Ao mesmo tempo em que é um conceito chave para o respeito e a segurança nas relações sexuais contemporâneas, o consentimento tem sido muitas vezes entendido de forma equivocada ou superficial. Neste livro que reúne o conhecimento e a experiência de três mulheres engajadas nos debates e nas lutas contra a violência de gênero, o tema, complexo, ganha uma abordagem aprofundada, corajosa e, sobretudo, descomplicada.
Reunindo referências dos campos da psicologia, do direito, da literatura especializada, além de uma série de exemplos de casos conhecidos e situações que atingem cotidianamente meninas e mulheres, as autoras apresentam as nuances que estão em jogo quando falamos de violência sexual e suas diversas manifestações. Com isso, disponibilizam um repertório essencial sobre o assunto para ser lido com a família, na escola, entre amigas, de forma aberta e franca, porque somente com informação e conhecimento poderemos criar uma sociedade mais saudável, justa e segura.
“ a premissa de que o consentimento é algo que homens pedem e mulheres autorizam coloca sobre as mulheres a responsabilidade de identificar, entender e nomear com clareza o que querem de uma interação sexual. Essa exigência distribui de forma desigual as expectativas para a comunicação heterossexual entre mulheres e homens ao reforçar a tradição de inferir que homens desejam e iniciam sexo e mulheres autorizam o sexo, considerando que mulheres precisam responder as pistas não verbais dos homens enquanto os homens não tem responsabilidade de responder as pistas não verbais das mulheres ( que se presumem misteriosas para os homens).
… a premissa de que consentimento é algo que se consegue invisibiliza a mutualidade e a reciprocidade que deveria estar presente em interações sexuais.”
O livro é bem legal, mas já valeria só por esse trecho.