Quando olhamos para os dados e os resultados da educação no Brasil, sempre temos essa impressão de que existe muita coisa errada na maneira como o tema é conduzido. Não importa que tenhamos investido quase 6% do nosso PIB na educação, pois mesmo assim, não temos conseguido melhorar, de forma significativa, a qualidade do ensino oferecido e nem a qualificação dos alunos que ingressam todos os anos na rede pública de ensino.
Essa percepção de que existe algo de errado também se estende para o ambiente acadêmico das universidades públicas, as quais têm sido notórias pelo fomento à doutrinação forçada de alunos e professores, fato que compromete o retorno que estas instituições poderiam oferecer para a sociedade que as financia, tanto em termos de inclusão de profissionais bem preparados no mercado de trabalho, quanto com uma maior relevância acadêmica e científica no cenário mundial.
O fato é que todo esse esforço e dinheiro investidos pelo Estado brasileiro na educação não têm resultado em uma melhoria efetiva na qualidade dos estudantes que dependem do ensino público, seja em que nível for. Além disso, o excesso de controle regulatório sobre o que deve ser ensinado nas escolas e faculdades, inclusive nas privadas, tem atrapalhado o principal objetivo a que a educação se propõe, que é a formação de profissionais e cidadãos melhores e mais eficientes.
Quando imaginei e projetei o Instituto Liberdade e Justiça, uma das minhas principais preocupações era de estudar os melhores princípios da liberdade econômica e fazer uma conexão desses princípios com as reais demandas da sociedade em que estamos inseridos.
Antes deste livro, foi criado também o Movimento Educação Sem Estado que luta por menos interferência de burocratas e dos governos na educação, pois o Brasil precisa com muita urgência corrigir os modelos fracassados que vêm sendo adotados pelos sucessivos governos nesta importante área. Este movimento, surgido dentro do Instituto Liberdade e Justiça, tem contatado e reunido pessoas em várias regiões do País para que possamos fomentar o debate e agregar pessoas interessadas em rever o atual modelo educacional, especialmente aqueles que já estão ligados, direta ou indiretamente, ao setor.
O livro busca trazer um novo olhar sobre a educação, analisando o cenário atual no Brasil e tentando entender melhor as experiências de outros países, especialmente onde se tem mais liberdade econômica e menos interferência governamental sobre o tema. Também busca respostas sobre a questão de quem realmente é beneficiado pelo modelo vigente, se é o interesse público ou dos indivíduos em formação, ou se ele tem servido apenas para encastelar e financiar doutrinadores, políticos e profissionais medíocres que não teriam a menor chance de prosperar em um ambiente educacional verdadeiramente livre e baseado num sistema de livre mercado.