Amanhã tardará, estreia do autor Pedro Jucá no gênero, é um romance de formação sobre as nuances e complexidades das relações familiares, da potência inesgotável do trauma e, acima de tudo, das inapagáveis marcas da infância sobre a concepção do desejo, da sexualidade e da própria passagem do tempo.
Com o pai à iminência da morte, é para a sua casa de infância que Marcelo se vê obrigado a retornar – trajeto árduo que, como numa peregrinação, precisa terminar a pé. Quando chega à fria e remota Ourives, no entanto, ele descobre que sua vila natal é tão pouco convidativa quanto sua história familiar Inês, sua irmã, o recebe com um gesto de violência e de medo, forçando-o a navegar pelo contrafluxo da memória na tentativa de revisitar as razões que levaram ao rompimento de sua relação.
"Pedro é um escritor talentoso, dedicado e comprometido com a literatura – quer seja como um leitor voraz, quer seja como o autor devotado e de ampla bagagem cultural que é. Com um vocabulário riquíssimo, parte de seu léxico familiar, ele tem muito a enriquecer a literatura brasileira contemporânea." — FABIANE SECCHES
"Amanhã tardará é brutal, como é brutal o desejo, na mesma medida que é belíssimo, como é belo o instante exato em que uma criança bambeia e dança os primeiros passos amparados pelos olhares atentos da família. É terno, e talvez seja essa a assinatura do autor. É tenso, porque o desejo pressupõe que o sangue bombeie certas zonas, é universal porque é sobre crescer." — JEOVANNA VIEIRA
Amanhã tardará, de Pedro Jucá Em seu romance de estreia, o jovem autor brasileiro nos apresenta uma história forte sobre traumas, relações familiares e sexualidade. E tudo isso a partir de um retorno, da busca às origens: Marcelo, o protagonista, volta a sua cidade natal por conta da doença que acomete seu pai e se depara com resquícios - extremamente doloridos - de um passado conturbado.
Ao leitor, no entanto, a revelação vai se dando aos poucos. O protagonista se apega as suas primeiras memórias para construir os caminhos de sua infância e adolescência. Aos poucos, os demais integrantes da família são apresentados e toda a complexidade que sustenta a tensão dessas relações vai ficando mais clara para o leitor.
Um dos vínculos mais interessantes é o existnwte entre Marcelo e de sua irmã, Inês. O contraste entre o passado e o presente despertam a curiosidade no leitor sobre os motivos que teriam levado a uma mudança tão drástica no afeto e senso de proteção que era nutrido entre os irmãos. A questão da descoberta da sexualidade também foi abordada de forma muito interessante pelo autor, que por compartilhar a vivência de um homem gay, consegui transportar para o texto as angústias que conectam tantas histórias.
Apesar de bem fluida, a escrita tem uma intenção poética - às vezes passando a sensação de uma grande preocupação em escolher palavras certas e construir frases que pudessem transmitir esse tom. Terminei a leitura bem impactado, até por tratar de um tema comum a todos, ainda que com as devidas particularidades de cada um: a família. Mais uma obra que mostra a qualidade da literatura contemporânea que vem sendo produzida pela nova geração de escritores.
Nota 8,5/10
Tem episódio com o Pedro Jucá no @dariaumlivropodcast ðŸ˜. Disponível no Spotify e no YouTube.
Verdade seja dita, não estava preparada para esse livro, encarei ele sem ler sinopse ou resenha, fui pela capa, pela disponibilidade no Kindle Unlimited e pela nota alta.
Tive uma dificuldade ali pelos primeiros capítulos, principalmente pela forma que o autor escolheu escrever a narração em primeira pessoa do protagonista no tempo presente, sendo bem sincera uma escolha não muito boa, na minha opinião, falta uma certa verossimilhança em como uma pessoa falaria/pensaria de verdade e também tem um certo engessamento nessas falas/pensamentos que tiraram muito o meu foco da leitura. Só exemplificando, uma das frases que eu marquei incomodada com isso foi “Não acreditei que a Mima ainda estivesse viva” (ele tinha acabado de ver a gata pela primeira vez desde que chegou, para contextualizar), a continuação dessa frase também me incomoda, mas acho que em um nível bem menor, o ponto é: quem pensa desse jeito? Por que escolher falar “não acreditei” quando tem tantas outras formas melhores de mostrar que o personagem se surpreendeu nesse contexto? Tipo? Eu lembro de ter relido essa frase umas três vezes, desacreditada, mas, no geral, você se acostuma eventualmente com isso e às vezes essas partes mais mal escritas se escondem nas belas construções de frases que o autor escolhe fazer que são bem floreadas com umas palavras que ninguém usa, pelo menos aqui em SP capital, mas eu levo como licença poética do autor e perdoo porque claramente o personagem é um grande nerd das letras, então, é compreensível, nesse contexto, que um cara de uns vinte e tantos fale “à exceção do quarto onde >inferi< estar meu pai”, “passamos a tratar com >virulência< quem quer que nos ofereça ajuda”, “Os ecos das brigas >homéricas< entre minha avó e minha tia >retumbam< ainda hoje em mim” ou “Não teve formação ou experiência de trabalho que a >alforriasse< dos pais” — nesse último caso eu até gosto, acho que acaba fazendo uma relação interessante entre a personagem e o passado brasileiro —, apesar disso tudo, confesso que lá no início eu me senti ouvindo a Tata Werneck declamando um poema. Quero deixar claro que não é um defeito essas frases cheias de palavras inutilizadas por 90% dos brasileiros em um contexto social, eu acho até interessante observar a construção de muitas delas, só acho que por vezes é um pouco excessivo.
