue imaginar boas saídas. Para o fim da humanidade, abundam propostas." (p. 121) Vamos imaginar (e confiar) juntos?
Profile Image for Gabriela.
58 reviews
February 27, 2025
Gostei muito da metalinguagem utilizada pela autora.

Começamos o livro em um ano de pandemia, com uma escritora tentando dar conta do que está dentro e do que está fora dela. Com alguns saltos temporais, a Julia Dantas mescla a produção textual da personagem com a dela enquanto a gente reflete sobre escolhas, escrita, vida, maternidade, política, economia, família e criação. E os contos que servem de passagem entre um momento e outro na vida da personagem fazem tanto sentido dentro do livro. Foi uma amarração tão bem feitinha, que só deixou o livro mais rico.

É curtinho e rápido de ler, mas ainda traz uma camada interessante que dá pra levar pra vida.
Profile Image for Raphael Santos.
Author 11 books4 followers
November 13, 2025
Para um leitor apaixonado pela Julia Dantas, devo dizer que este livro foi decepcionante. Infelizmente. O tema é interessante, o medo da maternidade, o medo de tantas pequenas e grandes coisas, o universo feminino, tantas questões importantes e diálogos bem construídos com o leitor. Todavia, parece uma colcha de retalhos. A história vai para todos os lados e parece não conseguir se sustentar em sua própria premissa. Senti um "desespero" para escrever, como se fosse necessário encerrar de uma vez este enredo, depois, desfazer e seguir para o próximo livro. Não é um livro ruim, mas não parece algo que a Júlia escreveria com paixão.
Profile Image for gab.
37 reviews
August 24, 2025
nessa busca incessante de alguém que justifique o que eu penso e quero escrever, me deparei com esse aqui de uma conterrânea e gostei bastante. obras que são metalinguísticas normalmente já tem meu coração e, nesse caso, fui ainda mais fisgada pela amarração que a autora fez, com cada temática se entrelaçando. a quebra do fluxo retilíneo só agregou nisso, inclusive.
Profile Image for Robertha.
12 reviews
October 17, 2025
Primeiro livro que leio da autora e que grata surpresa. Esse livro aborda tantas camadas (de maternidade, paternidade, feminilidade, relações familiares) e nos leva a uma "distopia" cheia de elementos reais. Ao mesmo tempo que te deixa pensativa traz humor em muitos momentos. Além do mais a autora é gaúcha. Recomendo muito para quem quer ter uma experiência diferente de leitura.
Profile Image for bepo.
8 reviews
November 21, 2024
num gostei muito. não vou elaborar porque tô com preguiça. preguiça de fazer a crítica. preguiça de esperar que entendam que isso é uma crítica ao jeito que é escrito. preguiça de tudo, e ao mesmo tempo, preguiça de fazer outra frase.
Profile Image for Elisa.
82 reviews
April 3, 2026
Gostei muito desse livro, que me surpreendeu positivamente com seu senso de humor. Tocou-me pessoalmente ver escritos todos os meus temores sobre a maternidade no capítulo "Quarenta" e também o desfecho construído de uma forma tão bonita.
Profile Image for Andre Aguiar.
506 reviews135 followers
Read
August 25, 2024
aprender a construir uma jangada usando os parcos recursos de uma escritora, a dúvida a respeito de se um lápis serve de boia salva-vidas.
Profile Image for Jonathan Mendonça.
50 reviews
November 5, 2024
Além da bela escrita, um formato de fluxo de pensamentos muito peculiar e que torna tudo mais impactante.
Profile Image for Sofi queleocuandoleo.arg.
751 reviews9 followers
January 7, 2025
Audiolibro: empezó encantándome y después sentí que era una reflexión que no profundizaba. Está bien, no me pareció genial.
Profile Image for Dani Mendonca.
510 reviews
November 10, 2025
o que eu mais amei nesse livro é que ele tem personalidade, e isso prende muito a atenção de quem tá lendo
Profile Image for Giovanna.
79 reviews1 follower
May 15, 2026
alguns trechos me pegaram como uma mulher que sempre quis ser mãe. outros acho que só vou entender melhor depois dos 30 (ou depois do meu primeiro filho, o que vier primeiro)
Profile Image for Sabrina Munhoz.
22 reviews
October 29, 2025
É um livro curto onde a autora aborda questões, alegrias e desafios que só uma mulher reconhece e, em algum momento, sabe que terá de viver.

Por outro lado, senti que o livro foi pra diversos cenários ao mesmo tempo e essa multiplicidade, embora rica, me deixou um pouco confusa em alguns trechos.

Ainda assim, é uma leitura que vale pela escrita potente e pelas reflexões que provoca.
Profile Image for Gautherot Marie.
40 reviews3 followers
December 28, 2025
Esse foi o primeiro livro que eu li no ano e não me lembro de muita coisa mas vou deixar minhas 4 estrelas porque aparentemente eu gostei. Rs
4 reviews
February 13, 2026
(3.5)

‘a constatação de que as minhas ambições literárias vão minguando na mesma velocidade que murcham os meus óvulos’
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