Uma seleção com os melhores textos - entre poesias e crônicas, algumas inéditas - sobre futebol do craque das letras. Carlos Drummond de Andrade lembra dos vitoriosos escretes de 1962 e 1970 e dos gênios Garrincha e Pelé, que, aliás, assina o prefácio desta edição.
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
Foi gostoso ver o futebol pelos olhos de um poeta. Os esportes, de forma geral, ganham mais cor e brilho vistos dessa forma. Foi interessante ler algumas análises que ele faz sobre a relação do brasileiro (da sociedade, não dos jogadores) com a bola. Os textos de que mais gostei: Futebol, Enquanto os Mineiros Jogavam, Mistério de Bola, Calma, Torcedor, No Elevador, O Importuno, O Torcedor, Pelé, o Mágico, Pelé:1000, Na Estrada.
It was lovely seeing soccer through the eyes of a poet. In general, sports become more colorful and more bright when seen from that angle. It was interesting coming to know his analysis of how Brazilian culture relates to soccer. The texts I enjoyed the most were: Futebol, Enquanto os Mineiros Jogavam, Mistério de Bola, Calma, Torcedor, No Elevador, O Importuno, O Torcedor, Pelé, o Mágico, Pelé:1000, Na Estrada.
Há quem não goste e há quem ame o futebol divide pessoas seja por diferença de time ou por não gostar. Mas a verdade é que o futebol mais une do que separa. O livro reúne textos, poesías e observações sobre 9 copas do mundo desde 54 até 86. Fala de Pelé à Maradona, de Guarrincha à Zico até de Vasco à Flamengo. Os textos de Drummond não debatem futebol ou tentam entender as táticas os textos são, sobre os torcedores, jogadores e suas influências em nossas vidas. A importância de uma copa do mundo na política, a felicidade de um ascensorista com a vitória do Vasco ou com a futura vitória. De como tudo parava para assistir o jogo da seleção até horas antes do jogo. Até um sermão é feito para os torcedores. "Bem aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino na tranquilidade." Ainda contém vários textos sobre Pelé o maior jogador de todos os tempos. Carlos disse assim "O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé."
Para quem ama futebol cada palavra é uma verdade, do que vivemos, sofremos e sentirmos por esse esporte, que muitas vezes até nos o odiamos desejamos que não existisse, desejamos não torcer por nenhum clube, mas na segunda estamos de pé pensando no próximo jogo.
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No mais, é celebrar como começamos a fazer ao primeiro gol e não sei quando acabaremos, que isso de sofrer rente ao rádio, vezes e vezes repetidas, embora de coração esperançoso ou por isso mesmo, exige expansão compensadora e farta, ai meu Deus, minha nossa senhora da Cancha, meu senhor bom jesus do tiro de Meta! Como deixar de lançar papeizinhos ao ar, sujando a cidade mas engrinaldando a alma, e de estourar bombas da mais pura felicidade e glória, mesmo que arrebentemos os próprios tímpanos, se não há jeito de reprimir a onda violenta de alegria que se alça até os mais ignorantes do futebol, criando esse calor, essa luz de unanimidade boa, de amor coletivo, de gratidão à vida, que hoje nos irmana a todos?
"Confesso que o futebol me aturde, porque não sei chegar até o seu mistério. Entretanto, a criança menos informada o possui."
Se Nelson Rodrigues, como bom dramaturgo, trouxe os personagens e as tragédias para a crônica do futebol, Drummond contribuiu com toda a sua carga poética simples.
As crônicas e poemas são mágicos e potentes, especialmente quando lidam com as derrotas.