From one of Brazil’s most acclaimed new literary stars, a twenty-first-century epic set in Rio’s largest favela.
Brothers Washington and Wesley work part-time at a restaurant as servers for kids’ birthday parties. After helping their mom out with the household expenses, they spend the extra cash on a bit of fun whenever possible, and get high on that good quality weed when it’s available. Douglas, Murilo, and Biel split an apartment, sharing everything from their joints to their chores, just a quick bus ride from the beach on Via Ápia, the main entry point and commercial avenue of the favela Rocinha in Rio de Janeiro.
The lives of these five young people are far from the ease and leisure that many associate with one of Brazil’s most photogenic, well-known cities. Still, they manage, and life on the morro, the hill, is good.
All of this gets upturned when, in November 2011, the UPP, Brazil’s militarized police unit, occupies Rocinha as part of the "pacification" efforts and the so-called war on drugs, in anticipation of the World Cup, the Olympics, and an influx of global tourism in Rio. Via Ápia is divided into three parts: the expectant anxiousness of waiting for the UPP invasion; the chaos born from their installation on the hill; and their silent withdrawal from the favela after one year.
Told in short bursts and marked by the charged chronology of the year and a half of the protagonists’ lives, Geovani Martins’s prodigious debut novel knits together the dramas and dreams of the favela during a peak of violence and unrest. Just like the boomboom-kat of Brazilian funk, the unbridled ambitions and the resolute friendships of his characters blare through Via Ápia, delivering a resonant counternarrative to the notion that violent interventions are the state’s only remedies to social problems. The favela retorts: Life, life is the answer.
Born in 1991, in Bangu, in Rio de Janeiro. He worked as a “plate man”, a cafeteria attendant, a waiter at a children's buffet and at a beach tent. In 2013 and 2015, he participated in the workshops of the Literary Festival of the Peripheries (“Flup”). He published some of his short stories in Setor X magazine and was invited twice to Flip's parallel programming.
É fácil entender o apreço da crítica por Geovani Martins. Mais ainda depois do sucesso de O Sol na Cabeça, que, de fato, é um ótimo livro de contos -- ágil, original na linguagem, trazendo uma visão de dentro sobre uma realidade que nos acostumamos a conhecer só nas páginas policiais. Para piorar o problema de altas expectativas, este Via Ápia foi altamente elogiado pela Nobel de Literatura do ano do seu lançamento.
Enfim, mesmo tentando tirar esse viés, é impossível ignorar os defeitos de Via Ápia. Primeiro, há menção a uso de drogas em praticamente todas as páginas do livro. Não basta deixar claro que o uso de drogas é parte central e inseparável da vida daquelas pessoas; em boa parte do livro, Martins faz uma espécie de disco do Planet Hemp literário, o que deve somar umas 100 páginas de referência à maconha e afins. Segundo, o que poderia ser um panorama do delírio carioca na época das UPPs e pré-grandes eventos esportivos, vira um retrato da Rocinha, sem nos deixar saber o que exatamente há de especial naquele pedaço da cidade. Também é clara (e louvável) a intenção de deixar claro o quanto é difícil para, quem lá cresceu, de lá sair, mas isso também poderia ser feito de forma mais econômica. Por fim, muitos personagens são, essencialmente, os mesmos -- gente "do bem", um pouco corrompidas por aquele ambiente, com alguns poucos traços que os distinguem.
Enfim, ainda ouviremos muito de Geovani Martins; que ele consiga superar a onda em torno do próprio nome e voltar a entregar boa literatura.
Bom do início ao fim ao que se propõe, Via Ápia é o retrato de como a literatura brasileira pode ser versátil e ainda assim excelente, mas, mais que isso, traz o cotidiano da desigualdade para mais próximo do leitor.
Narrado por cinco amigos habitantes da maior favela da América Latina, o escritor compõe um mosaico de sentimentos e sensações dos jovens que ali habitam, dos desejos, do racismo, das esperanças, da amizade, do medo ao futuro à incerteza do presente em uma obra que busca também esmiuçar o impacto do Estado e seus agentes na vida da população quando se propõe a implantar as UPP's nas favelas cariocas, que, traz sobretudo a morte ao seu encalço.
