Uma das principais obras de Aristóteles, além de uma das referências fundamentais para a reflexão filosófica sobre o agir humano do Ocidente. Aqui, o autor expõe suas concepções sobre virtude, racionalidade, teologia. A obra é dividida em 10 livros, e se inicia pela definição do objeto de investigação, o summum bonum, tarefa primordial de toda Ética, e aborda em seguida as temáticas relacionadas a essa finalidade, como a virtude moral e a virtude intelectual; entre outras, a coragem, a justiça, a amizade, o prazer, a felicidade, a temperança, a vida contemplativa.
A obra reúne dez livros que tratam, como o título indica, sobre a ética.
Inicialmente, o autor aborda a concepção do bem, mas, ao longo de suas lições, busca o viés prático em vez de apenas o abstrato.
Aristóteles aduz que ser feliz leva uma vida inteira, pois um breve período de felicidade não possui o condão de ser determinante. Assim, ele estimula o leitor a começar com um “esboço grosseiro para precisá-lo depois”, destacando o imenso poder do hábito.
O filósofo foi muito sábio ao defender que a virtude é o equilíbrio entre dois extremos viciosos — um por falta e outro por excesso. A título de exemplo, a coragem é a virtude (meio-termo) entre a covardia (deficiência) e a temeridade (excesso). Sobre o meio-termo, vale destacar dois pontos importantes feitos pelo autor: 1) A média não é calculada de forma aritmética sobre o objeto, mas sim de forma relativa a cada um de nós (atenção às peculiaridades); 2) Nem toda ação ou emoção admite meio-termo, pois algumas são intrinsecamente más, como a malícia e a inveja.
O filósofo ressalta a prudência (“phronesis”), que é a sabedoria prática para deliberar sobre o que é bom para viver bem. É por meio dessa capacidade que o indivíduo encontra o meio-termo.
É notável, também, como ele apresenta a justiça como o "bem do outro" e a amizade como a forma mais elevada de justiça ❤️.
O autor também esclarece, de forma sucinta, as três formas de constituição e as respectivas perversões de cada uma.
Ao final, expõe a importância da atividade contemplativa e do ensino das virtudes, tanto pelas pessoas próximas quanto pelo poder público.
Com a máxima vênia, discordo de dois pontos:
1) O conceito de humildade: Aristóteles a confere como o caráter correspondente à deficiência da magnanimidade. Para mim, a humildade é, em si, uma virtude. Conforme lecionado por C.S. Lewis em “Cristianismo Puro e Simples” e Timothy Keller em “Ego Transformado”, a humildade não é se considerar inferior, mas sim "pensar menos em si mesmo".
2) A limitação do divino: Discordo da concordância do autor com Agatão ao dizer que é negado ao divino "desfazer o que já foi feito". Creio que Deus é Soberano e nada pode impedi-Lo. Nas Escrituras Sagradas (2 Reis 20:8-11), há o testemunho de quando o Senhor fez a sombra recuar dez degraus, o que demonstra Seu poder sobre o tempo e o que já passou.
No mais, é uma obra brilhante! Recomendo a enriquecedora leitura!
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