Au début du livre, la romancière Claire Lancel est accusée d’avoir frappé à la tête son ex-compagnon, Gilles Fabian, un metteur en scène spécialisé dans le théâtre de marionnettes, qui se trouve depuis dans le coma. Ils ont vécu plusieurs années ensemble avant le drame.
À travers des entretiens avec son avocate qui cherche à reconstituer le déroulement des événements, Claire évoque les différentes étapes qui l’ont amené à commettre ce geste criminel. Elle revient d’abord sur les débuts de sa relation avec Gilles, leurs premiers mois qui ont tout d’une idylle. Elle raconte qu’au cours d’un dîner au bord de la mer, six mois après leur rencontre, Gilles a eu l’idée d’un échange de promesses. Il lui a demandé de ne jamais écrire sur lui. Elle l’a promis. Comme dans toute enquête, il y a des auditions, des témoignages, notamment ceux de Carole et Émilie, les deux meilleures amies de Claire, et de Georges, l’ami de Gilles, qui apportent des éclairages différents, voire divergents, sur les protagonistes et le couple qu’ils formaient.
Au fil de ces témoignages, on suit l'histoire de la dégradation du couple et la façon dont progressivement Claire va découvrir à ses côtés un étranger, un autre homme en tout cas, que celui qu’elle croyait connaître.
L’autre aspect concerne la création littéraire car le récit montre comment l’écrivaine, à un moment donné, n’a pas d’autre choix, dans sa solitude, que de se mettre à écrire. Elle éprouve une certaine douleur à transformer les personnes en personnages et la vie réelle en roman.
Mais c’est ainsi et seulement ainsi qu’elle comprend ce qui s’est passé pour elle, en elle, et peut alors se mettre à distance de sa souffrance. « Si je devais résumer d’une phrase le sens principal de ce livre pour moi, je dirais que Ta Promesse célèbre le roman comme un moyen irremplaçable d’investigation du réel et d’élucidation de la vérité. »
Avec ce nouveau livre, Camille Laurens aborde un sujet qui est au centre de son travail littéraire, et que l’on trouve notamment dans Celle que vous croyez, roman de l’illusion amoureuse. Pourquoi tombe-t-on amoureux ou amoureuse de quelqu’un, comment se crée l’image parfaite qui nous séduit et qui fatalement, puisque c’est une image arrangée, fallacieuse, va un jour se fissurer, se disloquer ?
Dans Ta promesse c’est Claire Lancel qui se laisse peu à peu embarquer dans une histoire d'amour faite de manipulation et de mensonge. Qui est Gilles ? Qui est Claire ? Quelles forces les ont unis puis séparés ?
À travers ce récit remarquablement élaboré, l’auteure montre la difficulté accrue de l’amour : le narcissisme contemporain, ses déviances de plus en plus subtiles et agressives, l’absence d’empathie et le déni de l’altérité ont des conséquences désastreuses. Dans une langue vive, précise, aiguisée, l’histoire déploie toute la tension du thriller pour entrainer le lecteur dans la quête de vérité de l’héroïne.
Camille Laurens sur les hommes qu'elle décrit dans son livre..
Elle ne va pas à leur rencontre, du moins pas comme on pourrait croire. Elle ne fond pas sur eux pour les capter, les saisir, leur parler. Elle les regarde. Elle se replit de leur iamge comme un lac du reflet d'un ciel. Elle les maintient d'abord dans cette distance qui permet de les réfléchir. Les hommes restent donc là longtemps, en face d'elle. Elle les regarde, elle les observe, elle les contemple. Elle les voit toujours comme ces voyageurs assis vis-à-vis d'elle dans les trains maintenant rares où cette disposition existe encore : non pas à côté d'elle, dans le même sens, mais en face, de l'autre côté de la tablette où gît le livre qu'elle écrit. Ils se tiennent là. C'est le sexe opposé.
Representamos o papel junto dos outros, tu, para dominares, eu, para ser amada; tu, para fazer da sua infelicidade a condição da força vital, eu, para fazer da sua felicidade a condição da minha. O teu ódio estendeu-se a todas as mulheres; a minha esperança, a todos os homens. Falhámos os dois. (…) A ficção continuava a escrever-se, mas tu fingias na vida enquanto eu fingia num livro. Isso fazia toda a diferença.