Agora, falando da história em si, porra, preferia ter levado um tiro. A gente vai acompanhando o crescimento de vida do protagonista e todos os eventos de formação e como tudo isso se entrelaça de uma maneira fenomenal no final. Dá para observar bem como o autor pensou nos mínimos detalhes tudo que ele estava construindo, t-u-d-o. Juro, eu terminei a leitura e fiquei refletindo sobre esse livro durante uns dois dias e foi um processo tão fantástico, perceber que tudo que a gente lê nesse livro vai se entrelaçando e formando uma tapeçaria dentro da nossa cabeça, sabe? É fantástico, sério mesmo.
sendo drama familiar um dos temas mais presentes na literatura nacional, é difícil que mais um livro que se encaixe nesse padrão não vá repetir alguns clichês, mas até que Amanhã Tardará consegue apresentar elementos interessantes, dentre os quais o que mais me impressionou foi a relação entre tio e sobrinhos.
um problema pessoal que tenho com esse gênero é dificilmente saio completamente satisfeito porque é comum que o livro circule por (quase) todos os personagens, o que eventualmente me faz pensar que preferia estar lendo sobre personagem x ou ao invés do y. nisso, senti que alguns personagens tinham muito potencial mas por limitações mais práticas não tiveram tanto "tempo de página".
Comecei 2024 aos prantos (no mercado)[mentira, foi na praia] e terminei da mesma forma.
A escrita de Pedro Jucá me cativou até o último ponto final, como um criança sentada na ponta do sofá em frente à televisão, inclinada em busca de respostas. O relato denso e imagético engana o leitor ao talvez se levar a crer que está lendo uma autobiografia, mas, ao ver mais sobre o autor, percebe que foi capturado pela criação bonita de Pedro.
A beleza no poder de impacto que os outros tem em nossa vida é explícita aqui de uma forma que saio dessa leitura mudada para sempre. A vida é preciosa demais, com todas as suas felicidades e dores.
"Se você não for hoje, meu amor, amanhã tardará"
Assim me despeço de um ano exaustivo mas que foi tão bom para mim e espero ter a coragem de fazer o que me faz feliz, seguir os meus desejos antes que tarde demais.
infância, descobertas, relações familiares, culpa, desejo, remorso. esse livro fala de temas muito sensíveis, e pedro jucá sabe escrever sobre esses temas. eu chorei umas 5 vezes em momentos diferentes e estou completamente apaixonada por esse livro.
gostei muito da história e da forma que foi contada intercalando presente e passado, é um ótimo livro. minha única crítica é que próximo do final me desconectei com o estilo de escrita do autor, que pode ser um pouco cansativo às vezes.
Muito bem escrito, esse livro mostra como a literatura apresenta novos possíveis mundos. A vida de uma família e toda sua história é sentida através de Marcelo, nosso narrador. O livro é sobre o abandono através dos silêncios, as dores e amores de uma família. Lindo!
Uma história sensível e impactante sobre relações familiares e identidade. A escrita do Pedro te prende de forma leve e lúdica, mas com pancadas brutais de realidade. Livro muito muito bom.
explorar cartografias pessoais. entrou para o conjunto de livros que me tocaram profundamente. a história de Marcello é contada com certa brutalidade da delicadeza
Possivelmente o livro que mais me impactou no ano, Amanhã Tardará é um romance de formação de Pedro Jucá, em que acompanhamos o desenvolvimento de Marcelo desde a infância até a idade adulta.
A escrita de Pedro é muito poética, às vezes truncada, mas extremamente cativante. No decorrer da leitura, nota-se como o autor fez um trabalho minucioso na escolha das palavras para compor o seu texto, o que, em alguns momentos, pode dificultar a naturalidade da história, mas que nos encanta a cada capítulo.
A escolha da narração também ajuda a prender o leitor ao longo das páginas, já que, no presente, encontramos uma família fragmentada, mas, pelas lembranças do protagonista, percebemos que nem sempre foi assim, ou que, pelo menos, tentava não demonstrar que estava em ruínas. Nesse sentido, a narrativa se alterna entre presente e passado, e vamos, aos poucos, descobrindo como chegamos a essa configuração familiar.
Acompanhamos, em primeira pessoa, as frustrações, os medos e os desejos de Marcelo, mas também as dinâmicas familiares e os dramas de outras personagens, como Dona Hilde, Joca, Inês, Yule e Rute.
Fiquei com um gostinho de “quero mais” da história. Acredito que o autor poderia ter explorado melhor algumas tramas, mas que, pela escolha do narrador, isso não se fez possível. Ainda assim, é um livro incrível e uma prova de que a literatura brasileira contemporânea é de extrema qualidade.
