#Irish Readathon 2023
Há autores que comigo resultam muito melhor com contos do que com romances e, depois de ter desistido de “Brooklyn” e de ter reagido de forma tépida a “Testamento de Maria”, Colm Tóibín pode muito bem ser um deles.
Em “Mães e Filhos”, há um filho que é criminoso, uma mãe que abandonou a família por um homem, um filho que pretende herdar o negócio da família, uma mãe idosa que é a última a saber que o filho padre é pedófilo, um filho que vai para umarave depois do enterro da mãe, uma mãe com um filho deprimido, um filho cujo amor da avó pode ser uma benesse ou um fardo, num conjunto muito equilibrado de histórias de amor mas também de conflito maternal e filial.
“Famous Blue Raincoat” e “Um longo inverno” são os pontos altos desta colectânea.
Na primeira, uma mãe recua aos seus tempos de cantora numa banda, quando o filho adolescente descobre os seus discos. Há uma versão do tema de Leonard Cohen num conto que combina soberbamente duas coisas que, para mim, representam a Irlanda, a literatura e a música.
Mas era mais conhecida pelo seu trabalho no período áureo do folk e nos primeiros anos do rock de Dublin: as suas fotografias de Geldof, como uma estrela jovem e rebelde e, mais tarde, de Bono, como um adolescente belo e ingénuo, ainda apareciam com regularidade em revistas do mundo inteiro.
Na segunda, uma mãe que recorre à bebida para entorpecer a dor da ausência dos filhos a cumprir o serviço militar acaba por sair de casa no dia em que cai o primeiro nevão do inverno. É inevitável e previsível que diga: uma mãe faz muita falta.
Nunca ias deixar de ter medo de uma coisa assim, da morte dela, agora livraste-te disso. Já aconteceu. Já não pode acontecer outra vez. (...) Sempre que vejo alguém com uma ligação a outra pessoa, sinto pena deles. É melhor não sentir nada. Tens sorte por ela não te poder ser tirada outra vez.