Sabem quando uma pessoa é boa de mais para ser verdade? Pois, geralmente, é. Narcisismo é um termo com que me familiarizei apenas em adulta, mas em retrospectiva, quando me lembro de rapazes e raparigas que comigo ou com as minhas amigas tiveram relações tóxicas, gostava que alguém me tivesse chamado à parte e explicado o processo mental das pessoas que sofrem deste transtorno. Ou, então, que livros como “A Tua Promessa” já tivessem sido escritos e me tivessem aberto os olhos na altura, como tantos outros o fizeram. “A Tua Promessa” é como um manual, está aqui tudo, passo a passo: o “love bombing”, a manipulação, a mitomania, a destruição do carácter e, em última instância, a violência psicológica.
Não és parvo a ponto de confundir o prazer com o amor, embora murmures sempre “Amo-te” quando te vens, para ligar a sensação e o sentimento, precisamente, e também para a tua parceira ficar mais descansada. “Amo-te” é um artifício infalível, não há melhor do que isso, nem sequer nos mais belos livros.
Para quem leu o livro anterior de Camille Laurens, “Menina”, encontra neste como que uma continuação, desta vez protagonizada por Claire Lancel, também ela uma célebre escritora, filha de progenitores egocentristas, mãe de Alice e de um bebé morto, divorciada de um homem infiel. Quando conhece Gilles, não por acaso um mestre bonecreiro, tudo parece um mar de rosas, até que deixa de o ser. É nessa altura que se quebra uma promessa e, consequentemente, a outra que dá origem a este livro.
Naquele dia, há sete anos, gracejáramos sobre a questão de saber se estávamos libertos de uma palavra dada a partir do momento em que o outro não respeitava a sua. Eu defendia que sim, que era como um contrato, um casamento, um acordo, que o incumprimento de um anulava o compromisso do outro. Ele diz que não, que o compromisso é connosco.
“A Tua Promessa” apresenta-se como uma análise de uma relação temporária e aparentemente feliz e, mais tarde, como uma desmontagem dos escombros da mesma. A nível de estrutura - fora a inclusão de poemas que, enfim, lamento, mas não o são - resulta muitíssimo bem, sobretudo quando percebemos o âmbito em que surgem as declarações da protagonista e dos seus amigos, mas não sendo as relações amorosas o meu tema preferido, creio que a primeira parte poderia ter sido abreviada. Quanto às lamechices desnecessárias na capa - “A voz que transforma o amor em palavras” e “O amor guarda memórias” – se forem leitoras (es) incrivelmente românticas (os), elas servirão certamente de íman; no entanto, se o cinismo for o vosso veneno de eleição, vejam-nas apenas como um equívoco: o conteúdo comprova todas as vossas teorias derrotistas.
“Sofrer passa. Ter sofrido não passa.”
Camille Laurens encaixa-se naquele grupo de autores franceses que admiro pela capacidade de autoexposição, tal como Annie Ernaux, Constance Debré, Édouard Louis e Colombe Shneck, mas, pendendo ela mais para a autoficção, é sempre um desafio perceber o que é verídico e o que é imaginado, quando é a narradora ou a própria Camille Laurens a falar.
Era um romance sobre mim, sobre a repetição trágica do falhanço na minha vida. Eu falhava, continuava a falhar – será que falhava melhor? Não tinha a certeza. O meu pai, o meu marido, o Gilles, para falar apenas daqueles que mais contaram (…): de cada vez, a ilusão de amor rasgara-se na dor e deixara-me ali, aparvalhada, a perguntar-me o que acontecera, o que fizera mal, porque é que, apesar de todos os meus esforços, não funcionara. Fui uma filha dececionante, uma amante insuficiente, uma mulher defeituosa e até uma mãe deficiente para um filho morto.
Une grande œuvre. J’ai noté tellement de phrases. J’ai dû prendre des moments pour me retenir de garrocher mon livre dans le mur aussi. Quelques longueurs mais c’est dans le style et ça fait aussi son charme. On lit à la fois pour la beauté des mots et la laideur du récit.
O início deste livro revela logo uma escrita bem articulada, pormenorizada e, ao mesmo tempo, uma grande eloquência por parte da autora.
Começamos por conhecer, ainda sem desvendar o cerne da obra, os termos em que a relação amorosa de Claire e Gilles se formou. Como é que se conheceram, os impasses e dúvidas que tiveram que ultrapassar, etc. À medida que isto acontece, terminamos cada capítulo com uma interrogação latente: “O que é que aconteceu afinal?”. E é esta interrogação que mantém o leitor agarrado a este romance cheio de suspense.
