Terminada a investigação a uma antiga embarcação portuguesa naufragada no Estreito de Malaca, Filipe recebe um telefonema enigmático de um grande empresário sul-africano; este pede-lhe que descubra o paradeiro de três passageiros clandestinos de um cargueiro português – o Angoche – que, em 1971, foi encontrado a arder ao largo de Moçambique sem ninguém a bordo. A busca levará Filipe a vários países africanos, mas também ao tempo em que Lourenço Marques florescia com a nova linha férrea e o Império Britânico combatia as repúblicas boers para se apoderar da sua riqueza – guerra em que um português chamado Miguel Ferreira acabaria por envolver-se, antes de regressar à Ilha de Moçambique para desposar Maria Teresa, a mulher da sua vida. Mas que mistério liga este homem nascido no século xix aos homicídios obscuros que Filipe descobre ao longo das suas viagens? E, apesar das ameaças de morte e do preço que pode vir a pagar, deve realmente continuar a sua pesquisa? Na senda de O Segredo da Flor do Mar e Taprobana, Eduardo Pires Coelho oferece-nos mais um thriller histórico trepidante, que nos vai oferecendo surpresas até mesmo à última página.
Eduardo Pires Coelho nasceu em Lisboa em 1974 e licenciou-se em Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa. Com uma vasta experiência em mercados financeiros, foi considerado o melhor analista de acções portuguesas pela Deloitte IRG Awards, o mais certeiro pelo Diário Económico, acumulando vários outros prémios em Espanha (Financial Times, Thomson Reuters e AQ) e na África Subsariana (FM Rankings e Euromoney).
Viveu um ano nos Estados Unidos, sete na África do Sul, perto do Cabo da Boa Esperança, e actualmente reside à beira-Tejo. Em 2011, iniciou-se na ficção com O Segredo da Flor do Mar, centrado na presença portuguesa em Malaca, mais tarde publicado no Brasil. Em 2020, publicou Taprobana, passado maioritariamente no Sri Lanka, o antigo Ceilão. Apaixonado pela escrita, pelas viagens e pela História, lança agora o seu primeiro romance sobre África. Dos dezoito países africanos que visitou até agora, Moçambique e África do Sul são os que melhor conhece.
Há duas cidades que me encantam e sobre as quais não consigo deixar de ler: Lourenço Marques, a pérola do Índico, a cidade das acácias, a minha cidade natal, e Lisboa, a cidade branca, a minha cidade de adopção.
Nunca tinha ouvido falar de Eduardo Pires Coelho e possivelmente assim continuaria caso LM não estivesse na capa e no título do livro. O Segredo de Lourenço Marques é um thriller histórico passado em dois tempos:
Início de 1900-1901 - as guerras entre o Império Britânico e os Boers, a construção da linha férrea entre Pretória e Lourenço Marques concebida pelo Coronel Joaquim Machado, o desaparecimento do ouro do Transvaal, as aventuras de Miguel para encontrar fortuna na África do Sul e regressar a Lourenço Marques, rico, para casar com o amor da sua vida, Maria Teresa.
Actualidade – Filipe, um lisboeta que vive na Graça, que, após descobrir os despojos marítimos mais valiosos do mundo, que iam a bordo da Flor do Mar, foi convidado para investigar o maior mistério da guerra colonial: o desaparecimento do Angoche.
Navio cargueiro Angoche, da Companhia Nacional de Navegação (CNN)
Gostei da forma como a história foi contada, a investigação foi minuciosa q.b., mas achei que o final, e não esperava resolução nenhuma do caso, foi um bocado apressado e com demasiadas pontas soltas. De qualquer forma, é um autor a seguir. Eduardo Pires Coelho demonstra uma grande capacidade de criar enredos cativantes, interligando factos históricos com ficção de uma forma envolvente. A sua escrita é fluida e consegue manter-nos intrigados do início ao fim. Apesar do final não ter correspondido às minhas expectativas, devido à sensação de pressa e algumas questões que ficaram sem resposta, esta viagem foi, sem dúvida, recompensadora. Só quem conhece saberá a sensação de recordar alguns dos locais mais icónicos de LM, como o hotel e a praia da Polana, a praia do Bilene, o hotel Cardoso, a praia de Inhambane, o Ibo, as Quirimbas ou a Ilha de Moçambique.
