Este é um livro não apenas para ser lido, mas meditado e refletido nesse mundo que está aí. Pepe Mujica, de maneira sábia, nos provoca a não naturalizar as coisas, e nem a achar que as mudaremos de uma hora para outra. Nesta profunda conversa com Fabián Restivo, Pepe não trata apenas de um tema, mas os relaciona em sua a vida, o amor, a natureza, a militância, a juventude. As contradições, as tensões do mundo, assim como as nossas, sempre estiveram aí. Ao olharmos para trás, lá também estão os nossos limites. O ser humano está sempre aprendendo. Estamos aprendendo agora. Profundo conhecedor da história, Mujica sabe, e nos mostra, que não há uma verdade religiosa, cristalizada, ou uma visão particular que possa se impor e resolver nossos problemas. Mas nessas Palavras para depois temos sementes para pensar as transformações sociais, culturais, políticas e humanitárias em nossa sociedade, onde a relação com a natureza é essencial. Essa conversa tão humana nos lembra que, apesar de todas as adversidades e injustiças, há sempre um tição aceso debaixo das cinzas, e que precisa ser soprado. Para alimentar essa chama, temos aqui, sem dúvidas, uma leitura fundamental. OLÍVIO DUTRA, na contracapa do livro.
Sou suspeito para opinar, mas é uma leitura deliciosa. As reflexões de um ícone do humanismo do nosso tempo, que também é um líder pragmático da velha escola e um cidadão comum como qualquer outro uruguaio. O livro de Fabián Restivo é fruto de 10 dias consecutivos de conversa com Pepe Mujica, na chácara deste em Rincón del Cerro, nos arredores de Montevidéu. O ex-presidente fala de tudo um pouco que experimentou na vida: da infância dura, da guerrilha, do tempo em que assessorou Leonel Brizola, da vida na chácara criando galinhas e pilotando um trator, do amor, de líderes internacionais como Lula, Bush, Obama... e muito mais. Entre as palavras de Mujica, o silêncio tão bem preenchido pelo autor na forma de palavras precisas que revelam a poesia da vida.
Que privilégio poder ler mais do Mujica. Um grande político, uma grande pessoa.
"— Como você chega a essa sua idade com tantas contradições? — Não é que você consiga administrá-la. Você a suporta, o que não é a mesma coisa. Você aguenta porque existe uma força superior chamada vida. Ao fim e ao cabo, manda o instinto. Ao fim e ao cabo, a resposta vem da biologia, sim, quando as batatas estão assando. E é assim, tem muita coisa contra você. [...] Você chega à conclusão de que, quanto mais você faz, mais a angústia se multiplica. Para ser feliz é preciso ser ignorante."