Tânia Ganho was born in Coimbra, in 1973, and starting writing at an early age. When she was 12, she won a national literary competition, "Ler Melhor para Viver Melhor", but it was only in 2005 that she decided to publish her first novel, "A Vida Sem Ti" ("Life Without You", Oficina do Livro), followed by "Cuba Libre" (Oficina do Livro, 2007), "A Lucidez do Amor" ("The War Wife", Porto Editora, 2010) , "A Mulher-Casa" ("La Femme-Maison", Porto Editora, 2012), and "Apneia" (Casa das Letras, 2020), a disturbing story about domestic violence and child abuse.
"Apneia" was semifinalist of the Oceanos Prize and finalist of the Bertrand Prize for Best Portuguese Novel of the Year. In 2021, Tânia Ganho won a six-month literary grant from the Ministry of Culture in order to write her next novel, set in Lisbon and in a wolf conservation centre.
In 2012, she won the Cidade de Araçatuba Brazilian Prize for best international short-story.
Tânia Ganho taught translation as guest lecturer at the University of Coimbra and has been working as a literary translator for the past two decades. She has translated authors such as Angela Davis, Maya Angelou, Amor Towles, Alice Walker, Leïla Slimani, Rachel Cusk, Chimamanda Adichie, David Lodge, Hervé Le Tellier, among many others.
She is regularly invited to participate in literary festivals and to give talks on translation and writing.
“Será possível falar do luto sem falarmos de nós ?“
Perdi este ano uma irmã muito chegada e querida . Tenho, desde que ela morreu, abrandado na minha sede de leitura . Tenho entre mãos as memórias do Manuel Alegre mas o aparecimento deste livro da Tânia Ganho sobre o tema da perda do Pai e ainda por cima pequenino, veio interromper a leitura em que me ia arrastando . Ouvi entretanto dois podcasts com ela : geração 70 com o Bernardo Ferrão e um episódio da Casa Feliz com o João Baião . É uma mulher forte com ideias próprias e admiro-a por isso. Gostei do livro e ajudou-me a passar por estes dias difíceis . Gostaria de saber escrever como ela . Tinha tanto para dizer….
“Em suma: embora trate um tema muito triste, a verdade é que me parece uma das leituras mais imperdíveis dos últimos tempos — e só posso recomendar este pequeno livro.”
[COMENTÁRIO] ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ "O meu pai voava" Tânia Ganho
Faz hoje quatro anos que o meu pai partiu. Tal como em anos anteriores escolhi um livro sobre o luto para me acompanhar neste dia. [em anos anteriores li José Luís Peixoto e Chimamamda Adichie, um texto traduzido, coincidentemente, pela Tânia Ganho] A autora portuguesa, numa escrita sentida descreve alguns dos momentos mais intensos e duros do processo de luto. Aqueles momentos em que a dor tolda tudo, em que gritamos, os momentos de choro profundo, a dor da saudade que permanece em cada dia e, afinal, nunca passa. Essa multitude que é o processo de luto que a Tânia descreve com o deslumbramento de quem está num território verdadeiramente desconhecido apesar do que possamos ter lido ou estudado. Em pequenos textos conhecemos e admiramos o Dr. Edmiro Gomes da Silva. Até porque a Tania nos apresenta esse homem que nos "diverte" com as pequenas histórias do seu pai, da família e da cidade que bem conheço. A leitura deste texto foi, no dia de hoje, o bálsamo para a dor e a saudade que sinto em relação ao meu pai e a sua morte em 2020. Obrigado Tânia. Ao escreveres assim sobre o teu pai estavas a escrever sobre o meu. Ler-te hoje foi aquele carinho que necessitava. Quero muito te abraçar, e agradecer, na próxima vez que nos encontrarmos. Obrigado.
“Havia todo um mundo que se encerrava naquele dia e eu precisava do meu pai para enfrentar o resto da vida. Era como se, deixando de ser a menina do papá, fosse obrigada a crescer, a ser adulta, e eu não queria ser adulta. Já o era há muitos anos, e já o perdera há muito tempo, mas a finitude do caixão, do corpo frio, de mãos entrelaçadas no peito, fez-me sentir que uma parte de mim morrera. A menina.”
Hoje, dois anos após o seu falecimento, termino esta leitura mergulhada na saudade e no amor genuíno que o meu pai sempre me dedicou…
Aqui, trata-se de um relato pessoal, íntimo e emotivo, mas não deveras singular, porque nos revemos nele e encontramos sentimentos que nos são tão comuns: a perda, a orfandade e o luto. Belíssima homenagem, nas palavras e no conteúdo!