Estou curiosa para ler as outras duas obras do autor!
Num romance ou thriller histórico prefiro aqueles que de facto fazem jus ao termo "histórico". É o caso do terceiro livro de Eduardo Pires Coelho que tem acção repartida entre Portugal, Moçambique e África do Sul.
A narrativa apresenta duas linhas temporais. O presente e o passado, na viragem para o século XX, altura do conflito entre boers e império britânico (África do Sul). Há também dois protagonistas. Filipe no presente (personagem recuperada do primeiro livro do autor "O Segredo da Flor do Mar") e Miguel no passado.
Tudo começa quando Filipe recebe um telefonema de um empresário que quer descobrir o paradeiro de três passageiros de um cargueiro português naufragado há décadas. Um pedido curioso que dá origem a uma série de situações e perguntas que se vão colocando ao longo desta leitura feita de mistério, História, romance e crime que compõem um ramalhete, que faz justiça ao género.
Em bom rigor, há um terceiro "tempo" nesta obra. O ano de 1971, altura do episódio "Angoche". Parece matéria do fantástico, mas é verídico. Este cargueiro português foi encontrado à deriva a arder ao largo de Moçambique, sem ninguém a bordo. Mais de 50 anos depois continua sem explicação e permanece como um dos grandes mistérios da guerra colonial.
Para além deste contexto e que serve de ponto de partida, há um conjunto de pontos positivos nesta leitura. As diferentes linhas temporais, a estrutura e enredo vão mantendo vivo o interesse do leitor.
Como pontos menos positivos, a leitura pode-se tornar por vezes confusa com várias personagens secundárias e constantes avanços e recuos no tempo. Também me pareceu ter um ritmo algo lento para um suposto thriller. Em suma, uma boa leitura, mantendo uma tensão superficial e com muito material histórico sempre enriquecedor.
Desconhecia completamente este autor – Eduardo Pires Coelho – e também não tive qualquer recomendação ou referência. Por acaso tropecei no título e a minha atenção foi atraída pela referência a Lourenço Marques, a Cidade das Acácias, a Pérola do Índico, a mais bela cidade da costa oriental de África ;-) e por sinal, a minha cidade natal e da qual tenho das melhores memórias da minha meninice e juventude. Acredito que o nome da cidade foi exatamente colocado com esse propósito (de atrair leitores) e parece ter surtido efeito.
É uma ficção histórica, i.e. totalmente ficcionada, embora siga a cronologia e os acontecimentos históricos. O enredo decorre em duas épocas distintas – a guerra anglo-boer por volta de 1900 e na atualidade e inclui uma investigação ao famoso caso Angoche que teve lugar em 1971. O desenvolvimento da trama está bastante bem conseguido, é de leitura agradável e até compulsiva por vezes e as referências a LM e outras localidades de Moçambique são um adicional interessante, principalmente para quem as conheceu. O único ponto menos positivo, a meu ver, prende-se com o desenlace que me parece um pouco forçado e com um detalhe desnecessariamente pouco verosímil. De qualquer modo, aconselho vivamente a leitura e vou ter interesse em ler mais obras deste autor.
Mais uma excelente obra de Eduardo Pires Coelho. Gostei muito!!! Inicialmente parece um enredo um pouco confuso, no entanto, a meio do livro começam a unir-se pontas e senti que cada vez estava mais "agarrada" à história. Um livro que envolve ficção, thriller e romance histórico. Aprendemos sempre mais alguma coisa do ponto de vista histórico. Recomendo!
Uma história que nos prende de início ao fim. Como já vem sendo hábito nos romances do Eduardo Pires Coelho, o final é muito surpreendente. Mais um romance que alia uma parte da história de Portugal a um enredo dinâmico onde os personagens se cruzam quando menos se espera.