Movidas a algoritmos que potencializam discursos de ódio e administradas por bilionários ultracapitalistas muito bem relacionados com a nata do conservadorismo internacional, as redes sociais se tornaram um jardim florido para a extrema direita — e um atoleiro para a esquerda — no Brasil e no mundo. A partir dessa constatação, que hoje em dia não é segredo para ninguém, Paolo Demuru se propõe corajosamente ao arriscado desafio de pensar e propor saídas que comecem por um uso diferente, mais sagaz, das plataformas digitais — já que, queiramos ou não, elas se tornaram o principal espaço de disputa ideológica e eleitoral da atualidade, e não podem ser ignoradas — e deságuem em estratégias de reencantamento com os ideais políticos realmente emancipatórios, sobretudo na dimensão off-line, longe das telas dos smartphones, tarefa da qual as forças progressistas já foram capazes antes de se tornarem tristes defensoras de uma ordem injusta e desigual.
ótimas reflexões sobre comunicação política e a necessidade de se aventurar a sonhar mais como esquerda. o experimento formal do último capítulo não funciona como literatura, mas é interessante como tentativa.
"Políticas do Encanto" de Paolo Demuru é uma obra que se destaca por sua crítica incisiva à forma como abordamos o populismo conspiratório. O livro é notável por questionar a eficácia do debunking — o ato de expor a falsidade de ideias ou crenças — como uma estratégia para combater essas fantasias. Demuru identifica essa abordagem como parte de um "supremacismo racionalista," que ele acusa de ser insensível e, em última análise, contraproducente.
O autor argumenta que as teorias conspiratórias desempenham um papel importante ao reencantar o mundo, oferecendo narrativas que capturam a imaginação e preenchem um vazio emocional e existencial que o racionalismo, com seu foco em desencantar e desmistificar, não consegue suprir. Demuru sugere que, em vez de apenas tentar desmontar essas narrativas, deveríamos nos concentrar em criar novas formas de reencantamento.
Ele aponta como exemplo os movimentos de ocupação e a Primavera Árabe no início dos anos 2010, que, de acordo com o autor, mostraram a possibilidade de um reencantamento político e social, oferecendo uma alternativa vibrante e criativa ao desencantamento promovido pelo racionalismo moderno. Essas experiências coletivas e participativas, segundo Demuru, foram capazes de inspirar e mobilizar as massas de uma forma que o mero debunking jamais poderia alcançar.
A crítica central de Demuru reside na necessidade de repensar as estratégias políticas e comunicativas em uma era de populismo conspiratório, onde a batalha não é apenas pela verdade, mas pelo próprio imaginário coletivo.
Adorei esse livro! Leve, importante e divertido! Fez eu refletir muito e tentar ter mais empatia com os bolsonaristas. Afinal, que não quer se maravilhar-se e viver uma ilusão? Como publicitária de formação, achei muito interessante as análises de forma e semiótica, porque toda narrativa tem sua verdade em si. Sensacional
a análise do contexto é boa, ele amarra com clareza muito do estamos vendo, vivendo e sentindo com a extrema direita e outros fenômenos relacionados - tudo isso acontece na primeira parte do livro e é um bom contorno pro momento. mas a segunda, mais propositiva, deixa bastante a desejar. fica rasa e muito idealista, pouco concreta.