Quando o nome do norueguês Jon Fosse foi anunciado para receber o prêmio Nobel de literatura em 2023, os leitores de outros idiomas o conheciam principalmente pela sua produção para o teatro, mas não demorou para que sua obra em prosa começasse a aparecer nas vitrines em todo o mundo. Fosse, no entanto, é “poeta de ofício”, isto é, iniciou-se na escrita fazendo poemas, já na adolescência, e nunca abandonou os versos desde então, como revelam os livros agora reunidos em Poemas em coletânea, que acompanha uma produção que se estende de 1986 até 2016.
Em todo esse período, com as tormentas próprias de uma obra visceral, os poemas de Fosse levam os leitores a experimentar um trânsito vertiginoso entre paisagem externa e vida interior, em que a peculiar geografia à sua volta — com suas cores intensas, dezenas de milhares de ilhas e lagos formando um mesmo território — se funde às imagens forjadas numa alma em que a contemplação namora o delírio.
E há algo que torna ainda mais incrível o mergulho poético de Fosse: seus poemas sequer são escritos na língua em que a maioria de seus compatriotas se expressa. O poeta escreve numa variante minoritária do norueguês, nynorsk, em busca de um “frescor e clareza” que, para ele, a língua “usada e usada e usada” acaba perdendo. Este foi mais um dos desafios que a poesia de Fosse ofereceu a seu premiado tradutor brasileiro, Leonardo Pinto Silva, também responsável pela versão brasileira dos romances Brancura e A casa de barcos, publicados pela Fósforo.
Para os leitores que já o admiram por seus romances, ler a poesia de Jon Fosse é, sem dúvida, uma forma ainda mais viva e inquietante de entrar nesse universo extraordinário em que “sempre há coisas demais para esquecer”, mas sobre a terra, nas águas, no peito, bate “um vento com o qual o coração ainda pode se contentar”.
Jon Olav Fosse was born in Haugesund, Norway and currently lives in Bergen. He debuted in 1983 with the novel Raudt, svart (Red, black). His first play, Og aldri skal vi skiljast, was performed and published in 1994. Jon Fosse has written novels, short stories, poetry, children's books, essays and plays. His works have been translated into more than forty languages. He is widely considered as one of the world's greatest contemporary playwrights. Fosse was made a chevalier of the Ordre national du Mérite of France in 2007. Fosse also has been ranked number 83 on the list of the Top 100 living geniuses by The Daily Telegraph.
He was awarded The Nobel Prize in Literature 2023 "for his innovative plays and prose which give voice to the unsayable".
Since 2011, Fosse has been granted the Grotten, an honorary residence owned by the Norwegian state and located on the premises of the Royal Palace in the city centre of Oslo. The Grotten is given as a permanent residence to a person specifically bestowed this honour by the King of Norway for their contributions to Norwegian arts and culture.
A obra nos oferece aos leitores um mergulho introspectivo no universo poético do autor norueguês, conhecido por suas obras teatrais minimalistas e por sua prosa poética.