O sexto livro de Igor Pires, autor best-seller e criador de Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente
Uma reflexão profunda e poética sobre a jornada de se tornar adulto
O fim dos vinte e início dos trinta é uma das fases mais desafiadoras da vida. Ao mesmo tempo em que um horizonte de possibilidades se mostra, tudo parece desmoronar frente às expectativas e projeções da juventude. É sobre essa fase que Igor Pires se debruça em seu sexto livro, que descreve como uma carta de amor, um abraço, a resposta do que tanto refletiu sobre essa transição.
Este é um corpo que cai mas continua dançando é dividido em três Corpo, Queda e Dança. Em Corpo, o autor compartilha com o leitor seus pensamentos sobre suas relações familiares, saúde física e mental, questões de autoestima e de como é se tornar adulto em uma sociedade egoísta e dinâmica. Em Queda, Igor se debruça nos fins de relacionamento, sejam eles românticos ou não. Por fim, Dança termina a jornada de forma positiva, falando sobre resiliência, autoestima e recomeços.
Assim como uma borboleta que transmuta o corpo em um casulo e cai antes de descobrir que tem asas para voar, Igor Pires conduz o leitor, acompanhado das belas e sensíveis ilustrações de Anália Moraes, na difícil jornada de se tornar adulto e deixa o desabem comigo.
Gente, que leitura intensa foi “Este é um corpo que continua dançando”, do Igor Pires — sério, eu socorro, esse livro é triste demais. A prosa poética do autor me prendeu desde a primeira página e me fez fazer marcações sem parar, de trechos como “a lembrança ainda dança sob minha pele ferida” que soam tão lindos quanto doloridos. É aquela beleza melancólica: cada verso parece convidar o corpo todo a se mover, mesmo quando o coração pesa toneladas.
Só que, ao mesmo tempo, senti falta de um pouco de leveza no meio de tanta angústia. A melancolia é tão constante que, em vários momentos, eu queria um fôlego de esperança para equilibrar o baque emocional. E, gente, preciso confessar: me incomodou bastante a escolha de escrever como se ele falasse o tempo todo com mulheres — “vocês vão entender”, “mulheres carregam”… —, porque, embora eu seja feminista e celebre a voz feminina, acabei me sentindo deixado de fora dessa conversa.
No fim das contas, dou três estrelas ⭐⭐⭐ porque, apesar da escrita ser de uma força quase estética, o excesso de tristeza e essa interlocução exclusiva tiraram um pouco da minha imersão. Ainda assim, recomendo para quem não tem medo de se perder nas emoções e quer sentir cada palavra na pele.
Todos os livros do Igor Pires são muito bonitos, mas sinto que cada um deles me marcou de formas diferentes da minha vida. Esse é um livro bonito e tocante assim como os outros cinco, mas no meu momento de vida atual, sinto que ele só é repetitivo e mais do mesmo. Os textos se diferem em palavras, mas a essência permanece a mesma e a forma de tocar muda, uma vez que a gente muda também. É um livro bonito, são lindas as reflexões, mas acho que já aproveitei melhor os livros do Igor.