A espécie que sabe, best-seller da poeta e filósofa Viviane Mosé, retorna à Civilização Brasileira em nova edição com texto inédito da autora que pensa a filosofia de modo acessível e poético.
Ao apostar na autonomia da razão, da ciência e da técnica, o sujeito moderno acreditou que conseguiria construir um mundo melhor do que aquele que lhe era oferecido pela natureza. Corrigir a natureza, no entanto, acabou por significar uma tentativa de corrigir a própria existência, pois não há como separarmo-nos da natureza, da qual somos parte e que nos constitui. Nessa tentativa, o ser humano acabou por provocar uma dissociação ainda maior entre alma e corpo. No seu próprio corpo e no corpo da natureza, por conseguinte, se fizeram ver reações adversas e efeitos colaterais da razão ao longo de todo o século na natureza, catástrofes ecológicas; entre países, guerras; nas relações sociais, bestialidades; para o corpo humano, em vez de mais alegria e potência, mais depressão e o boom observado na indústria dos psicofármacos.
Neste belo ensaio, Viviane Mosé nos mostra que o mundo não acabou; acabou apenas um certo ideal de mundo. Diante das pretensões que ruíram sob nossos pés, ela que valores queremos estimular ou rejeitar? Refazer um mundo talvez seja impossível para a cultura tradicional e niilista que tanto apostou nessa modernidade hoje em crise. Insuspeitamente, provoca-nos Mosé, talvez uma cultura afirmativa e criativa como a brasileira seja a que mais condições tem de se apresentar para essa tarefa de reinvenção do mundo. Por reinvenção entenda-se reinterpretação dos valores e reconhecimento do real. Com filosofia e poesia, a autora propõe uma nova racionalidade, não excludente, mas múltipla, que nos ajude não mais a desejar eliminar toda dor, e sim a vencer o sofrimento pela afirmação da totalidade da vida. Tendo Nietzsche por guia e trazendo para sua companhia outros grandes nomes da história da filosofia, em A espécie que sabe a autora estabelece as bases de uma nova educação que implique a apreensão, a valorização e a fruição estética da vida.
Viviane Mosé é uma filósofa pop que teve um quadro no programa televisivo dominical Fantástico por um certo período. Este é um livro que sempre via em destaque nas livrarias que visito. Ele versa sobre a possibilidade de saber o que sabemos. O nome "A espécie que sabe" foi mudado da versão original, cujo nome era "O homem que sabe", para ter um teor menos sexista. O livro traz insights bastante interessantes, como a origem e o sentido das proibições na existência humana, que geram o que entendemos por erotismo, o desvelar, o revelar, o ultrapassar limites. Outra parte interessante é a diferenciação entre epopéia e tragédia, o apolíneo e o dionisíaco. As partes iniciais do livro são muito mais interessantes que a terceira e última parte, em que parece que o livro muda seu teor e, em vez de se focalizar em temática, passa a explorar os pensamentos de filósofos como Hume e Kant, por exemplo. Isso quebra o fluxo fluido de leitura que vinha trazendo o leitor até aqui para uma parte menos interessante e mais enfadonha do livro. Sendo assim, parece que a Parte 3 é um livro com outro objetivo e linguagem.