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Mariconas

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"Euler Lopes escreve o amor e a fúria como ninguém. A festa é a única possibilidade, incluindo a tragédia. Tiro e glacé à flor da pele na trama e nas três entidades da rua e da ilusão: Erê, Gil e Ira. Euler nos revela uma parte da vida destas três mariconas, todas elas defendendo a própria vida com a volta- gem de uma ópera. Uma sai do armário depois de um casamento com filhas, outra comemora sempre o aniversário da mãe morta desde seu nascimento, outra é tão devota das santas quanto perigosamente apaixonada por um menor de idade.

Uma tensão interna liga as três personagens que poderiam ser uma só, como faces do cubo enorme que ilumina com seu brilho o grande salão. Tudo o que dizem e fazem são movimentos do mesmo altar, do mesmo palco. Elas poderiam ter o mesmo corpo, mas são tripartidas para viverem cada qual a porção da violência e do desejo, como se dividissem a carga já tão pesada para uma só.

As mariconas são setas lançadas de muito longe, de um lugar tão crepitante quanto indomável. Euler estreia no romance trazendo o grande dramaturgo que é, assim como sua vidência da amizade, esta um dos grandes temas do livro."

136 pages, Paperback

Published January 1, 2024

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Profile Image for Ivandro Menezes.
Author 5 books27 followers
July 21, 2024
Nas primeiras páginas de Maricona encontramos as amigas Ira, Gil e Erê se fantasiando para o carnaval. Vestidas de ousadia, intrepidez e purpurina ganham a rua para celebrar a vida e arriscar amores. Em seguindo, vão despindo a fantasia e entrando na quarta-feira de cinzas e no gris da vida, e vamos descobrindo suas dores e tragédias, suas delicadezas e rudezas, seus lutos e renascimentos.

Ira, Gil e Erê são humanas, demasiado humanas, personagens tão bem construídas a ponto de criar intimidade e com personalidades tão intrigantes que te faz virar a cada página em busca de conhecê-las mais e mais.

Ira celebra a falecida mãe. Erê e Sarita e as filhas e o neto. Gil e sua necessidade de amor. Cada uma percorre as armadilhas de viver em busca de uma vida feliz, fugindo das dores, das dificuldades, da violência por existir como quem é, apesar do que lhe dizem ser. E essas dificuldades se materializam na idade (em Ira e Leque Bru), na sexualidade clandestina (em banheiros sujos, becos, jardins, na escuridão), na distância da família, na humilhação pública e privada, na culpa (católica ou não).

Euler imprime ritmo ao texto, compõe capítulos curtos com domínio de cena, construção de cenários e diálogos bem calculados. Um texto maduro, bem trabalhado, sem excessos e sentimentalismos, num ponto equidistante entre o sensível e o cru. Mostra como se conta uma boa história, sem monotonia, sem apelação e com leveza, humor, tragédia e beleza. Uma grata surpresa. Longa vida a autora!
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