Não é a primeira vez que os humanos tentam colonizar Délapi. Séculos atrás, a nave que pousou no planeta nunca foi encontrada.
Dessa vez, a chegada foi bem sucedida. Com os colonizadores, veio a guerra.
No futuro distópico de 2546, a Terra como conhecemos foi largada às traças. Deixando a população à mercê do desemprego e da fome, as elites resolveram investir na conquista de novos planetas — mesmo que, para isso, fosse preciso aniquilar tudo o que há pela frente.
Recruta do exército de colonização, Tomás não tem escolha senão deixar sua família e partir em uma viagem rumo a Terra-Corsário — ou Délapi, como chamam os nativos. Ele se alista por dinheiro, não convicção, e já aceitou estar fadado a uma vida insignificante. Mas um erro no procedimento de iniciação militar faz com que ele seja diferente dos outros soldados.
Áthina é uma sobrevivente. Nascida em Délapi, ela foi raptada pelos colonizadores aos dez anos e cultiva dentro de si muito ódio pelos seus algozes e pouca esperança de liberdade. Quando um grupo de nativos organiza um ataque e leva Áthina e Tomás como reféns, a vida dos dois muda para sempre.
A sede por vingança une aliados improváveis na disputa por um dos pontos mais estratégicos de Délapi, antes que o próprio planeta destrua a todos com sua fúria inclemente, farto de ser palco de tamanha devastação.
No meio de conspirações, mentiras e sangue, Tomás e Áthina reconhecem a tendência do ser humano de andar em círculos e destruir tudo o que constrói. Ainda que ganhem a guerra, será possível encontrar paz naquele lugar que a Terra já maculou?
Não só a história, como a própria atualidade com as atrocidades que vemos acontecer na Palestina e Líbano, por exemplo, mostram o pior da humanidade: estamos, o tempo todo, nos esforçando para acabar com os nossos iguais.
"Utopia dos perdidos" nos mostra um mundo devastado pela guerra. E mundo esse que é uma colônia da Terra. Enfim, a hipocrisia humana, primeiro acabamos com o planeta Terra, então partimos para os próximos planetas para conquistá-los e começar o processo de destruir esse novo lugar.
Acho que um dos efeitos que o gênero distopia (ao menos, do pouco que já li) é nos deixar com o gosto amargo de, na verdade, a gente seria sim capaz da maldade presente na história. Eu não acho que se realmente fosse possível alcançarmos outros planetas, não agiríamos exatamente como malditos colonizadores. É uma herança nossa, de muitas gerações, um ciclo que a gente não quebra.
E essa herança é um ponto importante no livro. Ao chegarmos no fim do livro entendemos que podemos tentar lutar contra essa natureza destrutiva, ela ainda vai nos seguir; talvez a fome de poder do ser humano seja maior do que a sua capacidade de sentir empatia. Somos um projeto que deu errado ou estamos seguindo a nossa verdadeira natureza?