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Portugal - A Flor e a Foice

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No ano em que se comemora o 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, a publicação de Portugal, a Flor e a Foice, até aqui inédito em Portugal, promete dar que falar.
Escrito em 1975, em cima dos acontecimentos que então convulsionavam Portugal (e que eram acompanhados com entusiasmo e apreensão pela Europa e o resto do Mundo), Portugal, a Flor e a Foice é a observação pessoal que um português culto e estrangeirado faz do seu país em mudança.
Nesta apreciação aguda e de tom sempre crítico, todos os mitos da História Portuguesa são, senão destruídos, pelo menos questionados: o Sebastianismo, os Descobrimentos, Fátima; denunciadas instituições como a Monarquia e a Igreja; e impiedosamente escalpelizado não apenas o antigo regime mas também, e sobretudo, o 25 de Abril. Com acesso a círculos restritos nos anos que antecederam e sucederam a Abril de 1974, e a documentos ainda hoje classificados, J. Rentes de Carvalho faz uma História alternativa da Revolução e das suas figuras de proa, em que novos factos e relações de poder se conjugam num relato sui generis, revelador e, no mínimo, desconcertante.

240 pages, Paperback

First published January 1, 1975

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About the author

J. Rentes de Carvalho

34 books102 followers
De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa – onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland – A Ira de Deus sobre a Holanda.

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1 (<1%)
Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Antonio Coelho.
52 reviews5 followers
February 14, 2019
Juntamente com os livros "De mal a pior". V. Pulido Valente e "Olá Conscinecia!" é o meu livro de cabeceira.
Profile Image for João.
Author 5 books68 followers
June 11, 2014
Um repassar rápido pela História de Portugal, desde Afonso Henriques ao PREC, arrasando os mitos nacionalistas, sobretudo os que nos foram legados pelo regime de Salazar e que, de certo modo, ainda perduram poeticamente na nossa cultura e na nossa ideia de país. Quase nada nem ninguém (exceto, talvez, o Marquês de Pombal...) escapa às setas corajosas e certeiras de Rentes de Carvalho: os podres da monarquia, as vitórias pírricas nas grandes batalhas contra castelhanos e mouros em África, a ganância e a falta de escrúpulos dos Descobrimentos, a balbúrdia da República, a pequenez do salazarismo, a hipocrisia da Igreja Católica, a subjugação a interesses próprios ou de terceiros de Spínola, Otelo, Cunhal, Soares, e companhia do pós-revolução dos cravos.

Esta mediocridade dos políticos e das classes privilegiadas levaria o povo a partir em sucessivas ondas de emigração, primeiro para as Índias, depois para o Brasil e as Américas, e por fim para a Alemanha e a França, para fugir à miséria, à tristeza do país e à ausência de perspetivas de um futuro melhor. "De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravidão que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração portuguesa supõe a renúncia à revolta."

A lucidez da análise parece, no entanto, ofuscar-se à medida que a escrita se torna contemporânea dos factos, e os capítulos dedicados ao pós 25 de abril são, tal como o período que espelham, menos esclarecedores e mais confusos. Nesta fase, o autor aparenta dificuldade de distanciamento, pressente-se que toma partido, que tem opiniões próprias, mas não as apresenta claramente ao leitor, e, neste ponto, não se diferencia muito das críticas que faz aos seus compatriotas.
Profile Image for João Ricardo.
135 reviews5 followers
May 6, 2024
"Um momento, durante os primeiros meses que se seguiram ao 25 de Abril, houve a esperança de que realmente alguma coisa iria mudar. O Portugal revolucionário ia ser exemplo, um passo em frente para uma Europa nova, o país cuja sociedade garantiria a cada cidadão um lugar digno. Mas quê? Em fins de 1975 as elitas de agora são as mesmas de ontem, acrescentadas de uns poucos que, hábeis, subindo a tempo, ocuparam um lugar; diminuídas temporariamente da meia dúzia que, no estrangeiro, confortavelmente, aguarda dias melhores que muito certamente voltarão. Tal como na velha República de 1910, em que os ministros foram quinhentos, interessa ser ministro, garantir as benesses do amanhã."
Profile Image for Lúcia Costa.
28 reviews2 followers
September 8, 2016
Escrito com um sentido de humor muito inteligente e transversal a todos os intervenientes e circunstâncias, existentes no período pré e pro revolução de 25 de abril de 1974.
Profile Image for Luis Charreu.
20 reviews
January 29, 2023
A Flor e a Foice é um resumo inteligente e mordaz da historia do povo português e dos seus sucessivos governos. A lucidez e capacidade de análise do autor tornam actual uma obra com 50 anos.
Profile Image for Cristina Torrão.
Author 9 books24 followers
September 30, 2015
«Infelizmente, o mito imperial estava nos livros, ilustrado com as caras barbudas e façanhudas de todos os descobridores, de todos os heróis. E tão arreigado que, ao contrário do que se pode pensar, desde o início até ao fim das hostilidades, a generalidade do povo português não foi contra a guerra: foi a favor, iludida pela propaganda, pela própria ignorância, traumatizada pelo receio de que, uma vez perdidas as colónias, ainda ficaria mais pobre. O pré-mensal que os soldados recebiam, uns dez mil escudos, e que em parte remetiam às famílias, parecia-lhes um passo largo a caminho da abundância. Por isso nas igrejas se rezava e se pedia o que só aos santos se pode pedir, o impossível, a saber: que a guerra continuasse e que os filhos não morressem nem fossem feridos».
(Página 97)

Lúcido. Provocador. Divertido. Imprescindível.
Evito usar adjetivos em excesso, mas, neste caso, são estas as quatro palavras que me ocorrem para caracterizar este livro.