Vamos avançando e a cada página percebemos que Gilles é uma “red flag” ambulante. Ao mesmo tempo que a personalidade de Gilles vai ficando mais clara, vamos também conhecendo os contornos do perfil de Claire. Ela é uma mulher que minimiza tudo, que desdramatiza e finge até alguma despreocupação relativamente aos “pequenos” sinais que vão sendo cada vez mais claros para nós leitores.
Começamos a reconhecer alguns traços egoístas e narcisistas no Gilles. Simultaneamente, a relação entre ambos também se torna cada vez mais tóxica e Claire mais dependente emocionalmente.
Este é um livro que sem dúvida nos faz refletir sobre as nossas escolhas, as nossas experiências e as nossas relações. É uma obra sobre como lidamos com a dor e a rejeição quando estamos dependentes de alguém emocionalmente.
Um livro forte e inovador. Uma excelente surpresa que recomendo a toda a gente.
3.5 - 3.75 ⭐️ Un vrai page-turner, construit comme un thriller. On ne lâche plus ce livre. On déteste Gilles. On est au cœur même de la relation, de l’emprise qu’à Gilles sur la narratrice, on vit la toxicité, la manipulation. C’est confrontant, c’est déstabilisant et c’est profondément choquant.
Il manque une petite étoile, parce que j’ai trouvé, à un certain moment, au milieu du livre, que le rythme était un peu moins présent. J’étais moins accrochée au récit. L’écriture est assez dense, quoique facile à suivre.
Un roman magistral doté d’une écriture incroyable et dense qui se lit comme un thriller.
L’autrice prend le temps de dépeindre l’amour pour mieux autopsier les ressorts insidieux de la domination et de la toxicité.
Gilles est un personnage qui fout tout simplement la haine et qui prend surtout la forme d’un symbole universel. À travers ce protagoniste et la destruction qu’il porte en lui, Camille Laurens en profite pour analyser le narcissisme et le manque d’empathie de la société d’aujourd’hui.
Un roman haletant, hyper actuel et aux messages forts et importants : j’ai adoré !
J’ai voulu donné moins à ce livre, puis en y pensant je me suis demandé « pourquoi? » : parce que j’ai eu l’impression d’être irritée, contrariée et carrément fru TOUT LE LONG. Et puis là je me suis rendu compte que c’est justement pour ça que c’était si bon, si bien pensé, si bien écris. Camille nous a complètement immergé dans l’histoire de Claire et Gilles, assez pour nous la faire vivre. C’est impossible de rester indifférent(e) à cette histoire. J’ai ressentis beaucoup+++ durant cette lecture et ce livre va definitevement m’avoir marqué pour très longtemps. 🫢
Je me suis laissée tenter par quelques romans français cette année et je dois dire que ce ne sont pas toujours mes préférés. Ce style poétique m’a un peu moins rejoins bien que la façon dont est décrit le pervers narcissique est absolument sublime. Team je déteste tous les Gilles de ce monde.
Un peu lent avant d’embarquer dans l’aventure de Gilles et Claire Cependant une fois bien décollé, on réussit à bien comprendre le narcissisme et l’ampleur de ses répercussions
Как се ражда една любов и кога токсичността я унищожава? Или по-скоро представата за съществуването и, защото любов, никога не е имало. Желание за контрол, изтриване на самоличността, на собствения избор, на порива да живееш отвъд отношенията с човека до теб. Желание да се разтвориш в него, да се подчиниш като единствена възможност той да бъде щастлив.
Камий Лоранс прави брилянтен психологически портрет на токсичните взаимоотношения в една връзка, за изборите, които несъзнателно повтаряме, за писането като терапия. В крайна сметки всички ние сме продукт на собствените си травми…
Структурата на романа е много интересна, а моментите, в които авторката представя текста като поема са ми любими.
“Според мен любовта не е сливане, а умение да бъдеш себе си заедно с другия.”
“Подчинението ми го успокояваше, а на мен не ми струваше нищо.”
“Любовта не ни прави слепи, глухи. Но в един момент писателката трябва да дойде на себе си. Влюбена или не.”