Narrando a vida dos amigos na Rocinha com seus vícios escancarados, alguns recreativos, outros não, o escritor pontua uma diferença essencial da vida na favela, em detrimento da imagem que as forças de segurança são ensinadas a combater, portanto, em um estado de tensão permanente, a cada virar de página o perigo está à espreita, mas há antes da morte, sobretudo vida, as vidas de Wesley, Washington, Biel, Douglas, Murilo e de todo um povo marginalizado que vive na favela, em um romance muito bom, com todos os adesivos que um bom romance contemporâneo pode ter. Eu adorei, não queria que tivesse acabado, espero também ler tudo que Giovani publicar.
Rocinha is Rio's biggest favela, built on a steep hill with around 70,000 people packed together.
In 'Via Apia' we follow five young guys trying to make a life for themselves in spite of the odds stacked against them. They all love their weed and I think that in 300 pages as many joints were lighted. In 2012, with Brazil's hosting the World Cup and the Olympics coming up, the state doubles down on crime and decides to intervene and take over the neighborhood with a feared police force (UPP).
I increasingly enjoyed this novel, it's light-hearted but with a serious message underneath. It felt a bit simple at the start as the main characters are primarily interested in scoring high quality weed, but gradually their plight becomes clearer as their lack of education, their class and race, limit their opportunities. Despite all their problems there is an atmosphere of joy, togetherness and being there for each other that I think few other places have.
Well worth your time if you want to learn more about life in a favela.
Esse é um daqueles livros que deveria ser leitura obrigatória para todo brasileiro, especialmente pros cariocas. Geovani Martins conta a história de um grupo de jovens da Rocinha que sofre na pele os efeitos da necropolítica do Estado apoiado na guerra às drogas. Essas vidas vão sendo afetadas pela implantação da UPP antes dos grandes eventos que ocorreram no Rio e deixaram um legado de ainda maior segregação. Que livro!
não percebi que eu tava tão envolvido com a história até chegar ao final e chorar com cada frase. douglas, você é o maior!! queria uma tatuagem pelas suas mãos <3
Via Ápia me marcou muito. Com mais de 330 páginas, o livro flui muito bem, e o autor consegue construir diálogos extremamente realistas. Em momento algum soa artificial, muito pelo contrário. Temos a impressão de estar ouvindo os diálogos, tamanho o realismo com que foram escritos. Além disso, os cinco protagonistas são ótimos e carismáticos, prendendo a atenção por todo o livro. O autor cria seres distintos, com sonhos e individualidades e por quem nutrimos imenso carinho ao longo de todo o livro. Em um momento político tão tenso como 2022, Via Ápia, pra mim, é fundamental pra tentar entender como um ser desprezível como Bolsonaro chegou ao poder, e em como a desigualdade sempre impera, em todos os níveis, e destrói com sua crueldade qualquer perspectiva de melhoria que se ouse ter. Até o momento, meu livro favorito de 2022. Recomendo muito.
comecei meio devagar e nas últimas 150 páginas grudei no livro e só soltei quando acabou. a história do washington, douglas, biel, wesley e murilo me fizeram rir e chorar e refletir. gostei muito da narração dos capítulos ser intercalada com a perspectiva de cada um dos meninos, e achei que eles foram construídos de forma que a gente cria carinho e também raiva pelas escolhas e acontecimentos! como se fossem a de um amigo próximo. acho que entrou pros 10 melhores do ano!
Melhor livro que eu li esse ano. Importante mostrar a realidade e o cotidiano na maior favela da América do Sul e da incapacidade e despreparo do Estado que faz de tudo para não ver o que acontece nos morros.
QUE livro! Eu ri, me emocionei, eu chorei, me identifiquei, levei um soco no estômago… Aqueceu o meu coração na mesma proporção que partiu ele também! É leve, divertido e também duro, realista. Te coloca dentro da Rocinha e te faz não querer sair dela!
É um livro para revisitar quando a saudade do Rio de Janeiro apertar 🖤 Daria mais estrelas se pudesse!
4,5. gostei de acompanhar e evoluir junto com esse grupo de amigos da Rocinha! Queria mais da mãe de Wesley, mais da Gleyce, mais do futuro, então se quero tanto o "mais" é pq curti bastante. rs
mano mto bom!! queria conhecer a rocinha pra poder visualizar ainda mais os lugares. o tipo de livro que vc quer ser amiga de todos os protagonistas, pra sempre no coração várias canetadas do autor tb #hablamismo
Eu achei o livro importante por me colocar na pele de um jovem morador da Rocinha. Das várias lições, marcou a percepção de que os policiais são mais imprevisíveis que os envolvidos no tráfico e por isso mesmo mais perigosos para os moradores.