"Amanhã Tardará" é o romance de estreia de Pedro Jucá, publicado pelo selo Tusquets Editores da Editora Planeta. A obra explora as complexidades das relações familiares e os impactos duradouros da infância na formação do desejo e da sexualidade.
A narrativa acompanha Marcelo, que retorna à sua vila natal, Ourives, devido à iminente morte do pai. Ao chegar, ele se depara com a hostilidade de sua irmã, Inês, o que o leva a revisitar memórias e traumas familiares na tentativa de compreender o distanciamento entre eles.
O livro é caracterizado por uma linguagem rica e poética, com descrições detalhadas que aprofundam a psicologia dos personagens. A trama aborda temas como culpa, desejo e remorso, oferecendo uma visão profunda das relações humanas.
A recepção crítica tem sido positiva, destacando a habilidade de Jucá em construir uma narrativa envolvente e emocionalmente complexa. O romance foi lançado durante a FLIP 2024 e também publicado em Portugal, consolidando Pedro Jucá como um nome promissor na literatura contemporânea.
Em resumo, "Amanhã Tardará" é uma obra que mergulha nos meandros psicológicos de uma família marcada por traumas e conflitos, apresentando uma narrativa densa e envolvente que reflete sobre as inapagáveis marcas da infância.
Neste romance de formação, acompanhamos a vida de um hoje, desde o início da sua infância, até a idade adulta. O personagem principal (Marcelo) enfrenta muitas dificuldades por ser um homem gay. Durante grande parte de sua vida, teve uma relação muito próxima da irmã. Entretanto, um acontecimento faz com que os dois se afastem. Entretanto, a doença do pai faz com que Marcelo volte a sua cidade natal, e que tenham um convívio mínimo.
A narração é muito interessante. Alguns trechos do momento atual são intercalados com mais capítulos do passado de Marcelo. Por isso, descobrimos aos poucos a história de sua infância-adolescência e início da sua vida como jovem adulto entre os capítulos que contam o seu retorno à casa.
4.0 ⭐️ um romance de formação diferente da "receita comum". aqui, acompanhamos o retorno de Marcelo a sua cidade natal, o reencontro com a família é o ponto inicial da trama, quando Marcelo retoma sua história e dinâmica familiar.
um livro rebuscado, com uma linguagem belíssima! dotado de pontos psicanalíticos, uma história dura, difícil, perpassando o que há de mais animalesco dentro de um ser humano.
deixo para trás uma estrela, porque senti o começo arrastado, apesar de que entendo ter sido o propósito do autor: nos mostrar como Marcelo chegou até ali. mas, caramba, haja Freud para tanto "Amanhã, tardará".
Que livro espetacular que o Pedro Jucá escreveu. a leitura acompanha o desenvolvimento do Marcelo, desde sua infância, atravessando complexos conflitos familiares e internos do personagem, até a vida adulta que busca explicar o motivo de sua desavença com a irmã, que sempre foi sua maior companheira. uma história que te deixa sem chão, te leva pra longe da órbita e te chuta de volta pra realidade. um emaranhado de sentimentos durante a leitura. sem dúvida, um dos favoritos do ano!
Estou até agora esbaforida com a história do Marcelo. A história dos membros de sua família se entrelaçam, e escalando a ponto de tirar sua respiração.
Recentemente ouvi um podcast com o Pedro e ele diz: esse livro é sobre respiração... E de certa maneira, sim 🙂↕️
Sobre as palavras com sinônimos difíceis de fato causam estranheza de início, mas aos poucos fica normal. Porém, na minha opinião, em alguns momentos foi demais; mas em sua maioria, achei linda diversas passagens.
Lindo! Com uma narrativa fluida, o autor consegue entrelaçar sua própria história com a de outros personagens, cujas tramas também são impactantes. Essa artimanha traz fôlego a história, já que, a partir de um narrador em primeira pessoa, conhecemos sua personalidade pelo olhar de outros. As relações, tão particulares, são muito comuns.
Marcelo, o protagonista, seria a maior das Helenas de Manoel Carlos! Hahaha 😅 Uma personagem muito relacionável, mas cheio de desvios. A história esconde a complexidade de diversos tipos de luto no cotidiano de uma família que poderia ser a nossa, ou de um vizinho. Já é uma das minhas leituras favoritas.
O livro da várias pistas sobre os dois principais eventos - que são narrados só nas últimas páginas. Eu já sabia - ou pelo menos imaginava- o que ia acontecer e ao mesmo tempo que queria chegar logo nessa parte, eu estava morrendo de medo dela. Mesmo já imaginando o que ia se passar, a leitura foi muito sensível e emotiva. Um livro sobre relações familiares, sentimentos e sofrimento…
As palavras rebuscadas demais, sem necessidade, me afastaram da história. Não consegui ter a proximidade que gostaria para ter empatia pelos personagens.
A linguagem é um suplício, quem é que fala ou escreve desse jeito? Muito artificial. Me lembrou Tudo é Rio, uma história forte e com cenas explícitas, que ganha o leitor pelo assombro