Conheci a Tânia através dos livros. Os livros que traduziu e os que escreveu. Alguém que se admira à distância. E que se deseja conhecer pessoalmente, apenas por sentir uma inexplicável empatia. Talvez nada inexplicável. A linguagem aproxima. E este livro, transportou-me para um passado com algumas memórias afetivas comuns.
O pai. O meu pai era um acelerado despistado muito inteligente. Um faz tudo, electricista de automóveis de profissão que, não pode estudar e era a maior mágoa da sua vida. Ateu. O que temia era envelhecer ou adoecer.
A simplicidade de amar. Esta é para mim a linguagem comum, resultante daquele modelo de ser e estar que tinha tanto de rigoroso como de livre. Chorei no comboio enquanto o lia. Eu que raramente choro. E não serei a única pessoa a ler este livro e a sentir tanto. Tanto passado. Não o senti como triste ainda que me tenha feito chorar. Terno, talvez. Visceral. Saudade é uma palavra com muito sentido neste tributo de uma filha a um pai. Especial este livro. E que obrigatoriamente se lê sem parar. Eu li.
"O meu pai voava" é um livro de memórias, uma homenagem que Tânia Ganho faz ao pai, que morreu em Fevereiro deste ano.
É um livro muito triste e muito bonito também. Eu admiro muito as pessoas que têm a coragem e a capacidade de pegar em momentos de dor e tristeza e transformá-los em literatura, em arte. É um belo livro e uma bela homenagem
Pode ser um livro doloroso de ler, dependendo das vivências de cada um, e emocionei-me em algumas passagens. O luto é uma coisa muito íntima, muito pessoal, mas que ao mesmo tempo é algo universal, algo pelo qual todos nós passamos.
Andava há meses sem conseguir pegar num livro e ler de uma ponta à outra. Pego em livros de não ficção para a minha investigação e pouco mais. Estou prestes a emigrar e eis que a fazer umas últimas compras necessárias passo na Bertrand e vejo este livro de memórias da querida Tânia Ganho, que eu nem sabia que existia. Trouxe-o comigo de férias nos únicos três dias de férias que vou ter este ano. Li-o de uma ponta à outra na primeira tarde. E estou convencida que este é também o livro que me vai voltar a fazer escrever no blogue e quem sabe num novo projecto. Porque o luto é este oceano bravo, com o qual já me sinto demasiado familiarizada, mas que nunca me deixa de surpreender, ao mesmo tempo que me acolhe e me protege. Foi assim que me senti ao ler O Meu Pai Voava. Um reconhecimento profundo, silencioso e implacável, de como a nossa memória nos exige reconhecimento, amor, tristeza e dor, ao mesmo tempo que nos tenta escudar de marcas transversais. Um luto sem expressão é um luto não processado, não apaziguado. E a paz é essencial.
Um belíssimo relato de um momento de intensa dor que é, simultaneamente, comovente e um amargo de boca. Tânia Ganho transforma as subtilezas do quotidiano, os diálogos, a dor do abandono e as reticências da doença em momentos de rara beleza.
Esta é a palavra que define este livro. Tânia Ganho fala de assunto sensível, difícil, um pelo qual todos nós passamos e fala dele na primeira pessoa.
As memórias são dela mas tornam-se nossas.
As semelhanças são muitas mas são poucas as diferenças.
Tânia fala de mestrias literárias ao descrever outros autores, eu, sem conhecendo ainda nenhum outro livro dela, atribuo-lhe essa mestria.
O luto é processado de maneira diferente por cada um de nós, com várias fases, Tânia descreve-o também como "uma tristeza subterrânea".
A morte também muitas vezes desejada como algo súbito, depressa queremos que acabe a nossa história quando chegar a nossa vez mas, um tio de Tânia, fez toda a família reunida um dia rir, dizendo: "quero morrer devagarinho". Como a autora refere, "talvez na esperança de se escapulir."
Os truques da memória como... a... recordamos (?!?). Como uma mesma memória tem cantos e recantos diferentes para cada pessoa que a experienciou.
Páro de ler ao fim de duas, três páginas porque as lágrimas me vêem aos olhos sem aviso e eu apenas não estou a conseguir focar as letras, apercebendo-me assim que o choro chegou. Sem aviso. Como o luto. Como ler este livrinho que antecipava ser bom, antecipava ser difícil e emotivo, mas chegou-me, li-o numa tarde e há dois dias que o acabei, não parando de falar nele.
A morte é o tema principal que deve ser tratado por tu.
O que acontece connosco até ela chegar e como afecta os outros à nossa volta...
O vazio. A impotência. A revolta. A dor. A apatia.
Um hino ao amor. À admiração. Ao que nos ensinam e que fica.
E a frase que me ficou de "O meu pai voava" e que tão bem descreve o luto nas nossas vidas:
"Verto palavras, de uma licoreira para um copo, e rapidamente a garrafa fica vazia".
