Um homem que vive com um relâmpago dentro dele; uma avó com sangue de galinha; uma rapariga que engraxa esculturas de elefantes africanos de madeira e se surpreende quando o sexo deles muda de tamanho; um manicómio que recorre a métodos pouco ortodoxos para recuperar um doente que fugiu; umas botas militares que mudam inesperadamente de pés; um canário numa gaiola pendurada na varanda de um prédio que irrita sobremaneira um vizinho. Estas são apenas algumas das personagens deste delicioso Mesmo não Indo, o Tempo Vai, um conjunto de histórias admiráveis que decorrem em vários tempos e geografias e que ora nos oferecem magia e surrealismo, ora combinam humor com tragédia ou delicadeza com violência. Verdadeiramente imperdíveis, vêm demonstrar que António Tavares – vencedor do Prémio LeYa com O Coro dos Defuntos – tem igual talento para a ficção mais curta.
António Tavares nasceu em Angola em 1960, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e é pós-graduado em Direito da Comunicação pela mesma universidade. Foi professor do ensino secundário e, actualmente, exerce o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Escreveu peças de teatro - 'Trilogia da Arte de Matar', 'Gémeos 6', 'O Menino Rei'-, estudos e ensaios - 'Luís Cajão, o Homem e o Escritor'; 'Manuel Fernandes Thomás e a Liberdade de Imprensa'; 'Arquétipos e Mitos da Psicologia Social Figueirense'; 'Redondo Júnior e o Teatro' - entre outros.
Foi jornalista, fundador e director do periódico regional 'A Linha do Oeste'. Fundou e coordenou a revista de estudos 'Litorais'. Como romancista, obteve uma menção honrosa no prémio Alves Redol, atribuída em 2013 pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ao romance 'O Tempo Adormeceu sob o Sol da Tarde', ainda no prelo, e foi finalista do Prémio Leya 2013 com a obra 'As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia', publicado pela teorema e também finalista no Prémio Literário Fernando namora. participou no festival do Primeiro Romance de Chambéry, em França, em 2015.
Reconheço que escrever contos deve ser muito complicado. Contar uma história em poucas páginas, prender a atenção do leitor e deixá-lo surpreendido com uma reviravolta rápida no final.
Infelizmente, António Tavares não conseguiu prender-me com as suas histórias. Escreve bem, sem dúvida, com um vocabulário rico, mas em vários contos fiquei sem saber qual era o propósito para tal narrativa… Não via qualquer sentido. A minha compreensão de certas subtilezas deve estar num mínimo…
Vinte histórias curtas que, se lêem num ápice. Histórias que se sentem. Com propósito muitas e outras nem tanto mas todas encantam. Gostei muito mas eu não resisto a curtas. Episódios que fazem eco e marcam.
Uma coletânea de contos dos mais diversos assuntos. Lê-se num ápice, mas não sacia. Queria mais desta leitura. Nem sempre coerentes nos meus gostos, tive contos que não me cativaram.
Este livro é constituído por pequenos contos que contêm o essencial, nem mais nem menos. Estão recheados de humor, criatividade e muita originalidade. Nota-se um claro domínio da língua portuguesa.
“o tempo passou porque, mesmo não querendo, o tempo passa, mesmo não indo, o tempo vai, mesmo não ficando, o tempo sucede”
Todo um misto de sentimentos que se transmitem e são sentidos e quase visualizados: tristeza, nostalgia, humor negro, desapontamento, solidão, entre outros.
Ri e chorei. Gostei muito de alguns contos, outros nem por isso…
Deste Autor, detestei "Homens de Pó" (que achei um embuste!) e gostei bastante de todos os outros que li. Este "Mesmo Não Indo..." é um conjunto de contos (apesar de tudo) razoavelmente equilibrados entre os quais se distingo os de humor. Interessante.
Foi a minha estreia na escrita de António Tavares. Gostei muito da escrita dele e vou querer ler outros livros dele, certamente. A este dou apenas 3* porque, apesar de ter contos que gostei muito, teve outros que não me conseguiram prender.