Uma grande supresa o modo como este livro me envolveu na leitura. A tensão emocional que esta história nos apresenta foi uma interessante companhia numa leitura que fui fazendo lentamente. Uma estrutura narrativa que vai além do que seria óbvio.
Một cuốn khai thác siêu “đã” về tâm lí con người. Đọc mà đầu quay mòng mòng, song hành là cảm giác bức bối đến bực bội vì sự ngộp thở trong mối quan hệ độc hại của cặp đôi nhân vật trung tâm. Đoạn kết tiết lộ lý do vì sao hai nhân vật hình thành nên tính cách “rối ren” như thế, nhưng để mà nói nếu so với cuốn “Con gái” cùng tác giả (nhân tiện, hay lắm, đọc đi cả nhà) thì “Bội ước” quả thật bạo liệt hơn rất nhiều. Nó đánh thẳng vào tâm lý con người, từ kẻ thao túng cho đến nạn nhân.
Rất thích nhân vật cô nhà văn trong sách, cách mà cổ đào thẳng vào tâm trí của tình cũ ở mọi khía cạnh ngõ ngách và bóc trần nó ra ánh sáng thực sự ấn tượng, đọc mà gai người trước sự vặn vẹo của hắn, một kẻ ái kỷ luôn cho rằng mình là trung tâm nơi vở diễn cuộc đời.
Cuốn sách là lời cảnh tỉnh chát chúa cho những ai đang trong mối quan hệ, đặc biệt là các bạn nữ, nếu trực giác đang mách bảo các bạn có điều gì lấn cấn về đối phương thì phần nhiều là do họ có vấn đề thật chứ không phải do bạn ovtk đâu.
Roman qui m'a décontenancé à plusieurs reprises : l'écriture est très dense, c'est rare de lire ce genre de livres aux accents de thriller avec un texte aussi dense. Je parle d'accents de thrillers car le rythme n'est pas tout à fait celui que l'on a l'habitude de retrouver dans les collections noires, c'est plus lent.
L'autrice prend le temps d'étirer son affaire. On sait dès les premières pages une partie de la fin : la narratrice est auditionnée par un avocat qui doit la défendre. Au fil des pages, son profil psychologique et celui de son compagnon sont décrits et l'enquête se révélé, petit à petit, trèèèès lentement.
J'ai globalement bien aimé le roman malgré des passages qui m'ont un peu lassés car long et répétitifs et deux personnages un peu trop manichéens.
Style d’écriture particulier, quelques poèmes proses entrecoupés de texte, à la française, superposition de temps, un peu difficile à suivre et embarquer mais sujet intéressant même crucial. Je comprends les prix associés au livre, mais pas une lecture douce et facile d’été
4.5⭐️ Depois de ter lido “Menina” e de o ter ainda marcado na minha memória, sendo um livro que recomendo vezes sem conta, e, depois de agora ter lido “A Tua Promessa”, posso afirmar com toda a certeza que Camille Laurens é uma autora que irei acompanhar e ler tudo o que puder.
A escrita é cuidada e pormenorizada; a narrativa, articulada. A protagonista narra a sua história, mas, ao mesmo tempo, são introduzidos outros testemunhos de pessoas próximas dela e de Gilles, o ex. Trata-se de um romance escrito quase como um thriller, onde o suspense se adensa e vamos acompanhando as emoções e os sentimentos envolvidos desde o início desta relação tóxica entre Claire e Gilles.
A autora consegue que o leitor acompanhe lentamente os acontecimentos, tendo perfeita noção ao ver “de fora, de que tudo o que está a acontecer é uma enorme red flag. Contudo, quem vive esse amor, quem se sente emocionalmente dependente de alguém, não consegue criar essa distância e ver coisas que, para nós, parecem óbvias. E não é isto tão frequente? Não se diz que “o amor é cego”?
O livro faz-nos repensar as nossas próprias relações. Consegue que transponhamos a personalidade de Gilles para a forma como a humanidade vive atualmente: a olhar para o “próprio umbigo”, cada um de nós, cada vez mais, a viver como se o sol girasse à nossa volta. O narcisismo surge como um problema, quase como uma doença que atinge cada vez mais pessoas, aliado à falta de empatia: “A morte da empatia humana é um dos primeiros sinais, e o mais revelador, de uma cultura prestes a cair na barbárie.”
