As revoluções, em especial as que ocorreram na América Latina são de particular interesse a mim, dado que é possível observarmos um correlato de atos que unem as revoluções do mundo, desde a sua ascensão, até o quase sempre, declínio. Além, é claro, de contar parte da história política de um povo, e do caos que impera após sua queda com a implementação de golpes militares.
A obra foca na demorada, mas exultante subida de Salvador Allende ao poder, que com seu sucesso inicial buscava a passagem do capitalismo para o socialismo no Chile por meio de uma revolução de cima para baixo, isto é, sem violência, no entanto, o incômodo de quem não conseguiu invadir a baía dos porcos em Cuba e de seus aliados, foi fator essencial para a desestruturação da economia e entrega do país ao comando de Pinochet, que fez da barbárie sua principal arma cooercitiva.
Nesse sentido, a revolução chilena não foge do habitual, assim como ocorreu no Brasil, na República Dominicana e no Irã, um conjunto de forças se uniram em proveito das lacunas sociais e dos interesses internacionais para instaurar o caos, sempre tendo como impulsionador os Estados Unidos, país esse que nunca mediu forças para romper com as democracias dos países latinos; de modo que se sua ação causará cenas brutais de tortura, estupro, assassinatos e exílios, ela se invalida na luta contra o suposto comunismo.
Mais que isso, a obra tem como enfoque os projetos de poder, tanto de Allende, como de Pinochet, além dos laços partidários e militares da época, sendo um apanhado de tudo que ocorreu durante a revolução chilena, explicitando seu nascimento e declínio sob a ótica política-social e das consequências geradas para o país, sendo uma ótima obra para quem gosta do tema.