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Origami

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Crónica da contemporaneidade, radiografia do fim dos tempos, saga de família, narrativa de um Origami onde cada vinco conta a sua história.



«Monto o origami de um avião. Eu sou o avião de papel, o meu próprio corpo papel. Os braços são importantes porque são as asas. Quando a dor aperta, faço um origami de mim mesmo. […] Desta vez deitei-me no chão, pernas e braços em ângulo agudo, os cotovelos e os joelhos no chão, os pés no ar eram a cauda branca do avião. Estou descalço e esbracejo, as mãos imitam pássaros feridos. Com asas e cauda, sou quase todo avião. Tento espalmar-me no chão, fininho, feito japonês. Não consigo, afinal sou criança, não folha de papel.»

Neste romance, somos conduzidos por caminhos que divergem, que se cruzam e voltam a separar-se, e que confluem num território partilhado entre narrador e leitor, como num jogo de Origami é uma história de família e de desencontros emocionais, ao mesmo tempo que é a narrativa de autodescoberta de um rapaz em busca de si mesmo e do seu lugar, numa trama que se desdobra ainda em retrato social, em crónica da contemporaneidade, em quebra-cabeças de um crime, em radiografia do fim dos tempos.

Servindo-se do tom despojado a que o autor nos vem habituando — ora ácido, ora melancólico —, Origami fala-nos da solidão acompanhada, essa grande doença do século, mas também nos confronta com o incomensurável drama coletivo das migrações. Pelo meio, há um misterioso homicídio para resolver. Ao dirigir a luz para lugares quase sempre cheios de sombra, este é um livro inesperadamente libertador.

Os elogios da crí

«O que mais surpreende é a escala e ofôlego do projeto literário de José Gardeazabal.»
José Mário Silva,Expresso
Sobre A mãe e o crocodilo:

«Há nos romances de José Gardeazabal uma vontade de mapear as tensões do nosso tempo, em particular como as convulsões políticas e sociais condicionam o indivíduo, quer se trate da divisão entre Ocidente e Oriente, da pobreza, de um vírus desconhecido ou de muros que separam as pessoas.»
Luís Ricardo Duarte, Visão


Sobre Quando éramos peixes:

«Um livro extraordinário — ninguém escreve com esta estranheza,inteligência e talento em Portugal.»
José Riço Direitinho
Sobre Quarentena — uma história de amor:

«[Um livro que,] pela sua qualidade literária e originalidade estrutural, e também pelo testemunho que as páginas sumariam, cristalizará este tempo estranho transfigurado na memória estética da Literatura.»
Miguel Real, Jornal de Letras
Sobre A melhor máquina viva:

«Uma alegoria inteligente sobre o capitalismo, a pobreza, a literatura e a vida.

110 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2024

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About the author

José Gardeazabal

18 books10 followers
José Gardeazabal nasceu em Lisboa.
O seu livro de poesia, história do século vinte, foi distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura.
O seu primeiro romance, Meio Homem Metade Baleia, foi finalista do Prémio Oceanos, e com A Melhor Máquina Viva, seu segundo romance, considerado um dos melhores livros de 2020 pelos jornais Expresso e Público, foi finalista dos prémios Fernando Namora, Correntes d'Escritas e da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 2021, publicou os romances Quarentena - Uma História de Amor, finalista do Prémio Oceanos em 2022, e Quarenta e Três, assim como o volume de poesia Viver Feliz Lá Fora e, em 2022, sai Quando éramos peixes, o segundo volume da Trilogia dos Pares.
A mãe e o crocodilo, que conta a história de Vladimir e do seu crocodilo, Benito, é o seu quinto romance. Em 2023, publicou o seu primeiro livro infantojuvenil, Aquele Natal Inteiro e Limpo, com ilustrações de Susana Matos, sobre uma família portuguesa e o seu Natal ‘revolucionário’, uma narrativa sensível e plena de respeito pelo nosso passado e pelas figuras mais velhas que o mantêm vivo.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Diogo Pereira.
67 reviews36 followers
July 29, 2025
Já há algum tempo que não lia uma voz tão própria.

É absurdamente caótico, mas sempre a roçar poesia.

Muito interessante.
Profile Image for António Esteves.
199 reviews10 followers
January 10, 2025
Uma mente brilhante. Um TGV de ideias que tem dificuldades em não descarrilar
Profile Image for Alexandra.
28 reviews1 follower
January 24, 2025
Um magnífico "thriller" poético emoldurado por fragmentos de realidades duras, filtradas/desconstruídas por "um olhar pré adolescente".
Profile Image for Alexandra Maia E Silva.
447 reviews
April 7, 2026
Origami
Um livro complexo
Uma escrita que fazvpensar em cada frase
O filho e o pai
O filho e a mãe
O menino e Veola
O menino Veola e Hammett
O menino Hammett e Ali
A violência doméstica
O alcoolismo
Os vizinhos
O país de Ali o seu país é a guerra civil, é do planeta fome. A fuga para a frente, a legalização que não chega, a ajuda de que sente empatia simpatizando

"O filho não faz o pai,o nascimento faz o filho, não faz o pai."

Caramba, um murro no estômago, mas tão simples os dilhos nascem, mas nem rodos os pais ( mãe/pai) se tornam pais, ou não conseguem, ou não querem, ou ainda não caiu a ficha. O nó na garganta aperta. E explica tanta coisa.


Penso recorrentemente na minha bolha, que contudo tem estado a encolher, na bolha familiar, será que gritar é sem violência.

A Alemanha comunista do museu já foi uma Alemanha real.

O texto é disruptivo, é poético, é bruto, é cru quase cruel por vezes. Mas fica cá dentro, aperta a garganta, faz-nos pôr em causa tanta coisa e a bolha estremece.

"Olhar-me ao espelho, descobrir alguém que eu procurava e que não sou eu"
" Sou um intervalo, um hífen, uma interrupção, uma espera, um descanso e uma paragem"

O livro não é meu e tem muitas anotações, não uso post-its nem lápis.
Mas fiquei com vontade de sublinhar quase tudo, de ler novamente, mas vou devolver em breve, de comprar, se sentir através da capa as imensas camadas e no entanto tenho medo! De ler novamente de descobrir mais coisas
Poderia continuar a transcrever frases, citações... Ao fim de quantas transcrições é plágio? Com quais faço spoiler.
Quais as que vou memorizar, as frases, as imagens gravadas, os Origamis com dor, dobrar-me para sentir da dor ou fugir da dor que se aproxima?

"A adolescência é uma cidade invisível onde eu quero viver para sempre "
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