"Bem vistas as coisas, olhando para trás, nunca lhe faltou nada. Frequentou a universidade, arranjou um bom trabalho, casou com um homem respeitado no emprego e no pertido. E, no entanto, tem agora na mão um papel onde se lê que é refugiada num país sobre o qual pouco ou nada sabia.
Bem vistas as coisas, olhando para trás, estudou e começou a trabalhar fora de casa contrariando tudo o que esperavam de si. Desafiava estereótipos, era bem-sucedida. E, no entanto, tornou-se novamente estrangeira, obrigada a aprender o bê-á-bá de uma nova língua, a começar tudo de novo.
Bem vistas as coisas, olhando para trás, tinha uma família estável, um emprego, uma casa confortável, festas no jardim. E, no entanto, cá está ela numa cidade ainda estranha, a criar os filhos numa cultura diferente e a contar os dias para voltar a casa. Terá ainda casa?"
A autora acompanhou, durante mais de um ano, três mulheres, com origens muito distintas. Sandra do Zimbabué, Maryam do Afeganistão e Olena da Ucrânia. Nenhuma delas escolheu Portugal, os refugiados não escolhem.
Através das suas histórias abre reflexões sobre a forma como, no nosso país, tem sido tratada a questão dos refugiados. É bastante interessante a perspectiva relativamente às diferenças que têm que existir entre o acolhimento e integração das mulheres face aos dos homens.
Um tema complexo que requer abordagens diferentes e em relação ao qual há ainda muito a fazer. Independentemente disso, precisamos de mais empatia e menos discursos alarmistas relativamente à imigração.