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O Cristo Cigano & Geografia
Reunião de dois livros de uma das poetas mais comoventes do século XX, em edição de bolso.
Sophia de Mello Breyner Andresen soube conjugar de modo único a observação da natureza com a dimensão humana. A descrição concreta e material da paisagem — com destaque para o mar, tema central de sua poesia — convive com reflexões sobre o amor, a morte, a dor, a injustiça e a solidão.
Este volume, que reúne duas obras publicadas de forma avulsa na década de 1960, traz temas presentes em toda a produção da autora e atesta o impacto da poesia brasileira em sua trajetória. O Cristo cigano, lançado em 1961, revela a influência decisiva da poesia de João Cabral de Melo Neto sobre a escrita de Sophia. Já Geografia, de 1967, descreve, entre outros temas, cenas da infância, o contato com a Grécia e a admiração pela obra de Manuel "Estes poemas caminharam comigo e com a brisa/ Nos passeados campos da minha juventude".
A escrita de Sophia é marcada pela beleza, pelo lirismo e pelo estilo direto e lapidar. Vencedora do Prêmio Camões, maior honraria da língua portuguesa, em 1999, sua obra ilumina e inspira sucessivas gerações de leitores e poetas.
* Leitura obrigatória do vestibular da Fuvest.
Sophia de Mello Breyner Andresen soube conjugar de modo único a observação da natureza com a dimensão humana. A descrição concreta e material da paisagem — com destaque para o mar, tema central de sua poesia — convive com reflexões sobre o amor, a morte, a dor, a injustiça e a solidão.
Este volume, que reúne duas obras publicadas de forma avulsa na década de 1960, traz temas presentes em toda a produção da autora e atesta o impacto da poesia brasileira em sua trajetória. O Cristo cigano, lançado em 1961, revela a influência decisiva da poesia de João Cabral de Melo Neto sobre a escrita de Sophia. Já Geografia, de 1967, descreve, entre outros temas, cenas da infância, o contato com a Grécia e a admiração pela obra de Manuel "Estes poemas caminharam comigo e com a brisa/ Nos passeados campos da minha juventude".
A escrita de Sophia é marcada pela beleza, pelo lirismo e pelo estilo direto e lapidar. Vencedora do Prêmio Camões, maior honraria da língua portuguesa, em 1999, sua obra ilumina e inspira sucessivas gerações de leitores e poetas.
* Leitura obrigatória do vestibular da Fuvest.
109 pages, Kindle Edition
Published December 3, 2024
About the author
Sophia de Mello Breyner Andresen
105 books617 followersSOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
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Community Reviews
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
July 28, 2025
gostei muito do Cristo Cigano, assim que terminei, ja reli duas vezes.
achei a parte 3 de "Geografia" inteira bonita.
De modo geral ele todo traça uma geografia ampla e ao mesmo tempo, aquela da palavra no papel.
E "Ali, então" me ganhou completamente.
mesmo os poemas muito curtos (que não marcam tanto sozinhos) funcionam como prólogo dos demais.
achei a parte 3 de "Geografia" inteira bonita.
De modo geral ele todo traça uma geografia ampla e ao mesmo tempo, aquela da palavra no papel.
E "Ali, então" me ganhou completamente.
mesmo os poemas muito curtos (que não marcam tanto sozinhos) funcionam como prólogo dos demais.
May 12, 2025
comecei a ler já julgando pensando ser “mais uma bobeira modernista” mas tornou-se que é MUITO bom.
o único problema é que você precisa se informar bastante sobre o livro, o tema, a autora e um pouquinho de literatura brasileira, ou melhor… joão cabral de melo neto. na verdade não é um problema, rs. adorei saber mais sobre todos esses aspectos.
meu poema favorito é o “Busca”, que coisa linda. a sophia é uma autora fenomenal, mal posso esperar pra ler o livro sexto!
o único problema é que você precisa se informar bastante sobre o livro, o tema, a autora e um pouquinho de literatura brasileira, ou melhor… joão cabral de melo neto. na verdade não é um problema, rs. adorei saber mais sobre todos esses aspectos.
meu poema favorito é o “Busca”, que coisa linda. a sophia é uma autora fenomenal, mal posso esperar pra ler o livro sexto!
August 6, 2026
"geografia" fez alguma coisa comigo, sei lá. acabei relendo seções inteiras duas ou três vezes antes mesmo de terminar o livro.
September 30, 2026
Já comentei algumas vezes sobre minha impressão de ser “ateu” para o gênero lírico, sendo assim apesar de vez ou outra me desafiar a ler textos poéticos não fico particularmente surpreso quando um texto simplesmente não me desperta ou para usar o termo que alguns gostam “não me toca”. Parte dessa “cegueira”, me parece, advém da forma como meu pensamento se estrutura, certas “brincadeiras” estilísticas por vezes parecem-me tolas, são como um gracejo cuja graça me escapou.
