Numa formulação certeira, o líder ianomâmi Davi Kopenawa afirmou que “os brancos não sabem sonhar” — e o resultado dessa incapacidade se traduz na destruição das florestas, na poluição dos rios, na morte de muitas espécies, levando o planeta e todos os seres que nele habitam à beira da extinção. Como um antídoto a essa “ausência de sonho”, o que a antropóloga e pesquisadora das práticas de leitura Michèle Petit faz em Somos animais poé a arte, os livros e a beleza em tempos de crise é iluminar o modo como a literatura — oral e escrita —, e outras formas de arte a elas associadas, podem nos ajudar a recuperar nossos desejos, e a nos conectar conosco e com o mundo à nossa volta. Longe de qualquer abordagem maniqueísta, Somos animais poéticos desdobra e aprofunda os temas que tornaram sua autora uma referência mundial nos estudos sobre a leitura, a função das bibliotecas e dos mediadores culturais nos mais diferentes contextos. Dando voz tanto a artistas consagrados como a pessoas anônimas, muitas delas sobreviventes de grandes catástrofes — como a recente pandemia da covid-19, também discutida aqui —, este livro é ele próprio uma afirmação do poder da arte e da beleza, bem como da necessidade que todos temos de, como queria Rimbaud, “reinventar a vida”.
Esta es una colección de textos donde Petit describe la relación de diversos lectores con los libros después de la tragedia o la angustia. Nos invita a recordar que los libros pueden invitarnos a soñar y tener nuestro propio jardín.
Um livro muito bonito que serve para nos lembra porque amamos a literatura e coloca essas razões de uma forma bem singela e cativante. A maioria dos textos é resultado de uma palestra ou fala, o que deixa o texto mais fluido ainda. É daqueles tipos de livro que você quer dar pra todo mundo que você gosta ler.
Em uma tentativa de refletir mais sobre as coisas que eu leio, resolvi parar e escrever sempre (ou quase sempre) um pequeno comentário-resenha. Começo, no entanto, com uma experiência peculiar, porque li esse livro em um único dia num esforço de realizar o máximo de leitura para a escrita de um relatório para a faculdade. Ainda assim, fui surpreendida com a qualidade da escrita da autora que, por vezes, fez com que eu diminuísse o ritmo de leitura para me apegar a uma passagem ou outra. São leituras teóricas como essa que reforçam minha escolha nas Letras. Recomendo àquelas e àqueles que desejam refletir sobre o papel da literatura em nossos atuais tempos de crise.
Este libro se sintió como un gran abrazo, de esos que te desconectan de la vertiginosa vida, de esos que te recargan y te permiten seguir por algunas semanas más. Por otro lado, me permitió reflexionar el motivo por el cual leo, como me relaciono con los libros y con los espacios de lectura. Para un mundo que parece irse al carajo, mejor me arrimo al manto protector de Petit.