« Les pseudonymes ont ceci de merveilleux qu’ils offrent toujours une histoire dans l’histoire avec, pour certaines, de réjouissantes mystifications. »
Publier a longtemps été un défi pour les femmes, poussant nombre d’entre elles à rester anonymes ou à utiliser des pseudonymes masculins, souvent à la demande de leurs éditeurs, pour éviter les préjugés contre la « littérature de femmes ». Certaines ont embrassé le secret de leur nouvelle identité, se servant de cet anonymat pour déployer leur créativité en toute liberté, quand d’autres ont enfin pu exprimer leur amour pour les femmes. De Jane Austen à George Sand, de Rachilde à René(e) Vivien, des sœurs Brontë à Karen Blixen, et bien d’autres écrivaines injustement oubliées, toutes ces femmes ont su braver leur époque et se réinventer. Ils sont elles se propose de mettre en lumière leurs incroyables destins.
Ao que parece, este cavalheiro é outra vez uma mulher!
Esta frase, retirada de um artigo em que d'Aurevilly denuncia as bas-bleus — zombaria depreciativa dirigida às mulheres autoras que, como Lady Montagu, se dedicavam mais ao cultivo do espírito do que ao embelezamento do corpo —, é a melhor montra para tudo o que vai por este livro fora. Porque se Eles são elas parece, à primeira vista, um conjunto, muito subjetivo (e galocêntrico), de biografias de mulheres que publicaram obras literárias sob pseudónimos masculinos para contornar a exclusão; a leitura revela, porém, que o pseudónimo é muito mais ambíguo do que isso e não corresponde a uma simples estratégia de resistência. Como no caso de A. M. Barnard, em que serve uma função de proteção contra ofender os seus entes queridos, principalmente o pai, cujo julgamento receava ou chocar aquilo a que chamava «tradições respeitáveis» da sua cidade. Sujeitas ou expostas ao ridículo, caso pretendessem mais do que apenas tentar uns versos amadores, as mulheres foram percebendo que assumir uma autoria feminina equivalia a aceitar as nuances do julgamento social; adotar o pseudónimo, por outro lado, produzia condições de reconhecimento que o nome feminino não conseguia produzir. É o caso de Gabrielle Cisternes que, para lá de duas centenas de obras publicadas em seu nome, escreveu parte de Os Três Mosqueteiros (e três outras obras atribuídas a Alexandre Dumas): enquanto Gabrielle, o seu sucesso foi reduzido; enquanto Dumas, perdura até aos nossos dias. É também o caso de Rachilde para quem o pseudónimo também tinha uma carga performática autoral apreendida quando ao apresentar-se a um director de jornal com as suas roupas femininas, só obtinha respostas condescendentes e vagas. E quando, em contrapartida, chegava vestida de cavalheiro, o mesmo director mudava de tom e demonstrava muito mais interesse. Perante a mesma censura, no entanto, as mulheres reagiam de forma muito diversa: algumas, como George Sand ou Marc de Montifaud, desafiavam a lei recorrendo ao travestismo — declarando abertamente o confronto perante uma sociedade predominantemente misógina que, além de silenciar a criatividade feminina, proibia qualquer traje masculino às mulheres; neste caso, seria necessário solicitar uma autorização especial de «travestismo» à prefeitura da Polícia e, acima de tudo, afiar os argumentos e apresentar, no mínimo, um atestado médico, sob pena de ser presa por uso de traje ilegal. Percebe-se, assim, que assumir o nome, o traje e, sobretudo, a pose masculina tinha repercussões sobre as mulheres que ultrapassam o âmbito literário. Contudo, nem todas assumiam as repercussões de usurpar um lugar de igualdade. Era o caso de Arvède Barine que minimizava constantemente o seu trabalho e [se] esforçava por apresentar uma imagem o mais exemplar possível [...] enfatizando sempre o quanto era importante para ela ser esposa e mãe e concentrar-se na sua vida doméstica. e que, quando recordada das dificuldades que ultrapassara enquanto mulher no caminho das Letras [se] dizia orgulhosa por sentir a mesma satisfação que sentia «quando organizava bem o armário da roupa». O que significa, perguntava Rachilde, um nome que, afinal, não passa de um pseudónimo? A questão, assim colocada, é de suma importância. Sauvat parece tentar a resposta quando apresenta o alter ego feminino adotado por escritores como um escape, uma farsa ou um desdobramento das suas capacidades, enquanto, no caso das mulheres, apresenta o pseudónimo como arma de combate à censura, mas também como espaço de liberdade e recriação: às vezes salvaguardando as aparências e as expectativas dos outros em relação a elas; outras vezes como subterfúgio para uma vontade férrea de ser bem-sucedida, apesar de todas as barreiras. Ainda assim, num curioso volta-face, a partir de fins de século XIX, o pseudónimo masculino é, inclusive, muitas vezes apropriado como símbolo forte de fluidez de género e de anonimato intelectual. A partir daqui, Eles são elas abre um campo de análise importante para compreender o percurso destas escritoras e também a sua exclusão cultural, mas não o leva até às últimas consequências: antes se transforma rapidamente num desfiar de biografias relativamente superficial que repete percursos (ambição—publicação—censura) ou que apresenta a transgressão como anedota biográfica. Se é certo que a maioria destas mulheres teve uma vida extraordinária, também é certo que essa vida foi acompanhada de constrangimentos de ordem social e cultural. A ser assim, no caso de Sand e Barine, o que determina que uma mulher transforme a transgressão