É lúcido como só um livro escrito por alguém que mora no estrangeiro pode ser. Só com a distância devida se consegue olhar com tanta objetividade para os seus compatriotas e o seu país, desprovido de "rodriguinhos". Portugal – A Flor e a Foice foi escrito em 1975, publicado, na altura, apenas na Holanda, país onde vive José Rentes de Carvalho. A versão portuguesa demorou quase quarenta anos a surgir: em 2014, por ocasião do 40º aniversário da Revolução! Incompreensível.

É provocador e, por vezes, exagerado. Mas é um exagero perfeitamente justificado, aquele tipo de exagero que nos ajuda a abrir os olhos. Calculo, porém, que a crueza e a objetividade do escritor dificultem a leitura a muitos portugueses. A mim, não. Adorei! Por igualmente viver no estrangeiro e ter aprendido a olhar para o meu país sem as lentes afetivas que distorcem a realidade?

É divertido, raramente me diverti tanto a ler um livro. Podem chamar-lhe humor negro. Eu prefiro chamar-lhe ironia fina.

É imprescindível. Todos os portugueses deviam ler esta obra, por muito que lhes custasse. Seria uma espécie de lavagem interior, um banho de lucidez. Vêm-me à memória palavras do Ega, essa fascinante personagem de Eça, n' Os Maias: «Sinto-me como se a alma me tivesse caído a uma latrina! Preciso de um banho por dentro!»

Pois leiam este livro e purifiquem as vossas almas!

E aqui vai mais um cheirinho delicioso:

«Para eles [escritores] o povo era folclórico, estúpido, pobre por culpa da sua própria ignorância. Quando se lêem os romances em que, supostamente, o povo está presente, constata-se na generalidade este fenómeno curioso: aquele povo não existe, é a imagem deformada obtida pelos escritores que vão à província ver os camponeses como os curiosos vão a um jardim zoológico ver os animais. A prova: na maioria, na grande maioria dos romances portugueses, os personagens populares são postos a falar com empolamento académico, ou então com a ênfase pesada dos maus dramas de teatro. Mais: aquela linguagem não é a sua, autêntica e rude. Nada disso. É uma linguagem que o escritor inventa, pedante, a mentir nos sentimentos e na sintaxe. A ponto que com os romances portugueses sucede o seguinte: não parecem ter sido escritos para serem lidos, ou com a intenção profunda de, ao agitar um problema da sociedade, causarem uma mudança, ou corrigirem uma injustiça, mas simplesmente para que o autor possa dar entrada naquele grupo de eleitos que se julga diferente, e daí melhor».
(Página 134)
Profile Image for João Nuno.
Author 3 books4 followers
April 24, 2014
Portugal, A Flor e a Foice é um livro excepcional. José Rentes de Carvalho oferece-nos uma visão alternativa de Portugal. Sobretudo, do Portugal contemporâneo. Do Portugal Fascista e dos acontecimentos que rodearam o 25 de Abril. Uma versão pouco conhecida do grande público, normalmente, infectado por lugares comuns. No início do livro, faz uma breve história de Portugal, concluindo que com mais de oitocentos anos de história, Portugal vive num eterno retorno: As elites quando há dinheiro esbanjam-no...Quando não o há, exploram o povo, obrigando-os a emigrar , enquanto as elites vão continuando a repartir as benesses e os privilégios entre si.

José Rentes de Carvalho , por ter sido uma voz assombrosa , invulgarmente culta e inteligente, incomodou muita boa gente.Durante décadas foi votado a" um natural esquecimento luso". Algo típico dos tiques lusitanos, quando alguém incomoda é bom assobiar para o ar... Rentes de Carvalho relata os factos, com imparcialidade e sem querer servir cortes. As " cortes" são muito características de quem em Portugal quer subir na vida : ou cala-se ou se vende...

Com mestria e com uma prosa fluída e contagiante, o livro lê-se num fôlego.

40 anos passados pelo 25 de Abril tudo, na essência, continua na mesma. Sim, de facto, o povo está mais instruído,o nível de vida é ,incontestavelmente, melhor que nos dias do fascismo.Mas o "garrote" sobre a classe média continua, obrigando que a emigração volte em força. Sim, mais instruídos. Mas a instrução não significou melhor educação, melhor capacidade crítica...

Continua a ilusão da liberdade , com discursos ocos e bafientos, tiques que a História não apaga.

Nos últimos três , quatro anos , Rentes de Carvalho ganhou muitos prémios. Não porque o povo o tenha descoberto, mas porque alguém... chamou a atenção para a sua vida e obra. E como é típico em Portugal, já toda a gente o admira...mas antes ...

