"Destinas" é uma história pra pegar a estrada. Uma narrativa sobre cura, sobre tomar o destino em nossas mãos e sobre como podemos fazer isso construindo laços de amizade. Heloísa é uma operária de 48 anos, vive um casamento infeliz e uma rotina exaustiva. Num instante limite, desliga a máquina, sai da fábrica e parte em uma viagem não planejada. A amizade com Milena e Sueli se mostra muito além de um encontro nas estradas, mas um entrelaçamento de mulheres e suas histórias, suas dores e renascimentos. "Destinas" é uma road novel em prosa poética, com elementos de realismo mágico e referências a Obaluaê, que questiona os destinos traçados para os corpos femininos, como a violência doméstica, a maternidade compulsória e os padrões de beleza e sociais. Finalista do 9° Prêmio Kindle de Literatura
Destinas é um dos livros finalistas do 9° Prêmio Kindle de Literatura (2024-2025). E que livro bem escrito! Amei a forma de escrita da Yara.
Heloísa está cansada de sua vida! De seu casamento, de seu emprego, de tudo. De repente, num dia, ela decide simplesmente largar tudo, se desconectar e sair. Pra onde? Sem destino. E então, nessa road trip, que começa de ônibus, ela se encontra com Milena, que também está tentando se encontrar na vida após o falecimento de seu pai, e juntas elas seguem num jipe laranja, passando por várias cidades, vivendo pequenos momentos significantes, até cruzarem suas vidas com a de Sueli.
Uma novela que mostra as três encontrando suas liberdades e tentando se reencontrar. Três mulheres que se perderam em quem eram por causa de outros, e então... esse encontro. E é tudo muito bem escrito, poético e até intenso. Vale demais a leitura!
"há pessoas que se enraízam que são território fincam suas existências num contínuo com a terra
e há aquelas que não são de lugar algum em eterno voo migração constante, despertencida o olhar sempre buscando algo
mas o mundo arranca as pessoas-raízes de seus territórios e prende as pessoas-pássaros onde não pertencem" (Página 23)
eu poderia ter gostado muito mais dessa história se ela não parecesse querer ser mais profunda do que realmente é. Enquanto a protagonista, Heloísa, toma as rédeas de sua vida e sai por aí sem rumo, o que com certeza não aconteceria porque né... a vida né, tem a sorte de encontrar Milena, uma sapatão empoderada. O que poderia, e no início estava sendo uma série de reflexões sobre a vida de Heloísa, e suas dessamarras da vida, o que seria muito bom, pra mim fica confuso quando ela "ganha poderes de cura?" aí volta para o tom reflexivo da viagem, e desemboca nelas salvando uma mulher, só para terminar a viagem com a felicidade por estarem livres... e no final a reflexão não chega em lugar nenhum, tem vários acontecimentos jogados que poderiam ser desenvolvidos, e ficam por isso, e no final a sensação é que o livro não chega em lugar nenhum, só abre muitas possibilidades e reflexões, mas não se aprofunda de fato em nenhuma, e olha, tem tantas possibilidades, da pra ver que poderia chegar em algum lugar, mas eu senti que ficou raso como um livro de auto ajuda onde tudo da certo porque é só um livro que finge querer ajudar.
A história, "no papel", é sensacional. Uma mulher que simplesmente diz CHEGA quando se vê frente a detalhes das divergências sociais e econômicas no seu ambiente de trabalho, totalmente insatisfeita com a sua vida. O burn out dela acontece pá pum e ela simplesmente pega a bolsa e vai embora, com a roupa do corpo, pegando um onibus qualquer pra ir embora. No seu caminho ela conhece uma moça (Milena, até o nome já te diz que ela tem uma franjinha na testa, uma polaroid, um toca discos, e piso de taco) que tinha tudo pra ser uma hippie sem conteúdo, performática, mas que na verdade é aquilo mesmo que ela mostra/diz ser. Gostei muito dela. Por fim elas conhecem a Sueli, que também precisa ir embora. Tinha de tudo pra ser uma história forte com personagens tridimensionais, fortes, com desenvolvimento, mas sinto que apenas começou a tocar na profundidade e no potencial da amizade e da força feminina. Talvez por ser curto. Talvez por ter sido audiolivro, que eu ainda estou aprendendo a focar da mesma forma que um livro (e sinceramente a narradora não foi muito boa). Ainda assim vale muito a pena se estiver na busca de novas autoras nacionais contemporâneas.
Destinas acompanha as estradas percorridas no asfalto e nas vidas de mulheres em busca de novas memórias e possibilidades. Yara constrói com fragmentos poéticos e quilometragens, imagens e um mapa emocional de luta por sobrevivência. A versão física tem toda beleza dos projetos artesanais da Arpillera.
Eu adorei esse livro. A escrita de Yara é poética e me fez parar para anotar várias citações bonitas durante a leitura, como essa:
“Casa não é onde se nasce. Sentir o conforto de ser, estar, encontrar-se, se reconhecer em quem habita ao seu lado, humano, pedra, bicho, árvore. É casa que não tá plantada no chão. Pode ser a própria estrada. A casa mora dentro da gente.”