Uma “doença” muitas vezes fruto de traumas de infância, que descamba em cada vez mais sofrimento e perante a qual cada um de nós reage de forma diferente. Uns fingem a vida toda, magoam para não sofrer, tornam-se maus, não reconhecem emoções, elevam-se como deuses, vivem autocentrados. Outros apegam-se, vivem na sombra do outro, giram à sua volta, ficam dependentes, acreditam que o amor é tudo, que tudo é amor. Por tudo isto, como concluímos no final, “(…) cada um deve proteger a beleza, a paz, a sua alegria, tal como a dos outros, o amor. É a nossa humanidade que está em jogo.”
Sublime é a forma como a autora descreve esta relação e a consegue transpor do “eles” para o “nós”, enquanto humanidade.
Gostei ainda dos poemas que aparecem no livro, nos quais Claire se refere a si mesma como “nós” em vez de “eu”, algo que considero importante, na medida em que tenta criar distância das suas próprias vivências e, simultaneamente, incluir todos os que vivem o que ela viveu, segundo a minha interpretação.
É um romance que exige alguma atenção. A autora é descritiva e, em alguns momentos, podemos sentir-nos cansados com tanto pormenor. Mas acreditem nesta história, é nos pormenores, nas pequenas coisas, que reside o busílis de tudo.
mon deuxième Camille Laurens en un an et encore un texte grandiose ! le roman raconte une histoire d’amour qui se transforme en relation d’emprise. est décrite toute la complexité de la passion qui devient dépendance, et de la soumission à l’autre. on y suit la narratrice alors qu’elle retrace cette relation à son avocate, avant son procès, car dès le début, on nous fait comprendre qu’il s’est passé un drame.
écriture vive, alerte, intense, la narratrice s’adresse à nous en même temps que son avocate. c’est ainsi qu’on comprend le titre : la promesse, c’est celle que son amant n’a pas tenue, mais aussi celle qu’elle n’a pas tenue envers lui : à savoir écrire sur lui. c’est un roman haletant, aussi prenant qu’un thriller, un roman sur le narcissisme moderne, mais également un roman sur les mots, et sur ce risque qu’est la promesse.
intelligent en tout point, convoquant l’empathie et la fascination, j’ai ADORÉ vraiment !!!
c’est un peu en vrac comme review mais le cœur y est haha.
Camille Laurens abandonne l’autofiction dans son nouveau roman Ta promesse pour un genre qu’elle a inventé lors d’une présentation radiophonique, « l’autruifiction ». Pourtant l’héroïne porte les mêmes initiales et subit un procès pour atteinte à la vie privée, comme l’écrivaine ! En tout cas, Ta promesse est un roman époustouflant qui mélange les genres, promène son lectorat, allègrement, explore l’emprise mais la relie à la personnalité de chacun, Bref, un roman multifacette à découvrir assurément !
Sa promesse, Claire Lancel a un peu eu du mal à la faire, un soir au restaurant lorsque son amour, son bel amour, son merveilleux amour, Gilles, le lui a demandé. En retour, a-t-il bien compris celle qu’elle lui a soutirée ?
Lors d’une partie du roman, les conversations avec l’avocat, l’interrogatoire d’amies ou de relations lors de l’enquête, de parties de procès etc. proposent leurs impressions du drame, encore inconnu pour le lecteur. Camille Laurens décrit une relation amoureuse pernicieuse et délétère d’une femme au milieu de sa vie qui rencontre, enfin, la douceur d’être aimée. Néanmoins, plusieurs relations précédentes difficiles auraient dû l’alerter ! Seulement, l’amour est aveugle, ou sourd ou tout à la fois ! Claire a toujours voulu désamorcer ses intuitions, elle l’aimait tellement, ou voulait s’en convaincre, assurément !
Elle est une écrivaine renommée qui réalise des podcasts à succès, tandis que lui est marionnettiste, metteur en scène d’opéra et pianiste amateur. La grande question qui traverse l’esprit du lectorat tout au long de la première partie est à quel moment Camille Laurens va révéler ce qui s’est passé, pour transformer ces années de désir, d’échanges et de jouissances en drame irréversible !
Car le drame on l’attend sans savoir qui, quand et comment. Camille Laurens transforme son lecteur en Petit Poucet, succombant au pouvoir de son écriture. Et, la vérité sera bien au-delà de l’imaginaire. Car en scandant son roman en plusieurs parties, Camille Laurens ne cesse jusqu’à la fin de se jouer de celui-ci.