numa estratégia de liberdade e outra procure negociar com a norma? Infelizmente, o livro formula implicitamente uma questão importante, reúne material suficiente para a desenvolver, mas não transforma esse material numa interpretação suficientemente consequente. Afinal, qual a importância e significado dos pseudónimos masculinos, e o que acarreta a sua exposição? Sabemos que as mulheres escritoras uma vez "desmascaradas" são alvo de forte censura, mas o que explica duas reações antagónicas como a revolta e o conformismo perante os arquétipos masculinos? E, contrapostos ao uso de pseudónimos femininos por autores masculinos (porque a autora se sujeita a essa questão voluntariamente), qual a carga semântica que os primeiros assumem? A pseudonímia não deve ser reduzida a uma mera escolha recreativa ou lúdica, nem a uma simples ferramenta de oposição aos estereótipos que mantiveram [as escritoras] durante tanto tempo em representações de género. As escritoras, as artistas, as mulheres sempre subverteram as normas de género socialmente impostas através de atos que são tudo menos dissimulados: da roupa, aos hobies, à atitude. O que o pseudónimo consegue é libertar precisamente através do disfarce: ele protege a autora; permite-lhe escrever; permite-lhe ser reconhecida; mas também confirma que, para ser reconhecida, ela teve de ocultar aquilo que era, como reconheceu Alice [Bradley Sheldon] que confessaria não se orgulhar do seu subterfúgio. Embora tenha conquistado facilmente um lugar de destaque entre os escritores, não lutou pelos seus direitos enquanto mulher. Um atalho que ela lamentava. Esse paradoxo maior da pseudonímia — o seu preço — aquele que, imaginava eu, seria o cerne da obra, é virtualmente ignorado pela autora. Embora fortemente associado à repressão de género, é redutor encarar o pseudónimo masculino como apenas uma ferramenta para ocultar a identidade feminina; o pseudónimo permite simultaneamente desaparecer e aparecer: permite produzir uma identidade autoral alternativa, na qual anonimato, autoridade, performance e género se confundem. Sauvat não chega tão longe. D'Aurevilly tinha razão, no entanto: ao que parece, estes cavalheiros eram outra vez mulheres.
La démarche de sortir de l'anonymat et de l'oubli des autrices, du XVIIe siècle à nos jours, est une entreprise à encourager. Le fait est que des féministes historiennes ou simplement militantes se sont obstinées à le faire avec succès depuis une quarantaine d'années. Ici, ce sont de courtes fiches biographiques, 39 au total, d'autrices ayant déjoué les préjugés de leur temps en publiant sous le nom d'hommes, ou en tous cas équivoques. Les plus célèbres : Colette, les sœurs Brontë des débuts, George Sand évidemment, Rachilde, Claude Cahun, même JK Rawlings que son éditeur conseilla de brouiller les pistes. Elles étaient soit interdites de publication comme il y a trois siècles, ou cataloguées "littérature féminine" ou pire de "bas-bleus" ou de "bonnes femmes", la misogyne ne faisant jamais relâche. Malgré, pour pas mal d'entre elles, de réels succès de librairie et de ventes en leur temps. Certaines ont recouvré avec la notoriété leur nom et leur genre, d'autres se sont perdues à jamais dans les sables de l'histoire et de l'anonymat. Deux critiques de l'ouvrage toutefois : il n'y a pas de numérotation de chapitres et elles sont peut-être 38 ou 40 car j'ai dû compter, et pire, bien que citées par ordre chronologique, l'autrice ne mentionne pas en tête de chapitre de dates de naissance ni de décès, ce qui semblerait le minimum pour des biographies. J'ai trouvé cela passablement gênant, car il faut aller sur Wikipedia pour trouver le renseignement. Dommage.
« J’ai le cerveau d’un homme dans le corps d’une femme » - Victoria Benedictsson
Dans cet essai, Catherine Sauvat dresse le portrait de femmes ayant écrit, dans les derniers siècles, sous des pseudonymes (ou de façon anonyme). Entre Jane Austen, les sœurs Brontë, Colette ou plusieurs autres, les histoires se ressemblent. Taire son identité pour ne pas recevoir les foudres du public, pour ne pas être considérée immorale, pour ne pas être ridiculisée ou encore, par obligation, pour écrire des romans pour son homme. Toutes les raisons ont été invoquées pour que les femmes travaillent sans aucune reconnaissance.
C’est intéressant comme lecture; il y a certaines histoires que je connaissais déjà pour les avoir étudiées à l’université, mais je ne connaissais pas la plupart des autrices (ce qui est bien triste…) C’est bien de leur donner un peu de reconnaissance et de succès, même si ça vient des siècles plus tard. C’est révoltant qu’elles aient dû se battre autant pour être lues.
Je ne mets pas plus de 3,5 étoiles parce que ça venait répétitif. Les histoires sont assez similaires, donc après quelques-unes on comprend l’idée. J’aurais peut-être aimé qu’on approfondisse un peu plus la question sous un autre angle.
Remettre à l'avant des écrivaines qui ont, pour diverses raisons, décidés d'emprunter un pseudonyme, voilà l'objectif de ce petit livre. Mais il nous permet aussi d'en découvrir plus sur certaines auteures dont nous connaissons aujourd'hui l'identité, mais qui furent publiés à leurs époques sous des pseudonyme...
Un roman riche en information et en Histoire puisqu'à chaque profil que l'on découvre nous en apprenons plus sur la personne, le contexte et les combats. C'est un livre fort qui comporte pas moins de 40 personnalités diverses venant d'époques différentes.