Que livro bonito e esperançoso . Numa bonita catarse, a autora homenageia o seu pai de forma sublime. Senti que esta morte não era só dela mas infelizmente pertença a todos nós. Que os nossos entes queridos vivam sempre em memória. Páginas de pura ternura e expiação de uma forte dor.
Ainda não me tinha cruzado com a escrita da Tânia Ganho, muito pelo facto de me escusar a ler o Apneia, depois de muito ler sobre os temas que aborda e o enredo - nada contra, mas é uma realidade que vivi demasiado perto e durante demasiado tempo para agora ter qualquer vontade de lhe regressar, ainda que por meio da literatura. Assim, ainda não conhecia a escrita sensível e clara, lúcida mas com uma precisão vocabular encantadora que aqui se encontra. Curiosamente também me escuso, por falta de vontade, a leituras sobre o luto, mas esta soube-me bem, talvez por partilhar a cidade natal da autora, por também ser filha de médicos e reconhecer pequenos elementos idiossincráticos desses universos que partilhamos, apesar de distantes. O meu pai voava é um livro muito bonito, ultrapassando a função de um relicário pessoal do luto - que serve mais quem escreve do que o leitor - e passando a obra literária de mérito próprio. Estou muito curiosa para ler ficção da autora.
o que dizer deste pequeno grande livro? adorei-o com todo o meu coração, emocionei-me e revi-me em muitas passagens.
fiquei encantada com a escrita de Tânia Ganho, conhecendo-a pelas suas traduções, sei agora que também quero conhecer as suas palavras, a autora.
li-o no Kobo (está disponível no Kobo Plus) e foi uma experiência fantástica de leitura, vou mais longe e até afirmo que neste caso preferi a leitura do ebook.
isto porque após terminar, soube que queria ter o livro físico e apesar de já o ter visto e folheado em livrarias, quando chegou às minhas mãos e fui reler as minhas passagens favoritas, percebi que se o tivesse lido em formato físico, poderia não ter sido tão agradável, dado o tamanho do livro e de letra.
mas que isto não desencoraje a quem quer ler, vale cada segundo passado na sua companhia e é um pequeno tesouro que guardamos nas nossas bibliotecas pessoais. um livro a que podemos voltar as vezes que quisermos, para não nos sentirmos sós nesta experiência que é viver a perda de alguém.
aconselho muito a quem, como eu, vive o luto de um Pai. mas também a quem quer entender uma pequena percentagem do que é a perda ou simplesmente para quem quer refletir sobre este assunto. para mim, ler sobre a finitude da vida, faz-me parar para pensar na minha própria vida, na pessoa que eu sou hoje. faz-me pensar nas minhas atitudes, em quem eu tenho sido comigo mesma e com os outros à minha volta.
«A que nos reduzimos nós na memória de quem deixamos para trás? Que sobrará de mim quando eu morrer?»
«Gostava de ter guardado um frasco de aftershave do meu pai.»
A morte é um fantasma que todos carregamos, pese o lugar especial que alguns de nós (eu incluído) julgam ocupar e, desse jeito, mantê-la (felizmente) ao largo durante grande parte da vida.
Neste livro, o primeiro que li da autora, Tânia Ganho escreveu primorosamente sobre a perda do pai e o processo de luto. Fá-lo na exacta medida da qual transparecem a sua dor, dúvidas, desnorte e contrastes, sem contudo cair na exposição voyerista de uma intimidade gratuita. Uma elegância ao alcance de poucos.
Nunca passei pela morte de um progenitor apesar de um deles (a minha mãe) estar a requerer cuidados cada vez mais exigentes. Foi nesta fracção que me revi nas palavra de Tânia Ganho. Em tudo o mais, li a sua dor e não consigo imaginá-la em mim. Ou melhor, consigo, na certeza de que, quando chegar, será muito pior do que antecipo.
Um livro triste e bonito; sincero e honesto; a intimidade numa obra de arte.
Mais do que ser um livro sobre perda, é um livro de homenagem ao pai e que tem frases e pensamentos lindíssimos. A escrita pode mesmo fazer-nos expor o que de mais íntimo e belo temos.
Perfeito. Depois de ouvir a Tânia Ganho no podcast Livra-te fiquei rendida à sua eloquência e sensibilidade. Apesar de querer ler o Apneia há muito tempo, achei que seria boa ideia começar por este livro que tanto me cativava. Decidi comprá-lo na minha tradição anual de oferecer um livro a mim mesma para ler no Natal e assim fiz: na noite de 24 comecei e acabei este livro maravilhoso e, apesar de ser um livro triste, é um livro perfeito para ler naquela que é considerada a noite da família. Este é um auto-ficção, que já se tornou um dos menus géneros favoritos, e que aborda o pai da autora e a sua luta com o Alzheimer. É um livro sincero, doloroso, que não põe paninhos quentes numa dor que é avassaladora, antes nos permitindo entrar no sofrimento de uma filha que perdeu o pai e que tem que aprender a viver sem ele. Uma escrita perfeita, simples, direta, maravilhosa. Adorei tudo.