Impressionnant, avec des marques dans le style qui sidère, qui étouffe et qui ruine toute la construction de l’amour ! Et ce n’est pas tout, Camille Laurens cumule les genres, du thriller aux poèmes en rimes libres, jusqu’à la dystopie et au roman judiciaire en passant par la romance !
Tout au long de cette découverte sur l’emprise, la correspondance avec le film L’anatomie d’une chute m’est souvent revenue à l’esprit. Ta promesse est une œuvre littéraire inclassable, mais parfaitement réussie. Non seulement, le roman dénonce une relation amoureuse toxique, mais aussi le vide qui irradie les relations humaines, avec ce déficit d’empathie remarquée actuellement. Mais, c’est aussi une ode à la place de la littérature dans nos univers, tant du point de vue de l’écrivaine que du lectorat. Une découverte magnifique !
I thoroughly enjoyed this book from start to finish. It offers a compelling exploration of the emotions tied to a toxic relationship with a narcissist, exactly my cup of tea. What truly sets this work apart is the author’s storytelling approach and plot development. The narrative begins as a romantic novel, evolves into a gripping thriller, and culminates in a courtroom-style drama, with the main character presenting "defenses" and various witnesses sharing their perspectives on the relationship.
The book delivers a powerful message about how manipulation can be subtle and insidious, in stark contrast to many stories that present almost caricature-like depictions of narcissists. This story feels incredibly real and resonates with the experiences many women have likely encountered in their lives.
I stumbled upon this book quite by chance, picking it up from a shelf at Paris Gare du Nord before my train to London, as I had run out of reading material. Once I started, I couldn’t put it down until I finished. Now, I’m eager to explore more works by Camille Laurens. I understand she stepped away from her usual storytelling style in this novel to explore a new "genre," and I’m excited to see what else she has to offer.
A superb novel about narcissism. The story is like a thriller, I loved the plot and loved all the introspection the author brought to the story. I read it in French and I do hope that it will be soon translated into other languages as well.
Já tinha lido “A filha”, mas gostei muito mais deste “A Tua Promessa”. Uma leitura que fiz quase em suspenso, sempre com uma tensão emocional que me acompanhou capítulo após capítulo. Não é um romance no sentido clássico, longe disso, tem umas pinceladas de “thriller”. É um livro que desconstrói, que desmonta, que vai expondo o que há por baixo das camadas de uma relação que parecia feliz, mas que, desde cedo, dá indícios de estar condenada. Gosto da forma como a autora consegue expor uma relação tóxica, mas, ao mesmo tempo, falar da humanidade, das fragilidades, das repetições inconscientes que fazemos ao longo da vida. Acompanhamos o início da relação de Claire com Gilles, um homem encantador. Ambos com filhos, com relações já terminadas, com outras histórias. É um início de relação hesitante, tipicamente banal para alguém que já viveu tanto, e é precisamente essa banalidade que faz tudo soar tão real. À medida que a narrativa avança, percebemos mais depressa do que Claire aquilo que ela própria se recusa a ver: Gilles é uma “red flag” ambulante! Ela desdramatiza, tenta encontrar explicações para tudo, como tantas vezes acontece com quem está emocionalmente dependente. Quem lê, de fora, vê claramente o narcisismo, o egoísmo, as pequenas violências psicológicas e os jogos mentais de que é alvo. É duro reconhecer como tudo isto é familiar. A autora consegue transmitir a tendência humana para nos agarrarmos ao que não nos faz bem, para confundirmos amor com dependência, atenção com necessidade, presença com controlo. E, claro, aquela dependência emocional que nos faz acreditar que “não é assim tão grave”. É um livro fortíssimo sobre a forma como lidamos com a rejeição, com a perda de nós mesmas numa relação abusiva. Camille Laurens desmonta e revela aquilo que tantas relações têm em comum: o narcisismo crescente, a falta de empatia, a incapacidade de ver o outro e respeitá-lo. E fá-lo sem “clichés” e apenas com verdade. Gostei da estrutura da narrativa. A autora não se limita a contar a história, fragmenta-a, reconstrói-a através das vozes da protagonista, da advogada e das testemunhas enquanto preparam o julgamento, Sem pressas. A escrita é cuidada, articulada, cheia de nuances…só não gostei dos “poemas”. É um livro que exige atenção e tempo. Há momentos em que o detalhe me pareceu excessivo, mas depois percebi que é nesses pequenos sinais, no que não é dito, nos pormenores que tudo se revela. Cheguei ao fim com a com a sensação de ter acompanhado algo muito íntimo e muito verdadeiro. Gostei muito!
