Escrito na linguagem avassaladora característica da obra de Camila Maccari, este romance faz pensar sobre a experiência do corpo, seus limites e os impactos dos padrões inalcançáveis a que somos submetidos cotidianamente.
Fim de expediente, num dia cansativo, uma mulher resolve tomar uma cerveja em um bar, sozinha. Acomoda-se, fala com o garçom e nos próximos minutos viverá uma experiência marcante - e apenas aparentemente banal. A cadeira em que ela está sentada se quebra e a protagonista desta história vai ao chão. É o garçom que tenta ajudar, mas o que ela sente não pode ser amparado por ninguém.
Ela sabe a causa da seu peso, seu corpo gordo, que não cabe no mundo, menos ainda em uma cadeira. A partir desse episódio, entramos com a narradora em uma espiral de reflexões, lembranças e vivências intensas que giram em torno das questões postas pela obesidade, pela obstinação por emagrecer e caber em um padrão, pelas relações com pessoas próximas e com conhecidos que, por meio de suas reações gordofóbicas, têm enorme impacto sobre a vida da personagem principal.
Por várias semanas, em busca de uma espécie de solução, decisões serão tomadas, assim como se aguçará a percepção dos sentimentos de ódio, amor e pena em relação ao que é estar no mundo para essa mulher. Estão aqui em jogo questões de vida e de morte que perturbam a protagonista e nos envolvem como leitores. Camila Maccari continua afiada em seu texto próximo da oralidade e das convulsões da vida interior.
Comprei sabendo a ferida que seria tocada. E talvez, por tamanha ânsia de identificação, não consegui adentrar na história. Por serem assuntos delicados (percepção corporal e autoimagem), esperava algo fora do usual. De início a leitura te prende. Depois, é só "mais do mesmo". Não há grandes reflexões. Durante a leitura, tive a impressão de que a problemática trazida mantinha-se sobre o superficial da temática da obesidade. O desfecho da história acabou por me confirmar e me decepcionar mais ainda. Diria que achei um enredo "tosco".
Lançado recentemente, o segundo romance da escritora gaúcha Camila Maccari tem como ponto de partida um fato aparentemente banal: em um final de tarde, bebendo sozinha uma cerveja artesanal em um bar, a protagonista - uma mulher de quase 30 anos - despenca no chão quando a cadeira em que estava sentada repentinamente se quebra. O motivo da quebra? A mulher pesava, àquela altura, 146 kg.
O incidente desencadeia na protagonista um choque que a leva a revisitar toda a sua trajetória até aquele momento: uma vida inteira sempre marcada pela questão do seu sobrepeso, do sentimento de não-aceitação que isso gerou, seja na família, no ambiente escolar, no ambiente profissional ou em seus casos amorosos.
É um tema que, em mãos menos habilidosas, poderia facilmente escorregar em clichês ou em mera "panfletagem" sobre os preconceitos sofridos pelas pessoas obesas. Mas a autora jamais cai nessas armadilhas, apresentando de forma brilhante sua protagonista, sem qualquer pretensão de dar voz à todas as pessoas gordas do mundo, mas tão somente àquela mulher, com suas inseguranças, sua visão particular sobre as coisas, seus desejos.
A trama do livro é simples, sem grandes "plot twists", até porque é o menos importante, tendo em vista a proposta da obra. Embora eu tenha pequenas ressalvas (como uma curiosa obsessão da autora pela palavra "mortificada" ou o uso excessivo de um recurso "voz-da-consciência-que-invade-a-narração", que achei interessante, porém cansativo após algum tempo), o fato é que se trata de uma grande leitura, principalmente pela minuciosa construção da personagem, que se torna totalmente de carne e osso aos olhos do leitor. Um romance corajoso e que foge do lugar-comum.
Uma leitura cansada e previsível. Entendo a escolha da autora de narrar à exaustão os dilemas internos da protagonista, que imagino ser uma forma de transmitir o espiral que se passava na cabeça dela. Mas isso é feito de uma forma cansada, repetitiva, sem entregar nada de novo. São páginas e páginas de um mesmo devaneio e é meio que sempre a mesma coisa até a metade do livro, quando a personagem tem uma virada. Mas até isso se apresenta de uma forma rápida demais, direta demais, e nesse momento tu já sabe exatamente o que esperar até o final do livro. Se tivesse bem menos páginas, talvez minha avaliação não seria tão ruim.
Apesar disso, a escrita da autora é realmente envolvente e gosto da camada gore que ela traz pra história.
Gostei muito da forma como a Camila escreve. Uma descrição dos pensamentos nus e crus como são - inclusive aqueles que não gostamos de assumir que temos. O tema do livro é extremamente relevante e em certa maneira doloroso do quanto me identifiquei em muitas das passagens - seja em relação ao corpo, seja às pessoas ao redor e também com a mãe da personagem. Gostei muito da leitura e saio reflexiva sobre minha relação comigo mesma.
Para mí es un libro que se lee como una cadena de pensamientos que se alimentan entre sí. El pasado destrozándote mientras el futuro también. Leer sobre percepción corporal es súper difícil, porque siempre te pone en una situación de minimacion propia (o por lo menos a mi), pero sentí en este libro que se veía reflejado ese mismo pensamiento. La trama súper buena, la lectura un poco jetriosa.
eu que nunca quebrei uma cadeira pareceu que li como se a história fosse minha. não tem o que dizer, é o livro que traduziu mais sentimentos que pra mim são intraduzíveis… cru, gigante e, por incrível que pareça, ele é um alívio ao invés de ser uma dor
Uau. Impactada. “Existem tipos de amor que, menos que amor, são vícios que funcionam para a manutenção de crenças profundas” certamente ainda vai reverberar aqui por um bom tempo.