Um Romance Que Demora Demais a Evoluir
“Agente Ward” é aquele livro bom, intenso, bem desenvolvido, que te prende da primeira a última página e que vale muito a pena a leitura, e justamente por isso que me dói não poder dar uma avaliação mais alta.
Antes de mais nada eu preciso elogiar a escrita da autora, “Jas Silva”. Eu acho que esse é o quarto livro que eu leio dela, e eu adorei todos até o momento. A escrita dela é fluida e muito bem desenvolvida, onde você realmente entra dentro daquele universo, e gosta muito do que lê.
Como eu já disse, a escrita é boa e prende qualquer um, e o desenvolvimento é bom demais, mas não é perfeito, e apresenta algumas falhas – falhas estas que me impactaram demais no desenrolar do livro e que precisam ser ditas.
O livro em questão é um haters to lovers, onde os protagonistas realmente tem motivos para se odiarem. O passo de Tessa e Bruce não é bonito, é cheio de mágoas e cicatrizes, então não é estranho a aversão que eles sentem um pelo outro, assim como não é estranho todo o desejo que eles sentem. Os protagonistas são duas bombas prestes a explodir a qualquer momento, eles são muito intensos.
A relação dos protagonistas é boa até certo momento, pois chega uma hora que esse ódio todo, cansa, e o leitor espera que eles evoluam, que o sentimento começa a mudar, mas até uns 80% do livro essa mudança ainda não tinha acontecido. Quase o livro todo foi pautado em ódio, brigas, sexo violento e uma enorme dificuldade de comunicação. Ocorre que essas características que a gente tanto ama nesses tipos de romance uma hora cansa se não evoluem. Eu não aguentava mais ver eles não conseguindo ter uma única conversa decente.
Então assim, a demora na evolução deles foi algo que realmente me incomodou. A evolução poderia pelo menos ter sido lenta, mas nem isso foi, porque não teve, de verdade. Durante 20 capítulos eu li ódio e sexo, e no capítulo 21 eu li um “posso estar me apaixonando”. Mas da onde saiu esse sentimento? De qual interação? De qual conversa normal? Não me convenceu, e me deixou triste, pois o casal é bom, e se eles tivessem tido desenvolvidos romanticamente teria tornado tudo melhor.
Sobre os protagonistas, o meu sentimento em relação a eles é bem conflitante. Bruce tem aquela característica de homem das cavernas que é interessante no começo, mas depois é insustentável, pois chega a ser excessivo, e ele é muito controlador. Infelizmente ele não é um daqueles homens que a gente acha louco, mas mesmo assim ama, não, eu só acho louco e chato. Em relação a Tessa, eu me irritei demais com ela, pois ela sempre fingia ser forte, mas não conseguia nunca, e ela é tão frágil que chega a ser chato. O fato dela ser briguenta e mega impulsiva não ajuda também, e a falta de conversas entre ela e Ward partiam sempre dela, o que me irritou também.
Todo o livro gira em torno do mistério das mortes quem tem acontecido e do passado da Tessa que tem ligação com tudo. Pelo fato do livro girar sobre isso, eu confesso que esperava um desfecho mais emocionante. Acho que o pior não é o desfecho fraco e sem emoção, mas sim o fato de que o livro todo eu esperei para ler como que ocorreu a morte do Alex, ler o que realmente aconteceu, e no final foi somente citado. Esse enredo merecia um capítulo ou mais de um, explicando todo o envolvimento da Tessa com ele, com o Park, e como que se desenrolou a morte dele, assim como faltou desenvolver como que ela se sentia na época, já que foi uma época tão traumática que traz efeito até os dias atuais. Acho que se a autora tivesse entrado de cabeça nisso o livro seria muito mais dinâmico do que realmente foi.
Outra coisa, esperei ler mais da equipe do FBI, das operações deles, e da equipe. Osires, Mia e Leon mereciam ter ganhado um pouco mais de espaço no livro, principalmente o Osires, pois ele e a Tessa se aproximara muito, mas o leitor leu raras cenas deles juntos. Eu também achei que faltou uma conclusão melhor e relação a relação da Tessa com a mãe que é tão conturbada. Senti falta de ler mais sobre os sentimentos entre Bruce e Alex, pois ele estava muito focado na vingança, mas depois ele deixou isso completamente de lado sem se importar, e também faltou explorar a relação do protagonista com os dois amigos, Charles e Nico (ou Nate, confesso que não lembro rs). Ademais, faltou desenvolver Tessa e Bruce como um casal de fato, mas isso já ficou bem claro ao longo da resenha rs.
O casal tem um age gap gigantesco, e confesso que eu esperava que essa problemática fosse trazida à tona mais vezes.
Agora, eu senti que teve um enorme furo na história. Na primeira vez que Tessa e Bruce transam, eles transam sem camisinha e ela comenta que não há nada com que ele tenha que se preocupar, pois ela basicamente fez questão de não ter chances de cometer um erro – erro esse que seria a gravidez, pois sua mãe é péssima e ela não queria ter que passar os genes dela para alguém. Contudo, o epilogo do livro mostra a Tessa descobrindo a gravidez. A verdade é que não foi dito o que ela de fato vez (cirurgia, anticoncepcional ou diu), mas sei que a história não bateu, o que é um furo.
Sei que fiz muitas críticas, mas no final eu realmente gostei do livro, contudo ele não é perfeito, e eu precisava externalizar tudo o que estava sentindo. Mas é um livro bom e que eu recomendo.