O livro inédito de Rita Lee Uma ficção misteriosa com toques de realidade Um consultório em um casarão antigo no centro de São Paulo. Um doutor que só atende depois do pôr do sol. Uma cantora em busca de respostas para uma pergunta que a persegue. E uma ela só pode entrar na casa sozinha. O mito do mito é uma obra que Rita Lee começou a escrever em 2005 e a engavetou. Em 2019, a autora finalizou o texto, caso da protagonista, que é a própria Rita. Ela, então, decidiu lançá-lo, mas com uma condiçã que fosse postumamente. “Não quero ninguém me perguntando de meras coincidências com fatos ou pessoas reais. Escritora-mistério”, escreveu no livro.
"O mito do mito" é uma autoficção publicada postumamente pela Rita Lee. Na trama, a cantora conversa com um psicanalista até altas da madrugada, no Mosteiro de São Bento, enquanto sua irmã fica de guarda caso algo saia do controle — afinal, o lugar é bem misterioso.
Ler foi como sentar com a Rita enquanto ela nos conta causos da vida, tanto como artista quanto como fã. Ela expande acontecimentos que ela já havia comentado nas autobiografias, e aproveita pra defender bandeira que são muito caras pra ela: a animal, a LGBTQ+ e a da liberdade.
Rita fala muito da família — pai, mãe, marido, filhos, netos. Há trechos lindos, em que o amor dela é palpável. O livro é narrado quase que exclusivamente em forma de diálogos, uma entrevista dela com ela própria. É dinâmico e muito divertido, porque só Rita tem o humor de Rita.
O livro contém uma letra inédita, reflexões sobre a vida e um inventário divertidíssimo sobre os tipos de fã e de ídolos. Já fui vários deles, e entendo quando ela fala que às vezes o amor de fã não é correspondido — na maior parte das vezes, prefiro assim. Eu aqui, ídolo lá.
É um livro que vale a pena ir ler sem saber muito, mas com a certeza de que você vai encontrar uma Rita bem-humorada, que dá conselhos e se diverte com a própria vida. Uma Rita autêntica e grata a todo amor que recebeu durante sua passagem estrelar. Uma Rita genial!
“- percebo que você, como fã, não tem cura. - é. nem quero. minha vida seria besta sem meus ídolos.”
ritinha disseca bem o sentimento de devoção que eu tenho pelas pessoas/coisas que me tornam 𝘴𝘦𝘳. eu sou fã desde que eu me entendo como gente, de verdade. aos 2 anos eu era obcecada pela xuxa. aos 6 por rebelde. aos 10 por taylor swift. aos 13 por one direction. aos 15 pra cima, obcecada por ela e por mulheres-místicas-bruxas-lelés da cuca, stevie nicks, kate bush, björk, sinéad o’connor (até raspei minha cabeça!) e tantas outras.
meu maior medo era crescer e perder essa faceta maluca, mas ainda bem que eu não sei não ser fã, é intrínseco à mim e minha vida inteira vai ser voltada para admirar gente.
que leitura deliciosa, maravilhosa, divertida, fascinante. eu amo muito a rita escritora, todas as versões dessa mulher. tava ansiosa pra ler esse livro desde o lançamento mas ao mesmo tempo sabia que a hora certa iria chegar e chegou. amei muito essa leitura. de fã pra fã, te amo muito ritinha. saudades eternas.
A Rita tem tantas versões e uma das minhas favoritas é a Rita autora.
A cada livro dela, fico admirada com a genialidade e como a mente dela funciona, digo no presente, por que ela se mantém aqui em cada devaneio, em cada palavra escrita, em cada canto e no seu jeito único de se comunicar.
Rita diz aqui que “Ser fã é foda. É ser possuído por um estranho que você não pediu para encontrar, mas que invadiu sua vida por todos os sentidos pelo canto da sereia.”
E mais do que nunca me sinto agraciada pelo amor dela e por ter invadido minha vida em todos os sentidos.
Termino esse livro sentido que foi um presente aos fãs, uma forma de retribuir todo amor e carinho que sempre recebeu, é um livro de ídolo para fã, mas também de fã para fã.
É difícil não gostar dessa mulher, desbocada como só ela consegue ser, sem papas na língua, sem levar a sério a forma como a hipocrisia da sociedade queria que ela se comportasse, e ainda deixando um livro póstumo pra não ter a "incoveniencia" de precisar explicar nada pra ninguém, além de rir muito durante todas as passagens e idéias de sua mente, ainda podemos lidar com seus defeitos, e sem nenhum filtro, Rita Lee era o que era, e sempre abraçou seus defeitos, era isso que a tornava tão vibrante fenomenal.
A Rita se tornou uma das minhas escritoras preferidas de um jeito parecido com o do Dr. Drauzio. Ela tem uma vida e personalidade tão grandiosas que transbordam na escrita e acabam virando uma voz muito particular, um jeito muito único com as palavras. Descrever ser fã como amar sem ser amado, padecer no prejuízo? Fala sério.
“Ser fã é foda. É ser possuído por um estranho que você não pediu para encontrar, mas que invadiu sua vida por todos os sentidos pelo canto da sereia. É altamente provável que você nunca vá encontrar esse objeto de desejo frente a frente, como gostaria. Você paga para ver de longe um amor que nunca irá se consumar plenamente”
Sem palavras para essa obra prima. Me senti representada em inúmeros momentos. Obrigada por tudo, Rita.
delicioso e único, eu leria suas histórias pra sempre!!!! tudo é tão simples que cabe numa canção… lindas e divertidíssimas divagações sobre ser fã e artista!! te amo ritaaaaaaa
Delícia poder voltar a ler um livro com a voz da Rita de fundo! Para quem ja leu os demais dela pode ser mais do mesmo porém de forma mais leve, fluída e engraçada.
