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Políticas do encanto: extrema direita e fantasias da conspiração

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Movidas a algoritmos que potencializam discursos de ódio e administradas por bilionários ultracapitalistas muito bem relacionados com a nata do conservadorismo internacional, as redes sociais se tornaram um jardim florido para a extrema direita — e um atoleiro para a esquerda — no Brasil e no mundo. A partir dessa constatação, que hoje em dia não é segredo para ninguém, Paolo Demuru se propõe corajosamente ao arriscado desafio de pensar e propor saídas que comecem por um uso diferente, mais sagaz, das plataformas digitais — já que, queiramos ou não, elas se tornaram o principal espaço de disputa ideológica e eleitoral da atualidade, e não podem ser ignoradas — e deságuem em estratégias de reencantamento com os ideais políticos realmente emancipatórios, sobretudo na dimensão off-line, longe das telas dos smartphones, tarefa da qual as forças progressistas já foram capazes antes de se tornarem tristes defensoras de uma ordem injusta e desigual.

154 pages, Kindle Edition

Published August 19, 2024

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Paolo Demuru

5 books2 followers

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Eduardo Lima.
234 reviews3 followers
December 17, 2025
ótimas reflexões sobre comunicação política e a necessidade de se aventurar a sonhar mais como esquerda. o experimento formal do último capítulo não funciona como literatura, mas é interessante como tentativa.
Profile Image for Rita Tomás.
135 reviews11 followers
April 12, 2026
“As fantasias de conspiração satisfazem o desejo das pessoas de se sentirem diferentes, mais inteligentes que outras.

Quem toma a pílula vermelha e enxerga finalmente "A Verdade" é atravessado pela emoção vertiginosa da descoberta dos segredos do mundo, pelo prazer de pertencer a um pequeno grupo de iluminados que realmente sabe o que está acontecendo, pelo gozo de fugir à mediocridade, à mesmice, aos automatismos e à solidão em que a sociedade capitalista nos mantém confinados.

As fantasias de conspiração não oferecem apenas respostas simples a questões complexas; elas entregam a experiência do maravilhoso em um mundo onde a maravilha está em falta.”
9 reviews
August 12, 2024
"Políticas do Encanto" de Paolo Demuru é uma obra que se destaca por sua crítica incisiva à forma como abordamos o populismo conspiratório. O livro é notável por questionar a eficácia do debunking — o ato de expor a falsidade de ideias ou crenças — como uma estratégia para combater essas fantasias. Demuru identifica essa abordagem como parte de um "supremacismo racionalista," que ele acusa de ser insensível e, em última análise, contraproducente.

O autor argumenta que as teorias conspiratórias desempenham um papel importante ao reencantar o mundo, oferecendo narrativas que capturam a imaginação e preenchem um vazio emocional e existencial que o racionalismo, com seu foco em desencantar e desmistificar, não consegue suprir. Demuru sugere que, em vez de apenas tentar desmontar essas narrativas, deveríamos nos concentrar em criar novas formas de reencantamento.

Ele aponta como exemplo os movimentos de ocupação e a Primavera Árabe no início dos anos 2010, que, de acordo com o autor, mostraram a possibilidade de um reencantamento político e social, oferecendo uma alternativa vibrante e criativa ao desencantamento promovido pelo racionalismo moderno. Essas experiências coletivas e participativas, segundo Demuru, foram capazes de inspirar e mobilizar as massas de uma forma que o mero debunking jamais poderia alcançar.

A crítica central de Demuru reside na necessidade de repensar as estratégias políticas e comunicativas em uma era de populismo conspiratório, onde a batalha não é apenas pela verdade, mas pelo próprio imaginário coletivo.
Profile Image for Marcella.
107 reviews3 followers
July 14, 2026
"Dificilmente crenças mágicas fincadas na epiderme trêmula do corpo social são abatidas com a força da razão" (Demuru, Paolo, loc. 862)

"Lula subiu a rampa ao lado de representantes do povo brasileiro, estava reinventando a história do país, construindo e concretizando, ao vivo, uma nova utopia política — sem nenhuma menção a Bolsonaro, sem deixar que sua ausência se tornasse, de algum modo, presente." (Demuru, Paolo, loc. 1347)

"relembrar que a política tem seus encantos, e que o encanto também é política." (Demuru, Paolo, loc. 1393)

"Estratégia ineficaz, diz ele. — Sim, porque soa esnobe e arrogante. E, pior, é fria, no sentido de que não cativa, não mexe nos ânimos das pessoas, e se não mexer nos ânimos já era, as pessoas vão continuar acreditando naquilo que acreditam, por mais absurdo que pareça." (Demuru, Paolo, loc. 1447)

"expressões como “que absurdo” ou “que vexame” usadas para criticar uma pizza na rua são elitistas, revelam uma visão aristocrática da sociedade. — Não é? Como se fosse necessário agir sempre conforme as etiquetas da política tradicional: vestir terno e gravata, comer em restaurantes chiques. — Suprematismo estético." (Demuru, Paolo, loc. 1514)

