Antes de o galo anunciar o início de um novo dia, o pai chama para o "Menino, menino". Aquela era a primeira vez que Julim ia para os campos de arroz. Ali, enquanto os trabalhadores plantam, colhem e deixam os seus anos na terra, as crianças espantam os chupins. Mas, afinal, que mal pode fazer um passarinho? Em coautoria com a artista plástica Manuela Navas, Chupim marca a estreia de Itamar Vieira Junior na literatura para as infâncias.
Itamar Vieira Junior (Salvador, 1979) é um escritor brasileiro. Formou-se em Geografia na Universidade Federal da Bahia, onde também concluiu mestrado. É doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia com estudo sobre a formação de comunidades quilombolas no interior do Nordeste brasileiro. Em 2018, venceu o Prémio LeYa, com o romance “Torto Arado”.
Chupim, escrito por Itamar Vieira Junior e com arte de Manuela Navas, foi o primeiro colocado na votação da Quatro Cinco Um de melhor livro infantojuvenil do ano, como deve ser sabido, amo demais literatura infantil e fui correndo conferir e realmente é um grande pequeno livro, realçando a já conhecida sensibilidade do Itamar para discorrer sobre raça e classe, além da perspicácia da Manuela em transmitir visualmente as mesmas ideias.
Leitura leve, com inteligência e seguridad no poder da narração impecável do Itamar... as ilustrações são maravilhosas e transmitem força a história do Julim.
Uma história que parece simples, mas que é carregada de significados. Uma graça ser infantil, pois tem muito a ensinar para os adultos também. As ilustrações são muito muito bonitas!!!
A obra aborda o trabalho no campo e como crianças são inseridas em sistemas de exploração, além da condição de trabalhadores que precisam migrar sazonalmente, comparando-os aos pássaros. O menino Julim questiona a visão dos trabalhadores da plantação de que o pássaro (Chupim) é uma "praga", enxergando-o com afeto e compaixão. Foi a então "praga" Chupim, assim definida pelos adultos, que os possibilitou um novo trabalho, ao semear terras e surgirem novos campos de arroz. A história é curta, mas me tocou e provocou reflexões, ao narrar a empatia e o respeito pela natureza pelos olhos de criança. Ainda, possui ilustrações belíssimas! Muito bonito ler sobre e ver a sensibilidade infantil diante das injustiças.
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