Em Para todas as mulheres que não têm coragem, seu livro de estreia, Daniela conta as próprias experiências ao lidar com o fenômeno da impostora, enquanto entrevista mulheres que são referência em diversas áreas sobre o tema, de Dandara Pagu a Monique Evelle, passando por Rafa Brites, Vivi Duarte, Mari Palma, Carol Burgo e outras.
Daniela mostra à leitora que depositar enormes expectativas sobre nós mesmas, ao mesmo tempo que duvidamos de cada pensamento que surge, limita o nosso autoconhecimento, poda qualquer crescimento e, ainda, paralisa nossos sonhos. O livro é também uma conversa, com exercícios para serem feitos por quem o tiver em mãos. Por que você se olha de forma tão cruel? Por que não segue, mesmo sabendo que é o que precisa fazer? Que dores constituem você? O que falta para você entender que é capaz de fazer o que quiser? E como fazer isso? Conhecendo as armadilhas que nos fazem sentir assim, colocando no papel nossas dúvidas, dores e limitações, e trocando com outras mulheres.
Para todas as mulheres que não têm coragem aponta que a saída desse labirinto mental está em assumir um compromisso com a coragem, em nos autorizar a ser do tamanho que podemos ser. O livro é um convite para que você mergulhe em si e veja o que emerge quando se dá conta do tamanho que tem.
O grande acerto e erro do livro é o nome dado a ele. Acerto, pois ele vem meio com uma promessa, erro pq a promessa não se cumpre dentro. Não sei ainda se o texto se trata de um ensaio, uma autobiografia ou autoajuda. A meu ver, os estilos se mesclam durante toda a escrita. Parece a meu ver, isso de não optar por uma abordagem, o que deixa a leitura rasa. De qualquer forma, gosto muito dos textos que a Dani posta nos perfis dela e acho que é uma questão de adequação para que sua escrita se desenvolva para o meio literário.
Apesar de não gostar tanto de livros que "impõem" reflexões no meio da leitura, o livro da Dani me ajudou a mudar algumas certezas de lugar. Fui revisitando lugares da infância, revendo situações que me exigiram coragem e coletando entendimentos sobre a vida que eu quero construir. Fiquei muito impactada com o capítulo no qual ela fala sobre o desejo de apostar na vida e a pergunta "como é um dia ideal para mim?", que aparece logo no nos primeiros capítulos, habitou minha cabeça por semanas e foi um dos muitos convites que a autora me fez ao longo do livro.