Sofremos todos, mas não da mesma forma. Em textos memoráveis, a conceituada psicanalista propõe leituras surpreendentes do cotidiano brasileiro e oferece um retrato vívido das angústias contemporâneas.
Em 2017, Vera Iaconelli aceitou o desafio de traduzir o cotidiano a partir do referencial psicanalítico. Desde então, os artigos publicados periodicamente na Folha de S.Paulo exploram diversas camadas da sociedade contemporânea através de temas como relações afetivas, feminismo, masculinidade, educação, sexo e política, além, claro, de parentalidade. Uma abordagem fluida e consistente que foi inevitavelmente marcada por dois eventos de grande impacto o fortalecimento de tendências autoritárias, com a ascensão de Bolsonaro, e a eclosão de uma pandemia global. Seguindo o fio dos acontecimentos que marcaram —e marcam —nossa época, esta coletânea reúne algumas das reflexões relacionadas àpremissa de que o sofrimento ordinário épermeado de felicidade ordinária, episódica e fugaz. Em uma alentada introdução inédita, a autora reflete sobre as contribuições singulares da psicanálise para o enfrentamento das questões contemporâneas que marcam nosso dia a dia. Para Iaconelli, esse constante questionamento ético e subjetivo oferece ferramentas para que cada um de nós se defronte com nossos medos, traumas e desejos, permitindo-nos assumir nossas condições existenciais, sejam elas de âmbito individual, coletivo, cultural ou político.
Vera Iaconelli é psicanalista especializada em psicologia parental. Graduada pela em Psicologia pela Universidade São Marcos (UNIMARCO), é mestre e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisa temas como a depressão pós-parto, o infanticídio e o período perinatal.
É conhecida do público por debater de forma aberta e livre de tabus os principais desafios enfrentados pelas mães na sociedade contemporânea. Vera denuncia as pressões para que as mães sejam infalíveis em seu papel e questiona como os filhos são afetados por uma educação cada vez menos comunitária, em que toda a responsabilidade recai sobre pais que muitas vezes não estão devidamente preparados para cumprir esse papel.
Em suas colunas para o jornal Folha de São Paulo, debate angústias e enfermidades psíquicas típicas de nosso tempo, partindo de assuntos do cotidiano para investigar como a vida em uma sociedade marcada pela aceleração e pelo enfraquecimento de muitos laços sociais pode afetar a saúde e o bem-estar dos indivíduos. Também é autora de livros como Manifesto antimaternalista, no qual desconstrói o lugar-comum segundo o qual as mulheres nascem prontas para a maternidade, como Criar filhos no século XXI e Felicidade ordinária.
Vera é diretora do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal e Parental, o Gerar, e integra o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, além de participar dos Fóruns do Campo Lacaniano de São Paulo.
Encontrei despretensiosamente na livraria e escolhi porque gostei muito do manifesto antimaternalista, mas não tinha o costume de ler a coluna dela. Gostei muito. Tem alguns temas principais e aí natural uns serem mais interessantes do que outros. Também é tudo muito curto já que vem do jornal o que é bom e ruim, mas foi uma leitura muito boa no geral.
Se a Gabriela Prioli fosse Psicanalista. Tem alguns textos interessantes, mas a maioria desdobra temas simples em tom ForaTemerCore™ (não é crítica, é a única escrita possível pra proposta). Embora tenta em voz alta não ser, é um livro escrito em feminismo branco. Se você já leu qualquer outro livro sobre feminismo, não vai te fazer sentir nada. Não sou o público alvo, mas a leitura muito provavelmente faria mulheres mais velhas da minha família refletirem sobre assuntos nunca pensados antes. Eu teria amado em 2015!
Interessante como mesmo escrito em 2017, esses 94 artigos continuam a ressoar cada vez mais intensos no dia-a-dia do pacato brasileiro, que caminha agora, em meu momento de leitura, para o fatídico ano de 2026. Afetos, feminismo, masculinidade, educação, sexo, política, parentalidade. Tudo isso acontecendo em um turbilhão que deixa o dia-a-dia do brasileiro tudo, menos pacato. O referencial psicanalítico de Vera Iaconelli coloca não só a mãe, o pai, a avó e o bebê no divã, mas também o nosso Brasil, o nosso povo, o nosso coletivo (que anda bem esquecido em mérito do Eu que nos transborda). E no final do dia, no final de mais um ano, é da felicidade ordinária do cotidiano que sobrevivemos e continuamos frente ao sofrimento. Muita vezes da ponta do iceberg, mas de vez em quando pulando na água gélida de cabeça.
Não é um livro ruim. A autora é uma ótima escritora e sabe articular bem as suas ideias. Mas não ressoou comigo, com o meu momento e meus ideias atuais.
Queria ter gostado. Mas a maioria dos capítulos mal tinham relação com quem sou hoje — e gosto de me identificar com as leituras que escolho. Essa, infelizmente, não desceu. Ao menos, não nesse momento.
A reunião de 94 artigos escritos por Vera para a Folha de São Paulo nos últimos anos. Um percurso gostoso por temas atuais e interessantes, que geram reflexões a partir da ótica da psicanálise. Tem jeito não, sou fã dessa mulher.