Há, neste livro, um trecho em que um dos personagens, depois de uma temporada fora da Rocinha, no Rio de Janeiro, volta ao morro e o autor, pela mestria em entender a narrativa que conta, escreve sobre a importância da linguagem para a construção e validação de uma identidade. Isso não é spoiler, não interferirá em momento algum a sua experiência de leitura. Mas é importante citar esse momento aqui para que você, no papel de leitor, entenda a dimensão da narrativa que tem em mãos. A língua é viva e se ainda há qualquer tentativa de dizer certo ou errado, formal ou informal, haverá também é por isso o não entendimento de como funcionam as dinâmicas sociais neste nosso país. Centrado na maior favela da América Latina, no pulsar de um dos maiores centros de cultura do Rio de Janeiro e suas muitas possibilidades, o livro é hábil em nos apresentar - ou melhor, em nos despertar, nos descongelar - para a humanidade por detrás das estatísticas, potencializando vozes que o aparato estatal mantém mudas, cavando lugares que as iniquidades frequentemente proíbem. Talvez o triunfo esteja nos diálogos, na fluidez de sua interface natural da narrativa com o leitor, diante daquilo que nós, representando individualmente cenários, históricos e realidades distintas e, por isso mesmo, em diferentes camadas de preconceitos e vieses, pensamos conhecer e entender daquilo que nos contam, inventam ou perpetuam. O narrador desta história não é personagem, mas é uma voz potente, comunitária. Livraço!
Esse é o Capitães da Areia do séc XXI com Rio de Janeiro de cenário. Jorge Amado, corre aqui e aprova esse update.
Via Ápia é bom por vários motivos - mas como sou carioca, eu quero destacar o quão bem-sucedido é enquanto autópsia literária (ficcional, pero no mucho) do famigerado projeto das UPPs no Rio de Janeiro, idealizado pelo governo criminoso do PMDB. Estava faltando mesmo um olhar histórico sobre as UPPs e tendo sido bombardeada com a versão do governo e da imprensa por anos, sinto que o livro era a peça que faltava para entender de vez o que aconteceu ali.
O livro te mantém em um estado permanente de apreensão - você sabe que algo muito ruim vai acontecer em algum momento. Um artifício do autor, que quer mostrar ao leitor o que é viver a vida toda com o sentimento de que uma catástrofe te aguarda na próxima esquina.
Que Geovani abra caminhos para mais escritores como ele e que a galera da “pista” esteja aqui para ler, divulgar, apoiar e premiar esses trabalhos. Apenas uma pessoa vinda da favela pode escrever um relato - ainda que ficcional - representativo do que é a vida na favela. Essas narrativas sim vão trazer as peças que faltam pra você entender o que é essa guerra institucional contra os pretos, periféricos, pobres e favelados - e decidir de que lado você está.
Pela primeira vez acreditou que, talvez, de algum jeito muito estranho, aquilo fosse a realidade, e o pesadelo dos últimos dias, aquela dor no peito, aquele nó na garganta, não passavam exatamente de um pesadelo. Washington segurou o portão pro irmão entrar. — Você primeiro
flip 2022!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Via Ápia is the main street of the town of Rocinha, in southern Rio, not far from the beaches of Ipanema and São Conrado. Though part of the city, drug barons are the power here, though not with the sort of mass violence associated with Mexico.
This is a favela, a lawless shanty town often associated with poverty and depression, a slum. But Martins presents the young people in a much more positive light, they want to live their lives, have some fun, and be left alone.
In particular, it is the story of Wesley and Washington, school dropouts who work marginal jobs in a restaurant catering to children’s birthday parties, and their friends and roommates. In their early twenties, they endeavour to make enough money for beer, cigarettes, and marijuana, though as the novel progresses, also cocaine.
They have ambition, one friend to be a tattoo artist, Wesley to buy a motorbike and own a taxi business, but none outside of Rocinha. None of the boys has a father figure, and their mothers, while present, have no time or influence on their sons.
