Perfeito.
Depois de ouvir a Tânia Ganho no podcast Livra-te fiquei rendida à sua eloquência e sensibilidade. Apesar de querer ler o Apneia há muito tempo, achei que seria boa ideia começar por este livro que tanto me cativava. Decidi comprá-lo na minha tradição anual de oferecer um livro a mim mesma para ler no Natal e assim fiz: na noite de 24 comecei e acabei este livro maravilhoso e, apesar de ser um livro triste, é um livro perfeito para ler naquela que é considerada a noite da família. Este é um auto-ficção, que já se tornou um dos menus géneros favoritos, e que aborda o pai da autora e a sua luta com o Alzheimer. É um livro sincero, doloroso, que não põe paninhos quentes numa dor que é avassaladora, antes nos permitindo entrar no sofrimento de uma filha que perdeu o pai e que tem que aprender a viver sem ele. Uma escrita perfeita, simples, direta, maravilhosa. Adorei tudo.
“Havia todo um mundo que se encerrava naquele dia e eu precisava do meu pai para enfrentar o resto da vida. Era como se, deixando de ser a menina do papá, fosse obrigada a crescer, a ser adulta, e eu não queria ser adulta. Já o era há muitos anos, e já o perdera há muito tempo, mas a finitude do caixão, do corpo frio, de mãos entrelaçadas no peito, fez-me sentir que uma parte de mim morrera. A menina.”
TW: luto, morte de progenitor