- Tenho certeza de que você não procriou in vitro. Tem algo a dizer sobre o parceiro? - Olha, como fala do meu cunhado. Pô, meu, vai deixar esse janotinha crescer pra cima de você? — Vou falar de um dos temas sobre o qual mais tenho certeza na vida. Eu diria que a melhor rima para te responder é: nada como ter Roberto por perto. O eterno namorado. Marido é pouco, ele é o cúmplice dos meus mais calientes crimes de amor. Sol em Escorpião, ascendente em Touro. Roberto é o médico da família, faz diagnósticos precisos, estuda astrologia cabalistica e adora estar cercado de coisas bonitas. É um cara que sempre tem um papo interessante na ponta da lingua. Roberto é um chef de cuisine dos mais saborosos. Todo homem bom de fogão é melhor ainda na cama. B quen tem um namorado lindo como eu, sabe o que significao assanhamento feminino. Com o tempo, aprendi a confiar no meu taco, mas até hoje sinto certas dores nas costas provenientes de olhares gulosos de quem não come o manjar desse meu deus. — E como essas pessoas se manifestam? - Geralmente, dizendo coisa do tipo: "Coitado dele, com essa maluca drogada sempre dando tra-balho!". Sim, bendito seja Roberto, que segurou todas as barras como um cavaleiro que salva a princesa das garras do dragão, ou melhor, drogão. É evidente que ele percebia quando minha existência estava indo pra la de Bagdá, e, nessas horas, sempre com calma e ele-gância, tratava de me hospedar num hospício simpa-tico, não sem antes se informar até sobre a comida sem cadáveres de bichos que me seria servida. — Se eu fosse Roberto, pagaria pros hospícios não te soltarem nunca mais hahaha - disse o ponto. - Nessas ocasiões, Rob conversava bastante com os meninos e explicava que a mãe deles, "como todo gênio que se preze" (obrigada por essa, Rob), era louca sim, mas não estava varrida. Nunca fez minha caveira para eles, ao contrário, mostrava como um cavalheiro deve tratar as damas, na saúde e na doença. -O amor dura até hoje ou já estão na fase da com- placência? - Toda semana recebo flores ou uma cartinha de amor. Minha história com Roberto vem de outras vi-das, e certamente vai continuar nas próximas. - E seu namorado não tem problemas do ego masculino, ou mesmo criativo, por você ser a figura de frente na música? - Comprovadamente, ele não tem essas preocu-pações, mas muita gente passou a ter quando a dupla Lee/ Carvalho apareceu no pedaço com um hit atrás do outro. Se eu era o gênio indomável, Roberto era o gênio objetivo. Minha criatividade é mais abstrata, a dele é mais concreta. Ele me ajuda em algo muito impor-tante: a realização. Por mais que eu sonhe, que eu goste do campo das ideias, sou capricorniana e o que mais me dá prazer é ver um trabalho realizado, solto no mundo. Isso, em termos musicais, significa a fome com a vontade de comer e ainda sobrar espaço para a sobremesa. E sei que ele gosta de me ver brilhando. - O que mais chamou minha atenção nesses relatos é a mistura dos sentimentos familiares e da relação com as drogas, ou melhor, as suas drogas.
Lugar de estrela é no céu!
Há séculos é noivo de Rosinha, uma morena daquelas gostosonas, e mesmo assim quem usa saia e não é padre tá na mira.
Ai, o meu maior arrependimento para/com a cultura brasileira foi o fato deu ter me apaixonado por essa daqui só depois da morte. Já achava ela pitoresca desde sempre, mas ir a fundo na diva, infelizmente só depois que ela morreu e posso falar? Gênia! Aqui vemos um livro pseudoficticio, pseudocronica da Rita indo para uma consulta com um psiquiatra um tanto quanto excêntrico, que de tão excêntrico, ela leva sua irmã a tira colo, com um fone de ouvido bluetooth escondido e uma ligação para ouvir fora do consultório caso o excentrismo do doutor ultrapasse a legalidade. A consulta? Sobre fãs e ídolos. Como fã de vários artistas eu me identifiquei com muita das coisas aqui dita. Rita incrível, genial e engraçada em tudo que se propõe. Que falta faz! O Brasil perdeu um pouco da sua rebeldia, alegria e criatividade com a morte dela.
"Ser fã é foda. É ser possuído por um estranho que você não pediu para encontrar, mas que invadiu sua vida por todos os sentidos pelo canto da sereia. É altamente provável que você nunca vá encontrar esse objeto de desejo frente a frente, como gostaria. Você paga para ver de longe um amor que nunca irá se consumar plenamente. E continua pagando em busca dessa oportunidade inatingível."
uma leitura muito gostosa sobre a rita lee conversando com um médico esquisitão sobre os artistas e seus fãs. o final me fez soltar uma risada sincera, o humor desse livro é no ponto. achei muito legal também a própria rita lee se colocar como uma fã em diversos momentos da história
Um livro divertido da forma que só Rita consegue ser. Parece um grande papo com a maior, onde a gente consegue se divertir bastante e refletir sobre quem damos espaço na prateleira de ídolos.
Termino a leitura desse livro me sentindo abraçada, que presente lindo, é incrível como ela pensou em tudo pra se despedir da gente da forma mais Rita Lee possível.