O fim de um sonho, numa relação que parecia idílica quando começou mas que se sabe que acabou e desconhecemos o porquê, exceto que houve uma promessa. O dissecar dessa relação em que a romancista Claire Lancel testemunha, entre outras poucas personagens próximas do casal adensa a expectativa, enquanto se capta o nível de toxicidade e a passividade/tolerância perante uma manipulação narcisista. Nada desta história parece ficção. Num crescente de intensidade temos a cronologia das emoções e o desenrolar dos sentimentos na perspectiva de Claire e sem que, seja compreensível, ainda que justificado, como foi possível. Essa incredulidade é o tabu destas narrativas, que não vingam, tantas vezes, em tribunal. Esmagadora esta história por bem contada, com uma personagem/ narradora empática e muito credível.
3.5 ⭐ Gilles : J'ai rarement autant détesté un protagoniste. Narcissique, insensible, menteur et manipulateur. L'évolution d'une histoire d'amour qui vire au cauchemar à travers un procès. L'histoire nous tient en haleine. J'ai eu de la misère à suivre certain passages entre le vocabulaire français, les dialogues non conventionnels insérés sans tirets dans le texte, d'une alternance narrative entre le "tu" et le "il/elle" et l'insertion de poèmes, que certains pourraient plus appréciés. Le genre de livre que je pourrais mieux comprendre et apprécier les subtilités après une relecture.
J'ai apprécié voir le build up de la toxicité s'installer dans la relation de manière graduelle et insidieuse. Par contre, le style d'écriture est assez riche et poétique avec des expressions françaises, donc j'ai trouvé que la lecture était parfois moins fluide! J'aurais donné un 3.5
Construit comme un thriller, le nouveau roman de Camille Laurens dissèque de façon redoutable une histoire d'amour jusqu'à la vérité. Tout est magistral dans ce texte : l'écriture, la construction, la précision. Un texte brillant, troublant et poignant !
Claire et Gilles forment un couple de quinquagénaires. Ils sont en fusion totale, tout le temps ensemble. Chacun d’eux a fait une promesse à l’autre, au début de leur relation. À mesure que le couple évolue, les choses se compliquent.
La psychologie des personnages est on ne peut plus parfaite et bien rendue. La structure du texte et la construction du récit sont efficaces. La force de Ta promesse est de présenter dans toute la subtilité, le mode de fonctionnement d’un narcissique. Comment il te cueille. Comment il te valide un temps, mais en fait, il te manipule. Comment, tranquillement, il instille le doute et la dévalorisation de soi. La négation de soi, même ! Il est aisé de comprendre comment une personne peut se trouver dans une relation toxique sans s’en être rendu compte.
Ça se lit comme un thriller. Au moment où le roman débute, Claire raconte l’histoire de sa relation avec Gilles à son avocate.
Aye, je ne veux pas trop t’en dire, j’ai envie que tu arrives dans cette lecture vierge de commentaires à son sujet. Mais, lis ça ! Si t’aimes la psychologie des personnages et les comportements humains, saute dessus ! TU SUITE !
De rien !
Ah oui, je te dirai ceci : Gilles est imbuvable ! Carrément détestable !
Super roman de Camille Laurens, sur une femme qui tombe follement amoureuse d’un homme qui se révèle être un parfait pervers narcissique, qui ne fait preuve d’aucune empathie.
C’est très réussi parce qu’elle décrit bien la réalité de cette emprise, ce qui passe par 150 pages d’un amour absolument parfait, où on tombe sous le charme de Gilles pour ensuite ressentir la douleur avec Claire au moment de la phase d’abandon et de mensonges. On est naïfs avec elle, on sait qu’il est toxique, mais on a envie d’y croire tellement c’était beau. Finalement contente de finir ce livre parce que je ressentais vraiment la tristesse de Claire à la fin et son anéantissement psychologique.
Seule critique : je ne suis pas fan du prétexte du livre : un procès car Claire aurait tenté d’assassiner Gilles à la fin de leur histoire. Un peu gros et finalement pas très utile je trouve.
(Mais petit coup de cœur pour les passages écrits en vers qui glissent parfaitement un peu de poésie dans ce roman-thriller)