“Havia todo um mundo que se encerrava naquele dia e eu precisava do meu pai para enfrentar o resto da vida. Era como se, deixando de ser a menina do papá, fosse obrigada a crescer, a ser adulta, e eu não queria ser adulta. Já o era há muitos anos, e já o perdera há muito tempo, mas a finitude do caixão, do corpo frio, de mãos entrelaçadas no peito, fez-me sentir que uma parte de mim morrera. A menina.”
Ultimamente tenho o hábito de colocar fisicamente ou no kobo “o monte” dos livros que quero ler e depois antes de os ler não releio a contracapa.. confio no que já tinha escolhido e vou um pouco às cegas. “Conheci” a Tânia Ganho nas suas traduções para as quais a minha mão fugia involuntariamente. Li “apneia” e fiquei completamente rendida à sua forma de escrever, noto a forma como escolhe deliberadamente as palavras, como se estivesse a escolher flores para compor um bouquet.
Comecei a ler “o meu pai voava” e os meus olhos marejaram-se de imediato.. Ainda pensei em escolher outro livro porque “não queria um livro triste” mas rapidamente fiquei presa nas suas palavras..
"O Meu Pai Voava", da autora e escritora portuguesa Tânia Ganho, é uma homenagem belíssima ao seu pai e às memórias pessoais da autora, em inúmeros momentos a sós com o pai, mas também em instantes familiares e com pessoas cujas vidas se cruzaram com a dele.
Nestes momentos penso quão afortunada sou por ter ambos os pais vivos, por ainda ser "menina" e por ainda não ter sido atravessada, esmigalhada pela "tristeza subterrânea" que o falecimento de um dos pais acarreta.
Tal como a autora, assim que vejo um carro funerário, procuro mudar de faixa, como se a morte fosse um presságio de má sorte e como se assim, como a Tânia tão bem descreve "me esquivasse da morte." Mais tarde ou mais cedo chegará o dia, mas ainda continuo a empurrar o inevitável com um mais tarde, mais tarde.
Esta foi a minha estreia com a escrita de Tânia Ganho e vou querer mantê-la perto de mim. Cativaram-me as palavras incisivas, pessoais. Alguns elementos sobre o luto, como ainda o supera ("o tempo ajuda") e como avança, entrelaça e remata, de forma saudosa (de mulher) e com brio (de "menina") a sua homenagem ao falecido pai.
“O meu Pai Voava". Apenas leiam. Apenas leiam.
Nota de rodapé: por se tratar de uma homenagem tão pessoal da autora ao seu pai, deixarei as estrelas no céu, onde elas pertencem.
“Quando é que começamos a pensar na proximidade da morte?” Tinha eu 12 anos quando perdi o meu pai. Não me consegui identificar com a maioria deste livro por uma simples razão - eu não tive tempo de conhecer o meu pai por completo, no curto espaço temporal em que a vida me permitiu viver com ele. Já não me recordo, sequer, da sua voz. Daqui a 8 dias fazem 12 anos que o perdi. É uma dor que não para, é uma saudade que não acaba. A escrita da Tânia Ganho é incrível, e acho que este livro foi a melhor homenagem que ela poderia ter feito ao seu pai. Quem me dera ser capaz de tamanha proeza.
Em "O meu pai voava", Tânia Ganho parte da perda do pai para construir um livro de memórias em forma de desabafo. O texto avança como uma teia de recordações que se confundem com sentimentos, fragmentos que se cruzam e regressam, sempre carregados de ausência e amor.
A escrita é crua e, ao mesmo tempo, poética – quase a lembrar as confissões intensas de Annie Ernaux, autora tantas vezes convocada ao longo do livro, a par de Joan Didion.
Eu própria perdi a minha avó para o Alzheimer, e este é um relato que não procura embelezar a dor, mas antes traduzi-la em palavras, aproximando-se daquilo que muitas vezes escondemos dentro de nós.
Foi o primeiro livro que li de Tânia Ganho e bastou-me para perceber que a sua voz já me conquistou. Ganhou-me. Um livro íntimo, feito de vulnerabilidade e coragem, que ecoa em quem lê muito depois da última página.
Mais que um livro sobre o luto, é uma celebração da vida. Terno, tocante. A Tânia diz que, quando começou a escrever, não conseguiu parar. Isso percebe-se na leitura. Bravo, Tânia!