É Portugal!...
Profile Image for Henrique Vogado.
252 reviews4 followers
August 29, 2014
Uma lucidez tremenda e uma premonição fantástica. Um livro que viajou no tempo desde 1975 e mantém-se actual. Começa com um resumo da história de Portugal porque o livro foi escrito e editado na Holanda. Um resumo desapaixonado e real que nos faz uma excelente apresentação dos portugueses e do estado em que estamos e como aqui chegámos. Brilhante a forma como conjuga os dados com reflexões e assim acaba por fazer um livro que esclarece muitas das situações ocorridas no pós 25 de Abril e que me responde a questões que ainda tinha sobre o envolvimento da Guerra Fria, dos países europeus e do tabuleiro de jogo que era Portugal em 1974/75.
Vou procurar ler os romances deste autor que tem histórias sobre o povo transmontano e uma experiência de vida que devemos e queremos conhecer.
Uma excelente edição numa altura em que comemoramos 40 anos da revolução dos cravos.
Profile Image for Kelle.
86 reviews
August 26, 2014
Portugal - A Flor e a Foice faz-nos uma rectrospectiva da história de Portugal desde os primórdios da Monarquia ao pós 25 de Abril. Através do olhar crítico de Rentes de Carvalho em 1975, vemos a história e os mitos cairem por terra.
Apesar da prosa fluida, por vezes, e especialmente até meio, é difícil prosseguir na leitura pois a história é-nos ali apresentada de forma tão condensada que parece que nos estão a dar uma injecção rápida da história de Portugal. Ainda assim é uma leitura interessante para quem pretende compreender melhor os meandros dos feitos históricos dos portugueses. E no fim conlcluimos que o que temos hoje, 40 anos passados da tão famosa revolução, é uma ilusão de liberdade, a emigração continua, ainda que com mais qualificações, a classe média continua a ser a mais explorada e o fosso entre ricos e pobres acentua-se cada vez mais.
Profile Image for Francisco.
164 reviews5 followers
July 5, 2014
Perspectiva muito interessante não só dos tempos pré-revolução, mas especialmente do ano posterior e da complexidade do processo revolucionário. Resumo inicial da história portuguesa até ao estado novo mordaz mas limitativo e superficial. Rentes de Carvalho tem uma tendência para o exagero/hiperbolização mas apesar disso possui no geral um olhar bastante heterodoxo e acutilante. Muito interessante a capacidade de previsão, que não fugiu muito à realidade. Leitura importante para todos os que se interessam pelo tema (e história de Portugal no geral) mas extremamente valiosa para leitores não familiarizados com a Revolução Portuguesa.
Profile Image for Diogo Almeida.
18 reviews5 followers
April 18, 2014
Obra interessante, nomeadamente por ser um inédito em Portugal escrito em 1975, a quente, permitindo perceber um pouco melhor o que se sentia na altura. Apesar da natural parcialidade ideológica (quem não o era em 1975?) sente-se a personalidade e análise heterodoxa do autor. Vale a pena e lê-se num fôlego.
Profile Image for Manuel Santos.
7 reviews
November 4, 2016
Excelente abordagem, tendo em conta que enquadra o 25 de Abril numa visão de conjunto da história de Portugal, pouco abonatória sobretudo para as «elites» do país. A lucidez do relato torna difícil acreditar que se trata de um texto redigido ainda no Verão Quente de 1975.
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Profile Image for Miguel.
610 reviews4 followers
October 27, 2016
Muito boa visão do que foi o 25 de Abril, origens e resultado até ao PREC. Denota-se algo de visionário no autor. Gostei bastante do seu ponto de vista, original dado ser português e viver no estrangeiro (já na altura). Um livro com 40 anos, editado só agora em Portugal.
Profile Image for Carolina.
134 reviews
May 6, 2021
Não é o meu estilo de obra preferido, mas consigo apreciar o facto de estar muito bem escrito. É mordaz na análise que faz de todos os acontecimentos históricos desde o início do nosso país e dá uma nova visão sobre tudo o que aprendemos na escola nas aulas de história ("lusitana paixão" e tal). Não tem uma visão positiva, sendo por isso uma leitura densa e pesada, mas é um outro olhar sobre o 25 de Abril, que era o que eu pretendia para o meu ciclo de leituras de Abril. Para todos os que gostam de ler sobre o tema, e sobretudo para os que não gostavam que "a história" fosse só uma, vista apenas de uma maneira, aconselho.
Profile Image for Luis Costa.
3 reviews
January 17, 2022
Livro interessante que lança um olhar certeiro, pouco convencional, sobre do Outro lado da História "oficial" de Portugal, desmontando os mitos dos heróis, e revelando o barro e as façanhas pouco nobres das "nossas" elites desde 1143 até ao verão quente de 1975.
Profile Image for Kris.
6 reviews
October 19, 2025
Academisch geschreven. Mocht zeker een literaire redactie krijgen. Maar uiterst boeiende lectuur. Onderbouwd kritisch.
Displaying 1 - 18 of 18 reviews

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