"Políticas do Encanto" de Paolo Demuru é uma obra que se destaca por sua crítica incisiva à forma como abordamos o populismo conspiratório. O livro é notável por questionar a eficácia do debunking — o ato de expor a falsidade de ideias ou crenças — como uma estratégia para combater essas fantasias. Demuru identifica essa abordagem como parte de um "supremacismo racionalista," que ele acusa de ser insensível e, em última análise, contraproducente.
O autor argumenta que as teorias conspiratórias desempenham um papel importante ao reencantar o mundo, oferecendo narrativas que capturam a imaginação e preenchem um vazio emocional e existencial que o racionalismo, com seu foco em desencantar e desmistificar, não consegue suprir. Demuru sugere que, em vez de apenas tentar desmontar essas narrativas, deveríamos nos concentrar em criar novas formas de reencantamento.
Ele aponta como exemplo os movimentos de ocupação e a Primavera Árabe no início dos anos 2010, que, de acordo com o autor, mostraram a possibilidade de um reencantamento político e social, oferecendo uma alternativa vibrante e criativa ao desencantamento promovido pelo racionalismo moderno. Essas experiências coletivas e participativas, segundo Demuru, foram capazes de inspirar e mobilizar as massas de uma forma que o mero debunking jamais poderia alcançar.
A crítica central de Demuru reside na necessidade de repensar as estratégias políticas e comunicativas em uma era de populismo conspiratório, onde a batalha não é apenas pela verdade, mas pelo próprio imaginário coletivo.