"O que importa não é nem a fake news em si, quão bem ela é construída, quão verdadeira ela parece, se ela vai levar alguém a acreditar no helicóptero da Havan ou não; o que importa é outro efeito, aparentemente secundário, mas nem tanto: deslocar o foco do debate, fazer com que nos engajemos nas pautas erradas, gastar nossas energias nessa ridícula guerra do ridículo." (Demuru, Paolo, loc. 1696)

"É possível quebrar o feitiço extremista, mas para isso não precisamos de mais indignação; precisamos de mais entusiasmo. Diferentemente da indignação, o entusiasmo é uma paixão que descreve não apenas um estado de ânimo, mas uma disposição à ação." (Demuru, Paolo, loc. 1774)

"sempre mais perdedores do que vencedores, muitos tiveram suas expectativas frustradas. E, quando isso aconteceu, em vez de culparem quem os privou de direitos fundamentais em prol do enriquecimento de poucos, abraçaram fantasias de conspiração que lhes contavam sobre a existência de uma elite corrupta que favorecia injustamente minorias que não mereciam esse apoo (indígenas, migrantes, LGBTQIA+), as quais começaram a ser apontadas como as resposnáveis por seus fracassos." (Demuru, Paolo, loc. )

"Na base do ódio há sempre uma frustração mal resolvida, um ressentimento que busca expressão. O populismo conspiratório supre essa exigência, dando vazão a essas cargas emocionais, transformando-as em novos encantos e transes coletivos." (Demuru, Paolo, loc. )

"Um discurso baseado em estratégicas cognitivas e argumentações lógico-jurídico-racionais nada pode contra um discurso fantástico e maravilhoso, que cativa, encanta, envolve e contagia. Dificilmente crenças mágicas fincadas na epiderme trêmula do corpo social são abatidas com a força da razão - se é que ainda exista alguma força na razão que temos usado e defendido." (Demuru, Paolo, loc. )


4/5 ⭐

Li o livro para o Clube do livro Duas e Tanto. Ótimo livro que discute como devemos abordar essa crise de dissonância cognitiva do bolsonarismo. Me peguei tentando pensar em formas práticas de como deveria aplicar essas "dicas" com meu avô que foi levado para extrema, ou com o irmão de uma colega, que agora abertamente se declara redpill.
Ao mesmo tempo que entendo a visão do autor, fico com tanta raiva de ter que tratar pessoas adultas como crianças (comparação inclusive usada pelo autor) para discutir política e os rumos de um país. Deixada a raiva e indignação de lado (também uma dica do autor), fico interessada na discussão sobre como trazer essas pessoas de volta para o campo democrático? como voltar ao debate? como parar de discutir ABSURDOS? parar de deixar que os absurdos pouco importantes dominem a pauta, parar de deixar que a dicussão seja mamadeira de pi***** e volte a ser igualdade salarial, direitos trabalhistas, economia forte, voltar a um debate de ideias

uma estratégia muito legal do livro é "sair do mesmo lugar", começar a discussão com "nós dois queremos que a economia melhore", "nós dois queremos um Brasil melhor", desarmar e chegar junto e não de um lugar de supremacismo racional.

Conclusão:uma visão muito boa sobre encantos da política. Especialmente adorei o capítulo final que tenta trazer de um jeito diferente discussões sérias, aplicando o que ele mesmo ensina
Profile Image for Kristhine Silva.
10 reviews
May 8, 2026
É possível quebrar o feitiço extremista, mas para isso não precisamos de mais indignação; precisamos de mais entusiasmo. Diferentemente da indignação, o entusiasmo é uma paixão que descreve não apenas um estado de ânimo, mas uma disposição à ação. O entusiasmo, como se diz em semiótica, é uma “paixão do fazer”. O entusiasmo é aquela paixão “que nos leva a agir entregando-nos totalmente, a nos empenhar com todas as nossas energias em um determinado projeto” (Lancioni, 2009, p. 162).
26 reviews
March 9, 2025
Adorei esse livro! Leve, importante e divertido! Fez eu refletir muito e tentar ter mais empatia com os bolsonaristas. Afinal, que não quer se maravilhar-se e viver uma ilusão? Como publicitária de formação, achei muito interessante as análises de forma e semiótica, porque toda narrativa tem sua verdade em si. Sensacional
Profile Image for Luisa Fedrizzi.
36 reviews14 followers
August 12, 2025
a análise do contexto é boa, ele amarra com clareza muito do estamos vendo, vivendo e sentindo com a extrema direita e outros fenômenos relacionados - tudo isso acontece na primeira parte do livro e é um bom contorno pro momento. mas a segunda, mais propositiva, deixa bastante a desejar. fica rasa e muito idealista, pouco concreta.
Profile Image for Carolina.
15 reviews
June 13, 2026
Li o livro após entrar no Clube do Livro do Podcast “Duas e Tanto” (altamente recomendado!) porém senti que, para mim, faltou algo de mais prático, mais tangível para alcançarmos esse tão desejado objetivo de Reencantar-se. Mas vale muito a leitura.
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