Ler O Cristo Cigano & Geografia de Sophia de Mello Breyner Andresen infelizmente se mostrou mais uma dessas experiências em que reconheço o trabalho e o cuidado da autora, mas cujo texto não me causou lá grandes impressões. Admito que parte dessa experiência se deve a forma da minha leitura, esse como muitos textos dessa natureza claramente não se presta a uma leitura corrida, mesmo que exista uma certa sequência lógica entre os diversos poemas.
Cabe apontar que esses dois livros pedem para ser declamados, não lidos de forma silenciosa. É perceptível um ritmo, uma cadência que uma leitura mental “chapada” apressada empobrece. Existem alguns textos poéticos que sobrevivem a uma leitura “não ritmada”, mas não é o caso desses.
Também me causou alguma estranheza a junção dos dois livros, já que eles não me parecem conversar tão bem, na verdade Cristo Cigano é tão curto que é até complicado perceber exatamente sobre o que ele se trata. Geografia pelo menos nos dá um pouco mais de tempo para nos aproximarmos de seus temas.
Outro ponto a ser considerado é que a autora, ainda que não use exatamente uma linguagem rebuscada se vale de uma boa quantidade de referências. Esses textos exigem algum repertório do leitor ou mesmo alguma pesquisa para um melhor entendimento do que a autora quis transmitir.
O Cristo Cigano & Geografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, portanto é a união de dois livros que apesar de não conversarem tão perfeitamente entre si deve agradar a quem goste do gênero e possua a sensibilidade adequada para apreciá-lo.
Ler O Cristo Cigano & Geografia de Sophia de Mello Breyner Andresen infelizmente se mostrou mais uma dessas experiências em que reconheço o trabalho e o cuidado da autora, mas cujo texto não me causou lá grandes impressões. Admito que parte dessa experiência se deve a forma da minha leitura, esse como muitos textos dessa natureza claramente não se presta a uma leitura corrida, mesmo que exista uma certa sequência lógica entre os diversos poemas.
Cabe apontar que esses dois livros pedem para ser declamados, não lidos de forma silenciosa. É perceptível um ritmo, uma cadência que uma leitura mental “chapada” apressada empobrece. Existem alguns textos poéticos que sobrevivem a uma leitura “não ritmada”, mas não é o caso desses.
Também me causou alguma estranheza a junção dos dois livros, já que eles não me parecem conversar tão bem, na verdade Cristo Cigano é tão curto que é até complicado perceber exatamente sobre o que ele se trata. Geografia pelo menos nos dá um pouco mais de tempo para nos aproximarmos de seus temas.
Outro ponto a ser considerado é que a autora, ainda que não use exatamente uma linguagem rebuscada se vale de uma boa quantidade de referências. Esses textos exigem algum repertório do leitor ou mesmo alguma pesquisa para um melhor entendimento do que a autora quis transmitir.
O Cristo Cigano & Geografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, portanto é a união de dois livros que apesar de não conversarem tão perfeitamente entre si deve agradar a quem goste do gênero e possua a sensibilidade adequada para apreciá-lo.
January 27, 2026
Foi com Sophia que aprendi que a poesia se faz e se percebe no silêncio, na escuta do silêncio. Sou poeta e acho que passei a apreender mais o que é e como se incorpora a poesia com os livros dessa poeta portuguesa sem igual. Poeta da dúvida, das paredes brancas atentas, do mar reluzente, das noites que pesam o ombro, do passar do silêncio, dos gritos que causam insônia nas coisas, da mão que pousa, de repente, em cima da mesa.
Essa edição publicada pela Companhia das Letras traz dois livros da poeta, ambos publicados na década de 1960 e que são construidos sob influência direta da poesia brasileira, de poetas como João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Sim, os poemas são profundamente liricos e a um só tempo profundamente diretos, lapidar... quase como uma faca afiada. De uma forma ou de outra, a dúvida paira como ponto de partida de cada poema: "Escuto mas não sei/se o que oiço é silêncio/ou deus".
Os poemas de Sophia são um convite a um modo de estar no mundo; concentrados, atentos, espantados constantemente com tudo que vemos... como uma antena que capta as navegações das ondas, ainda que tardem.
Essa edição publicada pela Companhia das Letras traz dois livros da poeta, ambos publicados na década de 1960 e que são construidos sob influência direta da poesia brasileira, de poetas como João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Sim, os poemas são profundamente liricos e a um só tempo profundamente diretos, lapidar... quase como uma faca afiada. De uma forma ou de outra, a dúvida paira como ponto de partida de cada poema: "Escuto mas não sei/se o que oiço é silêncio/ou deus".