This is 2011 though, and the second half of the novel is concerned with the police clean-up, unsurprisingly corrupt and violent, for the upcoming World Cup and Olympics. The scenario Martins presents has enormous potential for a novel, but he gets caught up in descriptions of the drug dominated world his cast inhabit, rather than giving their characters any depth. The dialogue on drug-taking is overdone. Though inevitably, it dominates the boys’ lives, such interactions don’t move the story on, and is ultimately frustrating.
Livro mais cativante que li nos últimos tempos. Cheio de críticas nas entrelinhas, recheado de uma linguagem realista e crua como a vida.
O livro conta a história de cinco amigos que têm suas vidas conectadas pela Rocinha - que sozinha pulsa e exala vida. Cada capítulo é narrado quase como se fosse um diário, marcado por data e local, sempre alternando a narrativa entre os amigos. A trama tem uma linearidade cronológica de como era a vida e a rotina dos moradores do morro até a chegada da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), e aos poucos vai mostrando no que a vida se tornou após a invasão policial. A cada capítulo suscita um suspense crescente e a iminência de que algo trágico irá acontecer a qualquer momento, deixando sempre um suspiro a cada última página e o medo do que acontecerá após os muitos dias ou semanas que separam um capítulo do outro. Esse livro dá aula de maneira muito sucinta sobre o abismo entre classes sociais e racismo.
Este livro é uma ode à vida, mesmo permeada pela morte. É sobre resistir às amarras da opressão pelo magnetismo da vida. Porque "era a vida, sempre ela e nunca a morte - o que fazia aquele chão tremer".
Geovani does an excellent job of authentically showing life in the favelas and giving a glimpse into the lives of the central characters Washington, Wesley, Murillo, Douglas, and Biel. The book never encapsulates these characters as just impoverished young boys but dives into their motivations, struggles, and dreams. However on the other hand it also doesn’t glamorize the harsh realities of the favelas in Rio. Geovani walks this fine line masterfully in Via Apia.
Via Apia me deixou sem fôlego desde o início. A narrativa constrói a triste certeza de que a tragédia se aproxima, mas quando ela chega, te pega desprevenido.
Uma história linda e triste, contada de forma extremamente envolvente. Não poderia recomendar mais.
Adoro os livros de Geovani Martins e a realidade que ele expõe neles. A história não me prendeu tanto assim o tempo inteiro, mas eu amei o jeito que vários aspectos (bons e ruins) da vida no morro são abordados. O final é de embrulhar o estômago, mas MUITO real. Recomendo super
Extremamente imersivo e delicioso de ler, fluiu de um jeito incrível. Foi ótimo experimentar a linguagem coloquial na literatura desse jeito e a maneira com que ela foi empregada enriqueceu muito não só o cenário, como a relação entre o leitor e os personagens de um jeito talvez inédito para mim, ainda deixando espaço para a profundidade e poesia. Recomendo super
os dias vão passando um depois do outro e todo dia ninguém tem tempo pra outra coisa, quando a gente é jovem, e principalmente quando a gente é pobre, o futuro é sempre uma ameaça e uma promessa. na metade do livro eu chorei meio sem saber dizer o motivo, só porque eu gosto muito dos meninos. eu sou todos eles sem nunca ter ido no rj.
(li ouvindo o babylon by gus vol.1 - o ano do macaco, do black alien)
Escancarando o racismo estrutural num cotidiano que te transporta pra rotina de 5 meninos pretos que moram na Rocinha, maior favela do Brasil, antes, durante e depois da ocupação das UPPs Geovani trás no romance questionamentos que orbitam minhas reflexões há alguns anos mas do alto do privilégio branco é sempre difícil lembrar o quão recorrente os absurdos acontecem e que precisamos lutar muito para que o genocidio seja só uma lembrança amarga na história.
um livro envolvente como há muito tempo eu não lia. tem algumas questões de estrutura e eu não amei tanto o final, mas o livro tem um mérito inegável de envolver sem apelar. excelente livro para usar em sala de aula, capaz de mobilizar debates não só sobre o contexto histórico e social do rj, mas sobre a construção da narrativa em si. muito bom!
Historia de cinco jovens que moram na Rocinha e tentam sobrevir com seus correr e enfrentam a instalação da UPP! Incrível, maravilhoso, soco no estômago