Quando Laura colocou um anúncio procurando uma nova colega de quarto para dividir o apartamento, a jovem não esperava que seu mundo virasse de pernas para o ar. Tudo por causa de um nome. De uma mulher. Carmilla…
Por acaso, passando pelas mesas de artistas na CCXP24, essa belezura me chamou a atenção, e que sorte a minha! Fui atendida com muito carinho e atenção pelas moças na mesa, acredito que a Clarice era uma delas, e ali já me ganhou junto da arte maravilhosa da capa. Quando cheguei em casa estava morta, mas logo no dia seguinte peguei pra ler e me peguei envolvida desde a primeira página. A arte é tão linda e tão agradável aos olhos quanto a história é bem escrita e deliciosa de ler. As personagens são naturalmente inseridas e tão bem construídas sem muito que em 3 partes eu já estava com os olhos arregalados curiosa pelo que vinha a seguir. Que tesão de releitura, que perspicácia de crítica subentendida. Ter lido a obra original é um bônus para uma coisa ou outra, mas a história funciona tão bem por si, que conhecer o original não se faz necessário. No entanto, falando em conhecer a história original, a subversão do teor original da obra é um prato cheio e lendo o prefácio só tive a confirmação de que minha interpretação estava correta. Definitivamente uma das minhas aquisições favoritas e me sinto grata de ter conhecido porque com certeza estarei procurando mais obras de todos envolvidos na produção deste.
Esse gibi reconta um clássico. Carmilla era uma vampira que seduzia jovens mulheres para em seguida manipula-las e mata-las. Um daqueles clássicos “cuidado com quem você anda”. Então a Clarice resolveu subverter um pouco essa história. E se a Carmilla continuasse sendo uma vampira que com seu jeito sedutor trouxesse as jovens um sentimento que estava escondido, seja por medo, conservadorismo ou qualquer outro motivo? Essa é a Carmilla dessa história, que se torna colega de quarto de Laura, uma jovem que faz tudo o que seu pai quer e tem medo de fazer o que ela quer. Um dia ela faz o que quer e o pai descobre, então ele obriga ela a ir pra um psiquiatra pra tentar colocar ela de volta naquela caixinha que ele tem pra ela, mas ela percebe que não quer mais viver naquela caixinha. Clarice faz de um jeito bem bonito a jovem se “rebelando” e decidindo que sabe o que é melhor pra ela, apesar das incertezas e medos que isso trás. E não tem o que falar do traço da Germana, uma das melhores quadrinistas do Brasil. Seu desenho é marcante e inconfundível, e complementa muito bem o texto da Clarice. Uma boa pedida pros fãs de quadrinhos nacionais.