Os poemas de Sophia são um convite a um modo de estar no mundo; concentrados, atentos, espantados constantemente com tudo que vemos... como uma antena que capta as navegações das ondas, ainda que tardem.
March 29, 2026
Em relação à forma, a maioria dos poemas têm versos livres. Poucos poemas tem métrica e as rimas são poucas e imperfeitas.
Sophia aborda vários temas, desde problemas políticos e sociais até as viagens que fez, mas o que mais se destacou para mim foram suas descrições: sua habilidade de criar atmosfera, de recriar em palavras momentos específicos, como no poema "Vela", por exemplo.
O que pode dificultar a leitura é a ausência de pontuação, que parece fazer parte do estilo da poetisa, e a alta subjetividade de alguns poemas, que chegam a parecer enigmas.
É uma leitura interessante.
Sophia aborda vários temas, desde problemas políticos e sociais até as viagens que fez, mas o que mais se destacou para mim foram suas descrições: sua habilidade de criar atmosfera, de recriar em palavras momentos específicos, como no poema "Vela", por exemplo.
O que pode dificultar a leitura é a ausência de pontuação, que parece fazer parte do estilo da poetisa, e a alta subjetividade de alguns poemas, que chegam a parecer enigmas.
É uma leitura interessante.
September 6, 2026
não sou nada da poesia, mas algo nesse aqui me tocou. é um arranjo de palavras que me deixa admirada, e me faz pensar: caramba, eu nunca saberia escrever como ela escreve - diferentemente daquela ideia que às vezes temos sobre a poesia (ou sobre a arte) contemporânea de que "qualquer um pode fazer isso". muito lindo.
September 7, 2026
Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos conns do universo
Me decifra e ta
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos conns do universo
Me decifra e ta
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
March 21, 2026
Da transparência
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres
(p. 106)
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
E não sabemos bem que coisa são os sonhos
Condutores silenciosos canto surdo
Que um dia subitamente emergem
No grande pátio liso dos desastres
(p. 106)
July 29, 2026
🗺️🌟 “Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho”
“De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada”
“E a infinita ausência
É a minha vida”
Pois nenhum outro senão o mundo tenho”
“De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada”
“E a infinita ausência
É a minha vida”
May 27, 2025
genial
July 20, 2025
Poesia muito bonita esteticamente. Não vou dizer que entendi todas, mas as que eu entendi gostei bastante.
November 11, 2025
O Cristo Cigano é belíssimo. Amo a escrita da Sophia. Geografia já não gostei tanto no todo, mas tem poemas que amo.
December 19, 2025
ter estudado a pintura que o mito do livro se embasa definitivamente tornou a leitura uma experiência mais vívida e elucidada
January 3, 2026
I gave it 3.5 stars
February 14, 2026
Geografia traz um lirismo sem igual. É interessante ver, ler, pensar e sentir como uma poeta do outro lado do mar! Geografia realmente nos transporta para vários lugares e em vários tempos.
July 1, 2026
Uma leitura bem rápida, consegui acompanhar o fluxo dela de pensamento
July 19, 2026
2,5.
Poesia......
Poesia......
August 13, 2026
é legal, mas não sou a melhor pessoa pra poesias
mas muito interessante pegar os paralelos líricos,mitológicos e imagéticos que a autora traz
mas muito interessante pegar os paralelos líricos,mitológicos e imagéticos que a autora traz
September 2, 2026
achei impressionante ela falar de geografia e me fazer sentir coisas ao mesmo tempo
September 27, 2026
Acho que o melhor livro que já li. Uma poesia bela e simples de ler. Simplesmente espetacular. Se tornou meu livro de cabeceira.
September 19, 2025
"Por isso te debelo te combato te domino
E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém
Para poder soltar-te livre no deserto
Onde não somos nós dois mas só um mesmo"
Escuto, Palmeiras geometria e Antinoos foram de longe meus favoritos, tanto que um me fez chorar. Apesar disso, nessa grande coleção, muitos não me tocaram.
"Secura silêncio
São minha bebida
E a infinita ausência
É a minha vida"
E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém
Para poder soltar-te livre no deserto
Onde não somos nós dois mas só um mesmo"
Escuto, Palmeiras geometria e Antinoos foram de longe meus favoritos, tanto que um me fez chorar. Apesar disso, nessa grande coleção, muitos não me tocaram.
"Secura silêncio
São minha bebida
E a infinita ausência
É a minha vida"
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